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Secretário de Estado, Rex Tillerson, com Steve Inskeep, da NPR

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PERGUNTA: Secretário, quero perguntar sobre o seu novo trabalho. Algumas pessoas sabem que a sua antiga empresa tinha uma declaração de missão de que a Exxon queria ser a principal companhia petrolífera do mundo. Qual é a sua declaração de missão para o Departamento de Estado?

TILLERSON: Acho que a nossa missão aqui é implementar as políticas do presidente para garantir as necessidades de segurança nacional do povo americano e promover os interesses econômicos dos Estados Unidos no mundo. E acho que a questão para nós é o quão bem vamos implementar essa missão.

PERGUNTA:  O senhor acha que o Departamento não estava cumprindo a tarefa em algumas áreas essenciais?

TILLERSON: Acho que foi… é… nosso governo, o governo Trump, tem uma abordagem diferente de como o governo quer utilizar o Departamento de Estado na implementação da missão. E tenho confiança de que os homens e mulheres do Departamento de Estado, que me impressionaram muito desde que cheguei, vão cumprir essa missão. E tudo o que temos de ajudá-los a entender é o que nós queremos que eles façam, e tenho confiança de eles irão cumprir isso.

PERGUNTA:  Mas  quando você fala em corte de orçamento de 31%, isso sugere que você acha que algumas funções deste departamento não são necessárias, que não estão compensando.

TILLERSON: Bem, acho que, se olharmos para o Departamento de Estado na década passada, digamos, se você olhar para um organograma de dez anos atrás e olhar para esse organograma hoje, existem muitas caixas adicionadas nesse organograma. Agora, estamos fazendo uma reorganização. O que queremos realmente fazer é examinar o processo pelo qual homens e mulheres, as pessoas com carreira no Serviço Estrangeiro, os servidores públicos, nossas embaixadas – como eles cumprem essa missão. Sei que haverá oportunidades para possibilitar que eles sejam mais eficientes.

PERGUNTA:  Agora, quando Rex Tillerson chegou pela primeira vez no Departamento de Estado, os diplomatas de carreira estavam impressionados. Mais tarde, muitos começaram a ficar ansiosos ou mesmo perplexos. Dezenas de altos cargos neste departamento continuam vagos. Em nossa conversa, o secretário reconheceu que a contratação está ocorrendo mais lentamente do que ele gostaria e insistiu que está ouvindo, almoçando com alguns veteranos do Departamento de Estado. Ele está realizando uma pesquisa com todos os funcionários hoje, perguntando a eles o que acham dos seus empregos. Como um observador externo, como um não diplomata, Tillerson diz que vem sendo questionado sobre por que algumas regras antigas existem.

Existe uma política – não apenas uma regra interna, mas uma política – que fez você dizer por que estamos abordando o Paquistão dessa forma, por que tratamos a África Subsaariana dessa forma?

TILLERSON: Bem, eu diria que o que encontrei com muita frequência é a ausência de uma política, a ausência de uma política bem articulada. E então não é que as pessoas não estivessem fazendo coisas que valessem a pena, mas que elas estavam fazendo as coisas sem uma orientação clara quanto ao objetivo e à situação que estávamos tentando atingir. Claramente, queremos ajudar as pessoas, queremos desfazer o conflito, mas nós entendemos realmente por que e o que estamos tentando atingir em mais longo prazo?

PERGUNTA:  Qual é o objetivo final com a Rússia?  O objetivo final ideal, é claro.

TILLERSON: Acho que gostaríamos de ter uma relação com a Rússia na qual eles não nos ameacem e na qual eles não representem uma ameaça aos Estados Unidos ou a qualquer parte ocidental do mundo, que a Rússia queira ser um membro positivo da ordem mundial global, não uma parte disruptiva e não uma ameaça aos outros.

PERGUNTA:  Estou pensando sobre o fato de que estamos conversando num dia em que a embaixadora da Organização das Nações Unidas Nikki Haley fez mais declarações criticando a Rússia por seu envolvimento em abusos dos direitos humanos, efetivamente, na Síria. E isso me faz perguntar se as perspectivas de uma melhor relação com a Rússia azedaram desde que o novo governo assumiu.

TILLERSON: Não creio que as perspectivas tenham mudado de uma forma ou outra. Acho que a situação é, como avaliei, isso é o que, de fato, eu disse em minha viagem a Moscou, em minhas reuniões com o ministro de Relações Exteriores Lavrov, com o presidente Putin, é: minha avaliação é que a relação EUA-Rússia está na pior baixa, no ponto mais baixo desde o fim da Guerra Fria. E eu diria a você que a resposta deles foi que eles não discordavam disso. Eu disse que existe um [nível] muito baixo… quase nenhum… nível de confiança entre nós, e minha declaração sobre isso foi que essa não deveria ser a relação entre as duas maiores potências nucleares do planeta. Nós não podemos ter esse tipo de relação. E é uma espiral negativa. Precisamos estabilizar isso e precisamos começar a entender como vamos mudar isso.

PERGUNTA:  As suas relações na Rússia ajudam, ou isso é apenas um cálculo nacional de interesse e eles veem os interesses deles de maneira diferente de como os Estados Unidos vem os seus interesses?

