rss

Entrevista Pré-Gravada Do Secretário De Estado Rex Tillerson Por Chuck Todd, Do “Meet the Press”

Français Français, Português Português, Русский Русский

13 de maio de 2017

 

PERGUNTA:  E agora comigo, em sua primeira participação no Meet the Press, está o secretário de Estado, Rex Tillerson. Secretário, seja bem-vindo ao Meet the Press.

TILLERSON:  Muito obrigado, Chuck.  É bom estar com você.

PERGUNTA:  Quero começar com as notícias da semana.  O presidente Trump disse que considerou a questão da Rússia quando demitiu o diretor do FBI, James Commey. Ele chamou a investigação sobre a Rússia de “notícias falsas”, uma “caça às bruxas”. Essa investigação sobre a Rússia, no seu entendimento, está levando em consideração as negociações que você teve pelo mundo – você acredita que isso é uma caça às bruxas, notícias falsas? O presidente está correto?

TILLERSON:  Bem, Chuck, o presidente, eu acho, deixou claro que ele acredita ser importante que nós nos reaproximemos da Rússia. A relação com a Rússia, como ele descreveu e eu também descrevi, está, acho, em seu ponto mais baixo desde o fim da Guerra Fria, com um nível de confiança muito baixo. Acho que o mundo – e é do interesse do povo americano, é do interesse da Rússia e do resto do mundo que nós façamos alguma coisa para ver se não podemos melhorar a relação entre as duas maiores potências nucleares do mundo. Então, o presidente, acho, está comprometido a pelo menos fazer um esforço nesse sentido. E ele certamente me pediu para fazer um esforço importante também.

PERGUNTA:  Entendo isso.  Mas você olha para o que aconteceu nestes países europeus ocidentais – França, Reino Unido, Alemanha, Itália – acusações de interferência russa em seus processos democráticos. Que mensagem isso transmite a esses países, de que seu aliado número 1, os Estados Unidos, o presidente, demitiram o homem na agência [o FBI] que estava investigando o mesmo problema com que eles estão lidando – a interferência russa na democracia?

TILLERSON:  Bem, Chuck, o que eu ouço dos líderes dos outros países, na Europa e mais amplamente – e o assunto da Rússia surge em todas as nossas conversas – é que todos os outros países querem que os EUA e a Rússia trabalhem para melhorar nossa relação também, pelas razões que acabei de mencionar.

Acho que é amplamente percebido que não é saudável para o mundo, certamente não é saudável para nós, para o povo americano, para nossos interesses de segurança nacional e em outros contextos, que esta relação continue neste nível baixo. Se podemos melhorar ou não, ainda veremos. Levará algum tempo. Exigirá muito trabalho árduo. Mas acho que o presidente está comprometido, e com toda a razão, e eu também estou comprometido com ele, a ver se não podemos fazer alguma coisa para nos colocar em uma perspectiva mais favorável com a Rússia.

PERGUNTA:  Vocês conseguirão uma perspectiva mais favorável com eles se não tratarem dessa questão da interferência russa? Quero dizer, seu colega, o chanceler russo, Lavrov, disse que vocês sequer falaram sobre esta questão da interferência russa na nossa eleição, como ele disse, o – o próprio presidente Trump diz que isso são “notícias falsas” e, portanto, não é um problema. Por que você não discutiu isso com eles?

TILLERSON:  Bem, Chuck, acho que temos um amplo conjunto de questões que precisam ser tratadas na relação EUA-Rússia. Obviamente, a interferência nas eleições é uma delas. Acho que isso foi bem documentado. Está muito bem entendido – a natureza dessa interferência russa aqui e em outros lugares. E essas não são novas (inaudível) de parte do governo russo dirigidas não apenas a nós, mas também a outros. Mas, novamente, acho que temos de olhar para essa relação em seus contornos mais amplos, e existem muitas, muitas áreas importantes que exigem a nossa atenção se quisermos voltar a uma relação que nós acreditamos que é necessária para a segurança dos EUA.

