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Secretário de Estado, Rex Tillerson Em Conferência de Imprensa

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Departamento de Estado dos Estados Unidos
Gabinete da Porta-voz
Para divulgação imediata
26 de outubro de 2017
Comentários
26 de outubro de 2017
Genebra, Suíça

 
 

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, obviamente essa foi uma – embora envolvendo vários dias – não foi uma viagem longa, mas, seria uma viagem longa se considerarmos o número de paradas. Então, creio que tenho várias observações que desejo oferecer a vocês. Por isso, fiz anotações escritas, aqui, para que todas as coisas sejam abrangidas. Portanto, seguirei a lista e, depois disso, nesse ponto, responderei suas perguntas com prazer.

Como vocês sabem, estamos fazendo a última parada nesta viagem de uma semana a capitais importantes na região, muitas das quais ainda se encontram submersas em conflito abrangente e significante. Em cada parada, nós reafirmamos que os EUA continuarão a propiciar liderança global, e a promover segurança, estabilidade e prosperidade para todas as pessoas. Ao fazer isso, obviamente nós estaremos propiciando o mesmo para o povo Americano.

Isso ficou evidente em Riyadh, onde a viagem teve início. Eu me senti muito honrado em participar da inauguração do Comitê de Coordenação Conjunta, ao lado de Sua Majestade o Rei Salman e o Primeiro-Ministro Abadi. O evento ressaltou a força da relação bilateral dos EUA   com ambos, a Arábia Saudita e o Iraque, e o modo como continuamos a promover uma maior cooperação entre eles. Acreditamos que o aprofundamento da relação entre os sauditas e os iraquianos não é apenas vital para a estabilização e a reconstrução do Iraque, mas, também para a estabilidade de toda a região.

De acordo com os objetivos da cúpula em Riyadh no começo do ano, os EUA continuam a trabalhar de próximo ao Catar e nossos parceiros do Golfo, para reprimir os terroristas e aqueles que os financiam. Todos os nossos parceiros do Golfo estão estabelecendo esforços renovados no combate ao terrorismo. Precisamos expandir esses esforços por meio de uma cooperação mais abrangente, coordenação e troca de informação entre todos.

Os EUA continuam incomodados e preocupados com as consequências de longo alcance da disputa do Golfo. Nossa mensagem é clara: o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) é mais forte quando está unido. Continuaremos nossos esforços para abrir as linhas de comunicação, para alcançar essa unificação e, como disse o Presidente Trump, nós permanecemos prontos para auxiliar em quaisquer esforços de mediação.

A liderança dos EUA tem sido e continua sendo um instrumento necessário no Iraque, e eu aceitei a oportunidade de reunir-me com o Primeiro-Ministro Abadi, separadamente, às margens da reunião do Comitê de Coordenação Conjunta. Sob a liderança do primeiro-ministro, o EI recuou. Nas palavras do Presidente Trump, “o fim do califado do EI está à vista”. Com o apoio da coalizão, as Forças de Segurança do Iraque já liberaram, com sucesso, mais de 90 por cento do território que o EI dominava no Iraque, permitindo que mais de 2 milhões de iraquianos retornassem para suas casas, e hoje, os iraquianos estão reconstruindo suas comunidades.  Mais de 360 projetos de estabilização, liderados pelo Iraque, implementados pela ONU e financiados pela coalizão estão em andamento e prosseguirão.

Sabemos que essas vitórias no campo de batalha não são suficientes para a criação de um Iraque estável e próspero, assim, continuamos a buscar maior apoio internacional para fomentar a economia iraquiana e reforçar os esforços contínuos de assistência humanitária e estabilização. Estamos felizes de testemunhar a expansão das conexões entre o Iraque e seus vizinhos, conforme a reunião do Conselho de Coordenação demonstra claramente.

As tensões que se desenrolaram na região norte do Iraque, durante o último mês, são preocupantes. Os EUA são amigos de todos os iraquianos, incluindo nossos amigos em Bagdá e nossos amigos na região curda. Nos desaponta o fato das partes não terem ainda chegado a uma solução totalmente pacífica, sobre as tensões recentes.