TILLERSON: Bem, acho que a Rússia vai agir em nome dos interesses da Rússia. Isso é o que todas as nações fazem. Acho que, na medida em que tenho relações de longo tempo com a liderança da Rússia, na medida em que isso é útil porque eles já me conhecem, eles não precisam tentar descobrir quem é este cara, Rex Tillerson, porque eles tratam comigo há muitos anos, talvez isso seja útil no sentido de que minha capacidade de comunicação é muito direta, muito franca. Não tem nuances, porque descobri, ao tratar com a liderança russa no passado, que isso é o que eles respeitam.

PERGUNTA:  Estamos sentados na Sala George C. Marshall e, de fato, George C. Marshall está olhando para nós daquele retrato ali.

TILLERSON: Sim, ele está.

PERGUNTA:  Um olhar bem intenso.  Marshall, é claro, ficou conhecido pelo Plano Marshall e pela frase “defesa esclarecida dos interesses próprios”, ajudar outras nações a fim de ajudar os Estados Unidos.

Algumas pessoas presumiriam que o presidente Trump tem uma [abordagem] muito, uma abordagem muito diferente para a política externa e para os interesses dos EUA no mundo. É diferente e, caso sim, em quê?

TILLERSON: Acho que, talvez, ela seja articulada de uma forma um pouco diferente. Quando o presidente diz que quer colocar os Estados Unidos em primeiro lugar, acho que essa é a posição correta a adotar, porque acho que, frequentemente demais, nós comprometemos os interesses dos Estados Unidos pensando, pensando que íamos fortalecê-los na abordagem que adotamos com os outros. Acho que o que o presidente disse – estou disposto a avaliar um amplo conjunto de opções, mas quero saber, ao final, que o povo americano venceu.

PERGUNTA:  Mas, dito isso, isso significa que, se houvesse uma necessidade de outro Plano Marshall, de gastar bilhões de dólares americanos em algum lugar, o presidente estaria aberto a isso?

TILLERSON: Se isso vai resolver as sérias ameaças à segurança nacional dos EUA, se vai nos colocar em um futuro econômico mais forte e prosperidade por causa da estabilidade… nós não prosperamos bem em um mundo instável…, o presidente então estará aberto, acho, a qualquer plano. E ele está dizendo que nós estaremos lá, nós forneceremos a liderança, vamos trabalhar duro por isso, mas não vamos fazer isso sozinhos. Todo mundo tem de vir conosco.

PERGUNTA:  Secretário Tillerson, muito obrigado pela entrevista.

TILLERSON: O prazer foi meu.

(Intervalo)

PERGUNTA:  Nós ouvimos quando você disse que a era da paciência estratégica terminou, então, sabemos o que a nossa política não é. Existe uma frase ou palavra que você possa nos dar para dizer qual é a nossa abordagem em relação à Coreia do Norte?

TILLERSON: Sim, a nossa abordagem em relação à Coreia do Norte é que eles mudem a sua postura para quaisquer conversas futuras. E acho que, quando dizemos que a era da paciência estratégica terminou, no passado, acho que sempre negociamos da nossa maneira na mesa de negociações. Então, quando eles se comportam mal, nós negociamos da nossa maneira para levá-los para a mesa e então decidimos o que vamos dar para que eles se comportem. Não nos restou espaço de manobra para fazer isso agora, considerando o quanto eles avançaram em seu programa. Então, esta é uma abordagem que é pressioná-los através da implementação de todas as sanções, assim como de outras pressões diplomáticas e da adesão de outros, para levá-los a mudar sua visão quanto ao que realmente lhes possibilitará atingir a segurança que eles dizem buscar.

PERGUNTA:  Você pretende ter conversas com a Coreia do Norte? Esse é o seu objetivo?

TILLERSON: Obviamente, essa seria a forma com que gostaríamos de resolver isso, mas a Coreia do Norte tem de decidir que está pronta para conversar conosco sobre a pauta certa. E a pauta certa não é simplesmente parar onde eles estão por alguns meses ou alguns anos e então retomar as coisas. Essa foi a pauta nos últimos 20 anos.

PERGUNTA:  Bem, me ajude a atender qual é o sucesso em sua visão.  Qual deve ser o objetivo?

TILLERSON: Bem, nosso objetivo é o mesmo que com a China, que é uma Península Coreana desnuclearizada.

PERGUNTA:  Uma Coreia do Norte sem armas nucleares?

TILLERSON: Uma Península Coreana desnuclearizada.  É muito claro. É a política declarada pela China. É a nossa política declarada. É a política declarada pelos nossos aliados na região. E eu rapidamente acrescentaria que nós fizemos a nossa parte. Nós retiramos as nossas armas nucleares da Península Coreana. É hora de a Coreia do Norte retirar suas armas também.

PERGUNTA:  Isso é um objetivo realista?

TILLERSON: É o nosso objetivo. É o nosso único objetivo.

PERGUNTA:  E você arriscaria dizer que é um objetivo absoluto? Estou pensando na forma com que o presidente Obama, durante as negociações nucleares com o Irã, disse: “O Irã não terá armas nucleares”, ponto final.