PERGUNTA:  Mas, secretário, isso é fundamental. Eles interferiam na nossa democracia. Não posso entender como isso não é um questão prioritária para você tratar com eles a fim de, essencialmente, começar do zero. Você não poderá começar do zero até que eles conversem francamente sobre o que fizeram ou que nós os punamos de uma maneira que eles não possam fazer isso novamente.

TILLERSON:  Bem, Chuck, acho que é importante entender que nós não estamos tentando começar do zero. Acho que termos como “reinicializar” são usados em excesso. Você não pode reinicializar. Não pode apagar o passado. Não pode começar do zero, e não estamos tentando começar do zero.

Estamos começando a partir do contexto que temos e de todos os problemas que estão nesse contexto. Não descartamos nenhum deles. Não demos passe livre a ninguém em nenhum deles. Eles são parte de toda a natureza das discussões que estamos tendo com os russos – e, sim, existe um grande número de problemas que precisamos encontrar tempo para discutir a fim de retomar essa relação juntos, se isso for mesmo possível.

PERGUNTA:  Durante a sua audiência de confirmação, você deixou claro que não – você não teve – obviamente, você não tinha sido informado sobre os relatórios de inteligência das 17 diferentes agências que chegaram à conclusão de que os russos realmente fizeram esforços para interferir nesta eleição. Obviamente, existe uma investigação em andamento para ver se houve alguma conivência nessa interferência.

Você foi informado desde que você se tornou secretário de Estado em fevereiro? Agora você já viu essas informações de inteligência? Está claro para você que os russos de fato interferiram na nossa eleição?

TILLERSON:  Eu vi os relatórios de inteligência, Chuck.  E, sim, acho que não existe nenhuma dúvida de que os russos se intrometeram em nossos processos eleitorais. Novamente, esses relatórios de inteligência também indicaram que não há conclusões quanto ao efeito que isso teve, se é que teve.

PERGUNTA:  Entendo sobre o impacto.  Mas o fato de que eles interferiram – quais – quais devem ser as repercussões agora, no seu entendimento?

TILLERSON:  Bem, é apenas parte desse cenário de discussões mais amplo, Chuck. E acho que o impacto real é que isso colabora mais uma vez para enfraquecer a confiança entre Estados Unidos e Rússia. E, como eu disse e o presidente disse, estamos em um nível de confiança muito, muito baixo entre os nossos países neste momento. Então, o que estamos examinando é como começar o processo de restaurar essa confiança e, finalmente, isso tocará em todos esses problemas.

PERGUNTA:  Durante a reunião no Salão Oval com o chanceler [russo] e o presidente, na nota à imprensa, o embaixador Kislyak – que esteve envolvido nessa investigação sobre a Rússia que envolve o ex-conselheiro de segurança nacional, Mike Flynn –, na nossa nota à imprensa, não foi informado que ele estaria lá. Apenas soubemos através de uma agência de notícias russa porque eles postaram fotos mostrando que ele esteve lá. Por que a Casa Branca não divulgou publicamente que o embaixador russo participaria dessa reunião?

TILLERSON:  Chuck, eu não sei.  Você teria de perguntar para a equipe da Casa Branca e para as pessoas responsáveis pelo protocolo [cerimonial, de eventos, reuniões]. Realmente não posso responder a isso. Não sei.

PERGUNTA:  Isso é algo de que você sabia o tempo todo, que ele estaria envolvido?

TILLERSON:  Ele estava envolvido na reunião bilateral que o ministro Lavrov e eu tivemos, que foi para – quase uma hora e meia antes da reunião com o presidente no Salão Oval. Mas não lembro se eu sabia ao certo todas as pessoas que eles levariam para o Salão Oval.