Depois da minha reunião com o Primeiro-Ministro Abadi, eu tive uma conversa telefônica muito longa com o Presidente do Curdistão, Barzani. Os EUA estão preparados para dar assistência a Bagdá e Erbil, para planejar o curso de ação em apoio a um Iraque unificado, federal e democrático, por meio de recursos políticos pacíficos. Eu conclamei os dois lados para que evitem qualquer conflito entre o Iraque e as forças peshemergas, e encorajei o Primeiro-Ministro Abadi a oferecer uma abertura para que Erbil integre as discussões sobre a constituição iraquiana.

O restante da viagem ficou concentrado no Sul da Ásia, e na nova estratégia do Presidente para a região e para o futuro do Afeganistão. Conforme o Presidente Trump deixou claro, alcançar a paz, estabilidade e prosperidade no Afeganistão exige o envolvimento de parceiros regionais – do Paquistão e da Índia acima de tudo. Nosso objetivo é trabalhar com nossos parceiros regionais para dizimar os refúgios para terroristas no Afeganistão e Paquistão, para que assim o Sul da Ásia possa ingressar num período de paz e prosperidade. O caminho para um Afeganistão estável, soberano, unificado e democrático, exige que o governo do Afeganistão prossiga no seu compromisso de reforma. O Presidente Ghani me garantiu que ele e o seu governo estão trabalhando nessas reformas, especialmente nos esforços contra corrupção, para alcançar o verdadeiro progresso para o povo afegão.

O Paquistão é um parceiro essencial para a estabilidade da região. Temos uma longa história de parceria positiva com o Paquistão, mas, o Paquistão precisa fazer mais para erradicação dos militantes e dos terroristas que atuam dentro do país. O povo do Paquistão tem muito a se beneficiar de um Afeganistão estável, pacífico, e de uma região que não proporciona refúgio a terroristas. Portanto, essa foi minha mensagem principal para o Primeiro-Ministro Abasi, o Chefe de Estado Maior do Exército Bajwa, e a liderança paquistanesa.

Na Índia, continuei a compartir nossa mensagem sobre a estratégia do Presidente para a Ásia do Sul, e o papel da Índia. Somos gratos pelas contribuições generosas da Índia para o desenvolvimento do Afeganistão, e esperamos ver um maior envolvimento entre eles. Conforme delineado em Washington, na semana passada, nós trabalharemos para fazer da Parceria Estratégica EUA-Índia uma base para a expansão da paz, estabilidade e crescimento da região Indo-Pacífica. Apoiamos o avanço responsável da Índia, e desejamos encontrar novos meios de nos aliarmos a eles, e outros países com a mesma linha de pensamento na Ásia. Tive uma discussão muito abrangente sobre relações de economia e segurança com o Primeiro-Ministro Modi, o Conselheiro de Segurança Nacional Doval, e a Ministra das Relações Exteriores Swaraj. É essencial que nossas duas democracias trabalhem juntas na abordagem dos desafios enfrentados pelas nossas populações.

Poucos minutos atrás, eu completei uma discussão frutífera com o Enviado Especial da ONU, de Mistura, sobre os acontecimentos atuais na Síria. Com o EI quase derrotado, prosseguimos nossos esforços para atenuar a violência na Síria, e para apoiar o processo de Genebra definido na Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU, para permitir que o povo sírio busque um novo curso político. Como já afirmamos muitas vezes, os Estados Unidos desejam uma Síria inteira e unificada, sem espaço para Bashar al-Assad no governo.

Os EUA continuam compromissados em propiciar liderança em todas as regiões do mundo. E conforme lideramos, continuaremos a solicitar mais dos demais, que assumam suas funções responsabilidades também, para que finalmente eles possam sustentar seu próprio povo e defender sua própria soberania. Conforme fazemos isso, nós forneceremos mais segurança e prosperidade para todo o povo Americano.

MODERADOR:  Obrigado. Para as perguntas, começaremos com Nick e prosseguiremos ao redor da mesa.

PERGUNTA:  A declaração sobre Assad parece diferir, mas – daquilo que o Sr. falou, na Turquia esse verão – ou seja, um pedido claro para que ele saia. Isso refletiria uma mudança de posição de onde estávamos – o Sr. havia indicado que isso seria decidido pelos próprios sírios.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, essa é a nossa posição que – e eu repeti isso muitas vezes também – que nós não acreditamos em um futuro para o regime de Assad, para sua família. Creio que eu disse isso em várias ocasiões. O reinado da família Assad está chegando ao seu final, e o último problema é como isso deverá acontecer. Nós acreditamos que isso pode ser feito como parte da implementação da Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU que, como você sabe, prevê um procedimento muito específico prescrito para eleições e para o desenvolvimento de uma nova constituição.

