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Secretário de Estado Rex Tillerson, ministra das Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, ministro do Exterior da Coreia do Sul, Kang Kyung-wha, ministro do Exterior do Japão Taro Kono, e secretário do Exterior do Reino Unido, Boris Johnson na reunião de ministros do Exterior em Vancouver sobre segurança e estabilidade na Península da Coreia

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Departamento de Estado dos Estados Unidos
Gabinete da Porta-voz
Para divulgação imediata
Pronunciamentos
16 de janeiro de 2018
Centro de Convenções de Vancouver
Vancouver, Canadá

 

 
MINISTRA DAS RELAÇÕES EXTERIORES FREELAND: Para que todos tomem conhecimento sobre o que faremos aqui, serão feitos alguns pronunciamentos breves de abertura – com autorização para participação da imprensa – meu, de Rex, do ministro Kono, do ministro Kang e de Boris. Então, nos despediremos dos colegas jornalistas. Para mim e para Boris isso é especialmente triste, pois costumávamos fazer parte da imprensa. A partir daí, daremos seguimento às nossas deliberações.

MINISTRA DAS RELAÇÕES EXTERIORES FREELAND: Portanto, Vossas Excelências, colegas, senhoras e senhores, agradecemos a sua presença aqui em Vancouver. Gostaria de iniciar reconhecendo que a terra sobre a qual nos reunimos hoje é um território não cedido pelo povo Salish da Costa, incluindo os territórios das nações Musqueam, Squamish e Tsleil-Waututh, conforme Deanna* nos lembrou.

A crise nuclear da Coreia do Norte é a maior ameaça que enfrentamos atualmente, sendo ela a razão da nossa reunião aqui em Vancouver. Permitam-me oferecer boas vindas especiais ao ministro Kang, da República da Coreia, e ao ministro Kono do Japão. As populações dos seus países são as mais diretamente afetadas pela instabilidade na Península da Coreia.
Também gostaria de dar as boas vindas ao Secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, meu amigo. Muito grata, Rex. Estamos sinceramente honrados pela coordenação conjunta dessas discussões com nossos vizinhos americanos.

(Em francês.)

O Canadá está determinado a trabalhar pela paz e segurança da Ásia-Pacífico, para fortalecer a ordem internacional legal que preserva a paz e a segurança para todos nós. Os elos entre os canadenses e os coreanos foram forjados tanto em tempos de conflito, como de paz por mais de um século. Na verdade, mais de 206 mil coreanos ou descendentes de coreanos vivem hoje no Canadá. A nossa diáspora é uma das maiores comunidades coreanas do mundo e, de fato, sinto-me orgulhosa pois muitos desses coreano-canadenses vivem no distrito federal eleitoral que eu tenho a honra de representar, University-Rosedale em Toronto, onde está localizada a Koreatown de Toronto.

Esses elos apenas aumentam o nosso firme desejo de evitar um conflito devastador na península. Nós recebemos, com satisfação, o acordo da semana passada feito entre a Coreia do Norte e do Sul com o objetivo de manterem discussões de entre forças militares, e para a participação da Coreia do Norte nas Olimpíadas de Inverno no próximo mês. Esses não sinais encorajadores.

Mas, permitam-me esclarecer: não haverá progresso verdadeiro, na abordagem da instabilidade na Península da Coreia, enquanto a Coreia do Norte não se comprometer em mudar de curso e abandonar, de forma verificável e irreversível, todas as suas armas de destruição em massa. Como todos vocês, nós no Canadá entendemos que nesses momentos extraordinários é essencial que nos unamos como vizinhos, amigos, parceiros e aliados para confrontar as ameaças de agressão. Em nenhum outro lugar do mundo vemos a proliferação de armas e materiais de destruição em massa na escala vista no programa da Coreia do Norte. Não podemos ignorar e permitir que a ameaça persista. A proteção e segurança de todos os povos do mundo estão em perigo.

Por isso, nos reunimos aqui para trabalhar em conjunto pela paz na Península da Coreia e para mostrar nossa união e determinação. Como comunidade mundial, nós mostramos tanto em palavras como em atos, que não aceitaremos a Coreia do Norte como ameaça nuclear para o mundo. Com esse objetivo, o Conselho de Segurança da ONU impôs sanções contra a Coreia do Norte. As 20 nações que se encontram aqui, em Vancouver, devem certificar-se de que essas medidas sejam implantadas fiel e completamente, e devemos utilizar esta reunião – e tenho certeza que o faremos – para reforçar sua eficácia.

Entretanto, as sanções não são um objetivo por si mesmas. Elas são ferramentas importantes da diplomacia, que visam trazer a Coreia do Norte para a mesa de negociações e estabelecer o caminho diplomático para a paz que todos nós buscamos. Nossa mensagem para o povo norte-coreano é muito clara: apesar das dificuldades brutais que vocês enfrentam, nós sabemos que a ameaça maior é o regime da Coreia do Norte.