PERGUNTA:  Tudo bem, quero seguir em frente.  Sei que há uma grande viagem, a primeira viagem do presidente ao exterior, para o Oriente Médio. O presidente foi bem duro sobre todas as coisas relacionadas à Arábia Saudita em todas as entrevistas que eu tive com ele durante a campanha. Em determinado ponto, o candidato Donald Trump disse que é ridículo que os Estados Unidos deem tanta assistência aos sauditas, que não estariam lá se não fosse por nós. Ele até discutiu como os sauditas tratam as mulheres, como os sauditas tratam os gays. Agora, ele irá para lá, fará um discurso em Riad. Ele vai mencionar esses problemas? Vocês vão mencionar esses problemas de direitos humanos com a Arábia Saudita e com as suas, digamos, reformas democráticas fracas?

TILLERSON:  Bem, Chuck, esta é uma viagem importante em que o presidente vai embarcar no fim dessa semana. Acho, como você sabe, que ele vai visitar, na primeira metade da viagem, três países, grandes centros que representam importantes religiões do mundo: a fé muçulmana no Reino da Arábia Saudita; o judaísmo, quando ele visitar Israel; e o cristianismo, quando ele visitar o papa no Vaticano.

E acho que o aspecto importante dessa visita que o presidente fará é levar uma mensagem de unidade entre todas essas pessoas de fé, entre essas grandes religiões que ele – ele acredita fortemente que é a força da fé das pessoas dessas religiões que fará diferença e finalmente será vitoriosa frente a estas forças do terrorismo, as terríveis, terríveis faces da violência (inaudível).

PERGUNTA:  (Em curso) …nós essencialmente apoiamos lados na guerra de muitos séculos (inaudível)?

TILLERSON:  Não, Chuck, de maneira alguma. Não se trata de nenhuma religião particular; mas existe um forte elemento do papel que o Irã, a nação do Irã desempenha no apoio ao terrorismo, em apoio às expressões extremistas violentas, e nas ações disruptivas e desestabilizantes do Irã em suas atividades hegemônicas na região.

Acho que existe uma ampla visão e um amplo consenso entre todos na região, entre todas as nações árabes, entre Israel e entre outros, sobre as atividades desestabilizantes do Irã na região. Então, acho que, se eu fosse fazer uma distinção, seria mais no sentido de que isso tem a ver com agir em unidade contra o Irã, em vez de nuances de qualquer religião particular.

PERGUNTA:  Quero dar a você uma chance de responder a um artigo de opinião que o senador John McCain escreveu, onde ele invocou seu nome. Ele disse: “Em um recente pronunciamento aos funcionários do Departamento de Estado, o secretário de Estado, Rex Tillerson disse: ‘Condicionar a nossa política externa excessivamente a valores cria obstáculos ao avanço dos nossos interesses nacionais’”. McCain prossegue: “Com essas palavras, o secretário Tillerson enviou um recado aos povos oprimidos do mundo: ‘Não esperam nada dos Estados Unidos. Nossos valores nos tornam simpáticos à sua causa, mas só expressaremos oficialmente essa simpatia quando for conveniente’”.

São palavras bem duras do senador McCain.  Qual é a sua resposta?

TILLERSON:  Bem, primeiramente, eu diria que, se alguém conquistou o direito de expressar sua opinião, é o senador McCain. E eu tenho grande respeito pelo senador.

Acho que o que eu estava argumentando, Chuck, nessa mensagem aos funcionários do Departamento de Estado, é um argumento importante para se entender, e isso é que os valores da América de liberdade, de tratamento das pessoas, de dignidade humana, de liberdade de expressão em todo o mundo – esses são os nossos valores. São valores permanentes. São parte de tudo o que fazemos. E, de fato, eles servem como uma orientação e servem como limites enquanto desenvolvemos nossas abordagens de política externa e nossos esforços diplomáticos.