Creio que, a única coisa que mudou foi quando esta Administração entrou em poder, nós tomamos a posição de que a saída de Assad não é um pré-requisito para o início do processo, ao invés disso o mecanismo, pelo qual Assad é deposto, provavelmente emergirá desse processo.

PERGUNTA:  Eu ouvi diplomatas europeus descreverem a Síria como uma vitória do Irã, porque o Irã tem sido essencial para o governo Assad. Como o Sr. garante que esse não é o caso? E o Sr. conseguiu alguma garantia de Mistura, enquanto ele… existe algum cronograma para essas negociações começarem?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Não, eu não vejo a Síria como uma vitória do Irã. Eu vejo o Irã como um parasita. Especialmente, o Irã não tem tido sucesso na liberação de regiões.  O governo Russo, tem tido sucesso ao fornecer apoio aéreo significante para as forças do regime sírio. Eles obtiverem suas vitórias. Nós tivemos nossas vitórias, vitórias enormes com as nossas forças de coalizão. Portanto, não creio que o Irã mereça crédito pela derrota do EI, de forma alguma, na Síria. Antes, creio que de alguma forma eles tiraram vantagem da situação com sua presença na região.

Quanto à futura influência do Irã na Síria, repito, eu creio que isso se definirá finalmente com a implementação da Resolução 2254 do Conselho de Segurança da ONU, por meio da nova constituição, eleições e outras coisas.

PERGUNTA:  Sr., falando sobre sua reunião com os paquistaneses. A agência oficial de notícias deles falou sobre como os EUA apresentaram a eles uma lista de 75 terroristas que os paquistaneses dizem serem… que nenhum deles é paquistanês, que o líder do Lashkar-e Tayyiba não está na lista, e que eles entregaram ao Sr. uma lista de 100 terroristas, que eles gostariam que fossem buscados pelos EUA. O Sr. poderia falar especificamente sobre o que foi apresentado para eles, durante sua conversa com eles noutro dia?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, creio que o que você acaba de descrever foi uma troca de informação muito saudável sobre os terroristas, sendo isso o que realmente queremos alcançar no Paquistão. Nós apresentamos a eles perguntas específicas, além de apenas nomes de indivíduos. Apresentamos a eles tarefas específicas. Mas, também solicitamos deles mais troca de informação. Assim, esperamos receber deles informações que nos serão úteis.

E a localização específica, em um dado dia, onde se encontram certos indivíduos ou onde certas células se encontram – eles se movimentam. Como você sabe, a fronteira Paquistão-Afeganistão é bastante porosa; na verdade, ela não está bem definida. Então, nós estamos menos interessados sobre se eles estão no território paquistanês ou afegão, ou… porque estamos obtendo informações para que possamos eliminá-los.

PERGUNTA:  Vou permanecer no tópico Paquistão. A reação que estamos ouvindo hoje do Paquistão é que a sua visita não correu satisfatoriamente, que existe a impressão de que o Sr. estaria censurando Islamabad, desde Deli e de Cabul. Gostaria de perguntar se o Sr. acredita… o quê, na prática, acredita ter realizado e o que não teria realizado sem sua presença na região.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, eu não descreveria minhas discussões com eles como censura, de modo algum. Foi um intercâmbio muito bom e aberto. Na verdade, nós provavelmente escutamos 80 por cento, e falamos 20 por cento do tempo. E foi importante para mim, pois eu não havia engajado a liderança paquistanesa anteriormente. Portanto, meu objetivo era escutar muito, para ouvir a perspectiva deles.

Nós apresentamos nossas perspectivas. Nós apresentamos nossas expectativas em termos bem claros. Houve um engajamento significante antes da minha visita, e ocorrerão mais engajamentos no futuro, conforme trabalhamos no modo como desejamos, como eu disse, trocar informações e alcançar o objetivo de eliminação dessas organizações terroristas, onde quer que se encontrem. Nós… fomos muito francos e sinceros. Tivemos uma reunião conjunta com o Primeiro-Ministro Abbasi e a equipe de liderança completa. Depois, tivemos uma segunda reunião com o General do Exército Bajwa e alguns de seus conselheiros mais próximos, para que pudéssemos ter uma discussão mais abrangente sobre algumas coisas específicas.