A nossa mensagem para a liderança da Coreia do Norte também é clara: a busca da nuclearização não lhe trará segurança, nem prosperidade. O investimento em armas nucleares trará apenas mais sanções e perpetuará a instabilidade na península.

Os países que estão representados nessa reunião não demonstram hostilidade contra a Coreia do Norte. Pelo contrário, não buscamos nem a mudança do regime, nem seu colapso. Estamos trabalhando para resolver essa crise e estamos buscando aquilo que representa nosso melhor interesse: segurança e estabilidade na Península da Coreia e em todo o mundo. Reconhecemos uma verdade: uma decisão do regime da Coreia do Norte de abandonar todas as suas armas de destruição em massa, de forma verificável, contribuirá para a segurança e desenvolvimento econômico da Coreia do Norte, trazendo um futuro melhor, mais brilhante e mais próspero para o povo norte-coreano. Depende da Coreia do Norte escolher o futuro que ela quer para si.

Conforme disse Lester B. Pearson, que foi um grande ministro do Exterior e primeiro-ministro do Canadá, quando ele aceitou o Prêmio Nobel da Paz há 60 anos, “de todos os nossos sonhos atuais, não há nenhum mais importante ou tão difícil de realizar do que a paz mundial. Que jamais percamos nossa fé nele, nem nossa determinação de fazer tudo o que pode ser feito para um dia convertê-lo em realidade”.

Apesar dos imensos desafios que o mundo enfrenta atualmente, que jamais percamos a perspectiva desse sonho, e que nos esforcemos para fazer tudo o que pudermos hoje nessas reuniões para sermos merecedores das palavras de Pearson. Obrigada. E, mais uma vez, colegas sejam benvindos. Estou ansiosa por nossas conversações.

Ok, e agora eu passo a palavra para Rex. Por favor.

SECRETÁRIO TILLERSON: Bem, primeiramente, permitam-me agradecer à ministra das Relações Exteriores, Freeland, por ter concordado em coordenar conjuntamente esse evento, e também agradeço ao Canadá por nos permitir essa reunião em Vancouver. O problema de segurança com a Coreia do Norte é apenas um, em relação aos qual os Estados Unidos sabem que podem confiar no nosso vizinho e amigo, Canadá, para um alinhamento estrito. Também gostaria de reconhecer o ministro do Exterior Kang, o ministro do Exterior da República da Coreia, Kono, e também agradecer por se reunirem conosco. Como aliados, suas nações têm estado no centro da campanha de máxima pressão contra a Coreia do Norte, e a nossa coordenação harmônica com eles continuará. Os Estados Unidos oferecem sua estima para todas as nações que se encontram aqui, por seus esforços na campanha de pressão até agora.

Esta assembleia de países, que representa os países enviados originalmente do Comando da ONU, estão todos representados por ministros do Exterior e diplomatas. Essas são as nações que, há quase 60 anos, responderam ao chamado para lutar pela liberdade na Península da Coreia, para garantir que a liberdade fosse preservada na Península da Coreia, e que por meio de grande sacrifício garantiram a liberdade da Península da Coreia, para o povo da República da Coreia. E, embora aquele conflito tenha permanecido congelado no tempo com o armistício, todas aquelas nações jamais perderam o interesse em garantir que a liberdade seja mantida na península.

E eu acredito, conforme ressaltou tão bem o Presidente Trump em seu pronunciamento para a Assembleia Geral da República da Coreia em novembro, que as diferenças entre a liberdade e a democracia para o povo da República da Coreia são gritantes, quando comparadas às condições de vida do povo que vive sob a tirania do regime da Coreia do Norte. E, é apenas uma ameaça dessa natureza, uma ameaça séria com armas nucleares, que uniria àqueles que antes foram inimigos – os países enviados com a China – com o objetivo comum de desnuclearização da Península da Coreia. E os países enviados se mantém lado-a-lado com a China, com a República da Coreia, com o Japão, com a Rússia e, agora, se une com toda a comunidade internacional para dizer para a Coreia do Norte que não podemos e não aceitaremos vocês como uma potência nuclear.

Já passou quase um ano desde que os Estados Unidos, em conjunto com nossos aliados e parceiros, iniciaram a campanha global para maximizar a pressão contra a Coreia do Norte. Como foi no início, o objetivo maior da campanha de pressão é cortar as fontes de financiamento que a Coreia do Norte utiliza para financiar seus programas ilegais, nuclear e de misseis balísticos. Além disso, precisamos aumentar a cobrança pelo comportamento do regime, até um ponto que obrigue a Coreia do Norte a vir até a mesa para negociações credíveis.

O objetivo das negociações, se e quando chegarmos a esse ponto, é a desnuclearização completa, verificável e irreversível da Coreia do Norte. Todas as nações reunidas aqui hoje estão unidas por esse objetivo. Permitam-me esclarecer: não permitiremos que a Coreia do Norte destrua a nossa decisão, nem a nossa solidariedade. Rejeitamos a abordagem “free-for-free”, segundo a qual os exercícios militares de defesa são colocados no mesmo nível de equivalência com as ações ilegais da Coreia do Norte.