Mas eu faço uma distinção entre valores e política. Uma política deve ser ajustada a uma situação individual, ao país, a suas circunstâncias, aos problemas mais amplos que estamos resolvendo em termos de avançar nos nossos interesses de segurança nacional, nos nossos interesses econômicos nacionais. E, então, as políticas precisam ser adaptáveis; precisam mudar; precisam se ajustar às condições. Mas os nossos valores jamais podem mudar. Os nossos valores jamais podem ser colocados em uma posição em que tenham de ser comprometidos. E, portanto, os valores guiam a nossa política. Mas, se colocamos os nossos valores à frente das nossas políticas e dizemos que isso é a nossa política, não temos espaço para nos adaptar às circunstâncias que mudam para atingir o nosso objetivo final. E acho que, se tivermos sucesso em atingir os nossos objetivos finais diplomáticos e de segurança nacional, criaremos as condições para o avanço da liberdade em todo o mundo.

PERGUNTA:  Certo. Sei que você precisa ir.  Só mais duas perguntas. A questão de transferir a embaixada, a embaixada dos EUA, [de Tel Aviv] para Jerusalém. Foi divulgado que isso não vai acontecer e, depois, que foi cancelado. Minha pergunta: quando será a decisão final, ou essa mudança será uma das coisas que sempre vamos contemplar, é um alvo em movimento por um determinado período?

TILLERSON:  Bem, acho que o presidente adotou com razão uma abordagem muito deliberativa para entender o problema, ouvindo para ter informações de todas as partes interessadas na região e entender que essa transferência no contexto de uma iniciativa de paz – que impacto essa transferência teria? Como você sabe, o presidente recentemente manifestou sua visão de que ele quer empenhar muito esforço para ver se podemos avançar em uma iniciativa de paz entre Israel e Palestina. Então, acho que em grande medida o presidente está sendo muito cuidadoso para entender como essa decisão impactaria um processo de paz.

PERGUNTA:  Então, isso poderia demorar; se o processo de paz estiver ativo, ele suspenderia a transferência da embaixada? É como interpretei sua resposta. É uma interpretação correta?

TILLERSON:  Bem, acho que isso se baseará em informações das partes envolvidas nessas discussões e certamente na visão de Israel, se Israel avalia isso como útil para uma iniciativa de paz ou talvez como uma distração. E acho que o presidente – novamente, acho que ele está sendo muito cauteloso em como tratar disso de maneira apropriada.

PERGUNTA:  E, finalmente, a demissão do diretor do FBI, Comey, afeta a sua preocupação com relação a – qual é o grau de independência que o presidente dá a você?

TILLERSON:  De maneira alguma, Chuck. Tenho uma ótima relação com o presidente. Entendo quais são os objetivos dele. Quando não está claro para mim quais são os objetivos dele, nós conversamos sobre isso. Mas estou dedicado a ajudar o presidente a alcançar seus objetivos, ajudá-lo a ser bem-sucedido. E entendo que preciso ganhar a confiança dele diariamente no sentido de como trato desses assuntos e como trato da condução das atividades do Departamento de Estado em linha com a direção que ele quer dar ao país.

PERGUNTA:  Qual é a linha-limite entre o serviço ao presidente e o serviço ao país para você?

TILLERSON:  Bem, eu nunca comprometerei meus próprios valores, Chuck, e portanto essa é a minha única linha-limite – e os meus valores são os valores do país.

PERGUNTA:  Secretário Tillerson, sei que você está cheio de compromissos, você precisa ir e tem esta grande viagem à sua frente. Obrigado por passar um tempo conosco. Aprecio isso.

TILLERSON: Obrigado, Chuck.  E quero desejar um Feliz Dia das Mães a todas as mães, particularmente à minha mãe, à minha esposa e às minhas duas noras, as mães dos meus netos. Obrigado, Chuck.

PERGUNTA:  Uma ótima mensagem.  Obrigado.

# # #

Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.

 


Esta traducción se proporciona como una cortesía y únicamente debe considerarse fidedigna la fuente original en inglés.
Novedades por correo electrónico
Para suscribirse a novedades o acceder a sus preferencias, ingrese abajo su información de contacto.