Mas, acredito ter sido uma troca muito aberta, franca e sincera, e seu… não há nada a ser alcançado através da censura, mas, temos que ser muito claros sobre nossas expectativas e aquilo que estamos pedindo. As pessoas, ou atenderão a essas expectativas, ou não. Nós seguiremos nosso curso consistentemente com aquilo que o Paquistão realmente faça, e não em relação ao que eles apenas dizem que farão.

PERGUNTA:  Eu poderia…estou curioso sobre as primeiras duas, as primeiras três… as várias paradas, mas, em relação à reaproximação da Arábia Saudita com o Iraque. Creio que está bem claro que desde quase… muito cedo, fevereiro ou março, que houve um progresso significante ou… na tentativa de aproximação dos dois países. Mas, eu apenas imagino quão esperançosos ou o quanto é realístico que eles –Riyadh e Bagdá – se aproximem de uma forma que, de fato, alcance o propósito, não apenas da reconstrução do Iraque, mas, também embotando a influência do Irã, quando apenas uns dias depois da sua reunião em Riyadh e sua visita a Bagdá, Abadi está em Teerã.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, creio…e creio que o Primeiro-Ministro, na verdade, comentou – ou pelo menos eu li alguns comentários que ele fez sobre isso – sobre a visita ao Irã. Penso que devemos ser realistas e entender que o Iraque possui uma fronteira muito longa com o Irã. Existem longas… não apenas décadas, séculos de longas relações entre o Irã e o Iraque, e nós não vamos eliminar todos os contatos entre os dois países. Existem contatos legítimos que devem continuar – econômicos, de comércio e coisas do tipo. O que estamos dizendo ao Iraque é, “você precisa desenvolver a capacidade de estar em pé por si mesmo, e de resistir àquela influência”. E a forma como podemos ajudar o Iraque a fazer isso é assegurar que o povo iraquiano entenda, pois houve – e eu creio que o Ministro das Relações Exteriores, Jubeir mencionou isso em conferência da imprensa que ele participou em Riyadh – houve um isolamento de mais de três décadas entre o Iraque e os países do GCC – e ele explicou o porquê.

Mas, historicamente, ao longo dos séculos, aqueles ainda são seus irmãos tribais no Iraque. Eles são todos um mesmo povo. Os iraquianos são árabes. Os iraquianos não são persas. Portanto, seja um iraquiano-sunita, ou um iraquiano-xiita, são iraquianos-xiitas árabes. Eles não são persas. E uma das… eu creio que as coisas que os sauditas têm interesse em alcançar é uma religação com seus irmãos tribais de longa data. Quando tivemos as discussões prévias em fevereiro, e eu participei de uma das minhas primeiras reuniões com o Ministro das Relações Exteriores Jubeir em Hamburgo, falamos sobre a importância de… que isso é uma oportunidade para o Reino da Arábia Saudita: tomar a liderança e reconectar com seus irmãos árabes no Iraque.

E bravamente – se você se lembra – ele bravamente, no início de março, fez a primeira aproximação, indo a Bagdá e fez a primeira visita. Isso então resultou que nós encorajamos o Primeiro-Ministro Abadi a vir até a Arábia Saudita em reciprocidade. Isso começou a abrir portas. Assim, nós trabalhamos arduamente para facilitar e encorajar isso. Eles farão isso por si mesmos. Estivemos lá para encorajar e, até onde pudemos, para facilitar essa abertura. Houve um grande progresso em um período curto de tempo. O Reino está bastante compromissado com isso. Em minhas reuniões com o Príncipe, ele se mostrou muito compromissado com essa reaproximação. Os kuaitianos prometeram que haverá uma conferência conjunta sobre reconstrução, com a participação dos iraquianos no próximo ano, no início do próximo ano no Kuwait.

Então, eu creio seja… é importante auxiliar o Iraque, repito, a ficar em pé por si mesmo, para que ele não tenha que olhar apenas para o leste. Ele tem parceiros importantes, parceiros na segurança, mas, mais importante que isso, parceiros econômicos ao sul. Penso que é assim que nós fortaleceremos o Iraque como um país independente, e então ele poderá tomar suas próprias decisões.