TILLERSON: Bem, nós…

PERGUNTA:  Vocês estão preparados para dizer que a Coreia do Norte não terminará esse processo com armas nucleares, ponto final?

TILLERSON: Nós precisamos ter uma Península Coreana desnuclearizada.  Esse é o nosso objetivo, puro e simples.

PERGUNTA:  Nada menos?

TILLERSON: Nada menos.

PERGUNTA:  Independentemente dos métodos?

TILLERSON: Não sei se entendi o que você quer dizer com “independentemente dos métodos”.

PERGUNTA:  Acho que estou perguntando se isso é uma linha vermelha para você, a Coreia do Norte mantendo quaisquer armas nucleares.

TILLERSON: Não temos nenhuma linha vermelha. Acho que você está falando sobre, talvez, como vamos chegar lá. E nós dizemos que só poderemos começar o processo de chegar lá quando a Coreia do Norte vier à mesa com uma disposição para conversar sobre como chegaremos lá e como eles atingirão o seu objetivo. Se você ouvir os norte-coreanos e o regime de Pyongyang, a razão deles para terem armas nucleares é que eles acreditam que é o seu único caminho para garantir uma existência duradoura do regime deles. O que esperamos convencê-los é de que você não precisa dessas armas para garantir a existência do seu regime. Nós fomos…

PERGUNTA:  Isso significa que se a existência ou a existência continuada…

TILLERSON: Nós fomos bem claros quanto a quais são os nossos objetivos e igualmente claros quanto ao que não são os nossos objetivos. E não estamos buscando uma mudança de regime. Não estamos buscando uma derrubada do regime. Não estamos buscando uma reunificação acelerada da península. Estamos buscando uma Península Coreana desnuclearizada e, novamente, isso também é totalmente condizente com os objetivos dos outros na região.

PERGUNTA:  Secretário, as pessoas saberão que vocês estão tentando trabalhar através da China nisso e garantir que a China esteja aplicando a pressão necessária – uma das coisas que vocês estão tentando resolver com a China. Gostaria de perguntar sobre a relação entre o presidente e o presidente da China, Xi Jinping. Qual é a importância dessa relação pessoal entre os dois líderes?

TILLERSON: Bem, é extraordinariamente importante, primeiro pela relação mais ampla de onde as relações EUA-China estarão nas próximas duas, três, quatro décadas. Acho que estamos em um ponto de inflexão nas relações EUA-China. Agora, a Coreia do Norte é uma ameaça que se apresenta bem à nossa frente e, em nossas conversas com os chineses, e deixamos isso bem claro para eles – eu estava em minhas viagens iniciais a Pequim e então, na visita do presidente Xi a Mar-a-Lago, o presidente e eu conseguimos ser bem claros com eles – essas coisas precisam mudar na Coreia do Norte, e nós precisamos da ajuda deles nisso.

O que a China está começando a reavaliar é se a Coreia do Norte é algum tipo de ativo para eles ou se a Coreia do Norte e o seu regime se tornaram um passivo para a própria segurança da China… porque, como eu disse aos meus colegas chineses, aqueles mísseis partem em todas as direções.

PERGUNTA:  Quando você diz duas, três ou quatro décadas, de repente muitas coisas além da Coreia do Norte estão na mesa. A China quer dominar a sua região, quer dominar o Mar da China do Sul. Ela tem uma visão do mundo diferente da dos Estados Unidos. Como vocês persuadirão a China a ver seus interesses de uma forma diferente e menos ameaçadora aos Estados Unidos em longo prazo?

TILLERSON: Bem, acho que precisamos entender um ao outro e entender que a China está em um caminho de continuar emergindo com seu próprio povo em termos de proporcionar uma qualidade de vida para a sua própria população. Eles conseguiram um enorme progresso nos últimos 10 a 15 anos – 500 milhões de chineses passaram da pobreza para o status de classe média.

Nosso entendimento deles – e acho que eles precisam ter um entendimento de nós – é que nós não buscamos frear a sua necessidade de continuarem seu crescimento econômico e continuarem a ajudar o seu povo a desfrutar de uma melhor qualidade de vida. Enquanto eles estiverem buscando isso, porém, eles devem fazer isso de uma maneira que apoie a estabilidade no resto do mundo também.

PERGUNTA:  Isso significa que eles precisam frear suas ambições ou que vocês precisam freá-las?

TILLERSON: Não as ambições econômicas deles.

PERGUNTA:  As ambições estratégicas deles.

TILLERSON: Bem…

PERGUNTA:  Ambições de poder.

TILLERSON: …depende de como eles veem essas ambições estratégicas e se elas representam ou não uma ameaça à estabilidade do resto do mundo. E acho que um exemplo específico, obviamente, é a atividade deles rumo à construção de uma ilha no Mar do Sul da China e, particularmente, sua militarização dessas ilhas. Tivemos conversas muito, muito francas e trocas com os chineses sobre essas atividades e sobre a nossa visão de que isso desestabiliza a área do Mar do Sul da China, em vez de criar estabilidade.

 

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Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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