PERGUNTA:  Posso voltar ao Paquistão por um momento? Seria correto dizer que a mensagem que o Sr. recebeu do Paquistão foi “não seremos coagidos”, que eles transmitiram uma mensagem de desafio na cara dos EUA que tentava pressioná-los? E… está é uma pergunta. A segunda pergunta é: eles reagiram de alguma forma à estratégia dos EUA de aprofundamento das relações com a Índia?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, em resposta à sua primeira pergunta, isso seria uma completa descaracterização da reunião.

PERGUNTA:  Ok, Ok.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Foi uma conversação bastante aberta, franca, sincera que começou com a evocação da história entre os EUA e o Paquistão, que têm sido uma história amplamente positiva. Tivemos a deterioração dessa relação durante os últimos dez anos, mas, antes disso, tivemos relações muito fortes com o Paquistão. Durante a Guerra Fria até o fim desta, a fase posterior ao 11 de setembro (9/11), eles foram grandes parceiros nos anos posteriores ao 9/11, em termos de nos auxiliarem a deter vários indivíduos que estavam envolvidos nos ataques de 9/11.

Portanto, o que ocorreu, ocorreu em anos mais recentes, e creio, o que foi importante para mim, que reconectemos e recordemos que isso não foi sempre assim. Portanto, não houve censura para eles, e não houve censura deles em relação a mim. Vejo isso como uma relação de respeito. Apresentamos vários pedidos legítimos, algumas preocupações muito legítimas para cuja abordagem necessitamos da ajuda deles. Eu disse a eles, “vocês podem fazer isso, ou decidir não o fazer. Se decidirem que não querem fazer isso, apenas nos informem. Nós ajustaremos os nossos planos de acordo, e cuidaremos disso por nós mesmos”.

E isso não é… não foi uma ameaça, é apenas um fato. Temos que lidar com as condições de campo. E, como você sabe, a estratégia do Sul da Ásia como um todo é uma estratégia baseada em condições, portanto a mesma mensagem para o Paquistão foi: “Aqui está o que precisamos que o Paquistão faça. Estamos pedindo que façam isso; não estamos exigindo nada. Vocês são um país soberano. Vocês decidirão o que querem fazer, mas compreendam que isso é o que nós consideramos necessário. E, se vocês não quiserem fazer isso, ou acreditarem que não possam fazer isso, nós ajustaremos nossas táticas e nossas estratégias para alcançar o mesmo objetivo por um meio diferente”.

PERGUNTA:  E qual foi a resposta deles?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Penso que compartimos as mesmas preocupações sobre a presença do terrorismo. Eles são… têm sido vítimas do terrorismo. Os próprios paquistaneses sofreram perdas significativas no combate ao terrorismo. Minha conversa com eles foi sobre o que pensamos ser importante para a estabilidade futura do Paquistão. E, sim, o que eles podem fazer terá um impacto importante na criação das condições para discussões de reconciliação e paz no Afeganistão, mas isso não envolve apenas o Afeganistão. Isso envolve a nossa preocupação pela estabilidade em longo termo do Paquistão, também.

MODERADOR:  Gardiner.

PERGUNTA:  E a questão da Índia… e a questão da Índia, se isso veio à tona, sobre o aprofundamento da relação com a Índia.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Não houve muita discussão sobre isso, a não ser o fato deles claramente terem suas diferenças com a Índia. Eu fiz a seguinte observação para eles, “vocês possuem duas fronteiras bastante problemáticas. Uma com o Afeganistão, e uma com a Índia”, e que nós estamos dispostos a ajudar nas duas fronteiras, e que não estamos aqui apenas para falar sobre a situação da fronteira com o Afeganistão. Estamos aqui também para falar sobre como podemos diminuir as tensões na fronteira com a Índia, e que também existem preocupações legítimas dos dois lados daquela fronteira.

PERGUNTA:  Sr., como sabe, o seu poder está na impressão que passa da sua representação do Presidente. Existem dúvidas significativas, entre os diplomatas com os quais conversamos, nos países visitados, sobre se o Sr. seria um claro representante do Presidente. Eles estão preocupados com o que veem como sendo um caos em Washington. Como o Sr. responderia a isso, e como o Sr. assegura aos seus interlocutores que está, de fato, falando pelo Presidente dos EUA?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, eu revisei essa viagem com o Presidente antes da minha partida. Para cada parada eu disse a ele, aqui estão os lugares onde vou, aqui está o plano, assumindo que eu poderia acessar certos lugares, aqui está o objetivo, aqui está o que estou tentando alcançar, para qualquer orientação que ele quisesse me dar antes da partida. Assim… e essa é a maneira normal da minha atividade quando eu saio na estrada, ou seja, sentamos e conversamos antes da partida, e eu falei com ele na sexta-feira antes de me direcionar ao Andrews. Portanto, se alguma coisa surge durante o caminho, obviamente, podemos conversar sobre isso.

Até agora durante essa semana, também sei que ele tem recebido informativos por escrito de todas as minhas reuniões. Nada novo surgiu, pois, as reuniões aconteceram de acordo com o esperado até esse ponto, nenhuma grande surpresa. Portanto, eu estou lá implementando a política externa que foi adotada pelo Presidente no… por meio do processo interagências do Conselho Nacional de Segurança. Nós desenvolvemos a política, o Presidente aprova, e então depende de mim. Minha responsabilidade é ir para fora e executar a política. Assim, essa viagem foi orientada na execução da política do Sul da Ásia, execução da recente política do Sul da Ásia livre e aberto.

MODERADOR:  Ok.  Felicia.

PERGUNTA:  Sobre isso, como foi a recepção no geral? esta nova política, as pessoas entenderam a política? Aquela… as pessoas estão agora dizendo que o EI está em declínio, não há uma política abrangente dos EUA, então estaríamos de certa forma de volta ao início.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Para qual – para qual?

PERGUNTA:  No Afeganistão e… primeiramente, o Afeganistão, está…

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, não. Creio que a política do Sul da Ásia, que envolve o Afeganistão, Paquistão, Índia e, conforme você se lembra, quando ela foi divulgada e descrita, fomos muito claros com as pessoas, que ela não envolve apenas o Afeganistão. Que de fato, quando observamos as decisões, envolvendo políticas, que foram tomadas em relação ao Afeganistão, conforme eu as estudava e nós começamos a formular a essência desta política, a estrutura que então nos mostramos por meio da interagência, minha observação foi que havíamos sempre olhado para o Afeganistão de forma isolada, e havíamos tentado resolver o Afeganistão dentro do Afeganistão. E que isso para mim não fez sentido.

Assim, nós… conforme começamos a pensar sobre isso no Departamento de Estado, nós ampliamos nossa perspectiva e dissemos, bem, o que mais está afetando esta região? E é claro, o Paquistão entrou na ocular, imediatamente, mas, então de repente, percebemos que a Índia tinha uma influência. E de fato, existe a influência da Ásia Central com os países do C5, e nós já fizemos reuniões com eles em Nova York, às margens da Assembleia Geral da ONU, para dar início às conversações sobre o Afeganistão com eles. Você abre mais a ocular, e a China desempenha um papel aí.

Portanto, o que fizemos em realidade foi expandir os elementos que podem levar ao sucesso no Afeganistão, e criamos políticas e estratégias incorporando aquilo que outros podem fazer. Talvez seja apenas uma peça nisso, mas essa peça pode ser essencial para finalmente se alcançar o sucesso. Assim, temos explicado a cada um que seu papel, e a resposta que recebemos na região foi grandemente positiva em relação à estratégia do Sul da Ásia. As pessoas disseram que esta era a primeira vez que estavam vendo uma estratégia. Penso que muitos disseram, sim, temos participado em uma guerra de 16 anos no Afeganistão; enquanto estávamos em guerra, foram 16 anos de estratégias. Nunca houve nada em mente sobre como por um fim a isso. Nós apresentamos uma abordagem bastante abrangente, que estabelece um procedimento por meio do qual acreditamos poderemos alcançar isso. Agora temos que executá-lo.

PERGUNTA:  Quando o Sr. diz, “sobre por um fim a isso”, quanto as exigências baseadas em condições… ou seja, há um cronograma para isso?  Estratégia baseada em condições, poderia significar outros 16 anos, não poderia?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Não, não serão outros 16 anos. O Presidente foi claro, não se trata de tempo ilimitado, não é um cheque em brando e não é… que vamos dizer, “essa é a data”. Seria um erro, que todos cometeram no passado. Assim é que… é assim que você acaba com estratégias de 16 anos. Esta é baseada em condições.

Como eu disse, nós estabelecemos os papeis e as responsabilidades específicas para os atores regionais, e eles precisam agir como parte da solução. Tudo foi criado em torno das condições nas quais o Talibã e a sua liderança, ou seja, que eles tenham a vontade de dizer, “basta, passou do limite”. Isso nós deixamos claro para o Talibã: você nunca alcançara a vitória militar. Esta é a discussão que temos tido com eles pelos canais secundários, e por meio do escritório em Doha: vocês querem os seus filhos e os seus netos lutando nessa mesma guerra? Pois assim será, caso vocês não encontrem um caminho diferente pela frente.

O governo afegão tem a responsabilidade específica de criar as condições que convidam o Talibã para a mesa redonda. Conforme eu falei em meus comentários, creio que, no Afeganistão, existe um papel a ser desempenhado pelo Talibã no governo. Por favor venham. Por favor venham e assumam o seu papel, mas, vocês devem vir sob a condição de renunciar ao terrorismo, vocês precisam renunciar ao extremismo violento, e vocês jamais atuaram dessa forma outra vez. Portanto, existe uma estratégia bastante específica e isso nunca existiu antes

PERGUNTA:  Poderia dizer…

PERGUNTA:  O Sr. poderia dizer algo sobre a Coreia do Norte? Eles têm ameaçado explodir aquela bomba sobre o Pacífico, outra vez.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Sim, eu ouvi sobre as ameaças. (Risadas.) Ouvi as ameaças.

PERGUNTA:  Apenas rapidamente, brevemente, no seu discurso – o discurso no Centro Internacional de Estudos Estratégicos (CSIS) – o Sr. falou sobre âncoras, a região indo-paquistanesa e as quatro âncoras – EUA, Austrália, Japão e Índia.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Japão… sim.

PERGUNTA:  Estou apenas imaginando… então os indianos são os primeiros a ouvirem isso, eu acho, diretamente do Sr. após o discurso. Eles estariam excitados a respeito disso? Eu assumo que estão, mas, apenas gostaria de… ou eles…

SECRETÁRIO TILLERSON:  Sim, mas isso é…

PERGUNTA:  Estariam um pouco nervosos sobre…

SECRETÁRIO TILLERSON:  Sim. Mas, eu seria o primeiro a reconhecer que também é uma abordagem nova, e eu creio que tivemos… os EUA têm tido relações positivas com a Índia por 70 anos, mas ela nunca passou para um nível mais alto, e acredito que já passou da hora, para os dois lados. De tempos em tempos, o outro lado tem recuado na relação, por suas próprias razões. O que estamos tentando estabelecer é que isso precisa ser movido para um nível diferente e precisa ser substanciado, como eu disse, para os próximos 100 anos.

Nós temos uma consulta trilateral com o Japão, Índia e os EUA, e na verdade, muito disso… demos início às conversações prévias, tocando levemente naquilo que seria, na última trilateral, apenas para sentir as reações. Creio que o Japão já compreendeu, provavelmente, melhor que qualquer um, e nós conversamos com os australianos sobre a sua participação também. Cada um deve decidir o que seria o certo a fazer. Assim, nós estamos… esta é a primeira semana…

PERGUNTA:  Correto.

SECRETÁRIO TILLERSON:  … na execução desta.

PERGUNTA:  Sobre a Coreia do Norte, estaria…

MODERADOR:  Precisamos ir, pessoal, obrigado.

PERGUNTA:  Obrigado.

PERGUNTA:  A Índia negou o pedido dos EUA, de fechar a Embaixada da Coreia do Norte na Índia? Acabo de ler os comentários da ministra das Relações Exteriores.

MODERADOR:  Provavelmente seria melhor perguntar a eles.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Sim, creio que eles indicaram que a embaixada possui valor como um conduíte para comunicações.

PERGUNTA:  E o Sr. concorda?

PERGUNTA:  Isso seria então…

SECRETÁRIO TILLERSON:  Poderia. Pode ser.  (Risadas.)


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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