A campanha de pressão continuará até que a Coreia do Norte tome medidas decisivas para desnuclearização. Essa é uma estratégia que exige paciência, mas, graças ao apoio de todos que estão nessa mesa e ao redor do mundo, o regime já está enfrentando custos difíceis de suportar. O objetivo das nossas reuniões de hoje é melhorar a eficácia da campanha de pressão máxima e combater as tentativas da Coreia do Norte de evadir as sanções. Os Estados Unidos estão ansiosos em ouvir de todos os participantes [ideias sobre] a melhor forma de fazer isso.
Hoje, os Estados Unidos sentem-se encorajados pelas medidas já tomadas pelas nações ao redor do mundo. Em 2017, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade três resoluções, impondo as mais pesadas sanções contra a Coreia do Norte. E as nações ao redor do mundo tomaram suas próprias medidas unilaterais, como a expulsão de trabalhadores norte-coreanos, o fechamento de embaixadas norte-coreanas, e banindo a importação de bens norte-coreanos. Os Estados Unidos reconhecem essas nações por tomarem essas medidas.

Tal progresso é encorajador, mas não podemos ser complacentes. O regime de Kim Jong-un continua a ameaçar a paz e a segurança internacionais por meio de testes ilegais nucleares e de mísseis balísticos. Peço a vocês que observem o mapa atrás de mim, para evidenciar o fato da equivalência militar – exercícios militares de defesa e os testes irresponsáveis deles. O mapa é um snapchat do tráfego aéreo na Ásia, na manhã de sexta-feira, 12 de janeiro – um dia bastante comum. Cada ícone de avião representa um avião que sobrevoa a região e, como vocês podem ver, existe uma grande atividade aérea, diariamente.

A possibilidade de um míssil norte-coreano, ou partes de um míssil, afetar uma aeronave civil é real. No dia 28 de novembro, indivíduos que voavam de São Francisco para Hong Kong testemunharam, com seus próprios olhos, partes do teste de um ICBM norte-coreano voando pelo céu. Segundo a Administração Federal da Aviação, a aeronave estava a 280 milhas náuticas do ponto de impacto e, ao mesmo tempo, havia outras nove aeronaves voando dentro do campo de alcance. Durante aquele dia, segundo o Departamento de Defesa, estima-se que outras 716 aeronaves passariam dentro do campo de alcance. A FAA disse que o número de assentos disponíveis, naqueles 716 voos, eram 152.110. São muitas pessoas de vários países que estão sendo colocadas em risco por um irresponsável que está testando mísseis balísticos.

O que eu quero dizer: a disposição da Coreia do Norte para lançar mísseis a qualquer tempo representa uma ameaça para pessoas de todas as nacionalidades, no espaço aéreo da região, todos os dias. Com base na irresponsabilidade anterior, não podemos esperar que a Coreia do Norte tenha nenhuma consideração pelo que pode estar no caminho de um de seus mísseis, ou de partes que se soltam deles. Isso sem contar com os possíveis erros tecnológicos associados com o lançamento que poderiam resultar em desastre.

Claro que essa não é a única ameaça, ou mais provável ameaça, representada pelos mísseis da Coreia do Norte. No ano passado, a Coreia do Norte lançou mísseis sobre o Japão duas vezes, que poderiam ter caído em centros populacionais. A ameaça norte-coreana possui muitas dimensões, e todas elas devem ser combatidas. O regime tem demonstrado sua irresponsabilidade entre as nações do mundo. Considerando suas ações, podemos ver agora o que a Coreia do Norte poderá, muito bem, fazer no futuro, caso obtenha capacidade total para lançar mísseis e material nuclear.
Quando consideramos que a Coreia do Norte ameaçou atacar alvos civis, que Oslo está mais perto de Pyongyang que Seattle, que Londres está mais perto da Coreia do Norte que Los Angeles, que Amsterdam, Ankara, Bruxelas, Pequim, Paris e Moscou estão mais próximas que a cidade de Nova York, vemos um problema mundial que exige uma solução mundial. Considerando a trajetória vertiginosa de agressão da Coreia do Norte, temos que implantar uma solução permanente e pacífica para evitar uma crise futura. As provocações da Coreia do Norte têm sido e continuam sendo enfrentadas com consequências claras e substanciais, conforme apropriado.

Primeiramente, temos todos que insistir na aplicação integral das sanções do Conselho de Segurança da ONU, pois isso é a essência da lei. Insistimos, especialmente com a China e a Rússia, nesse assunto. A implementação completa é uma medida essencial para a segurança de suas populações e uma indicação clara da disposição delas em honrar seus compromissos internacionais. Não podemos aceitar desvios ou evasão das sanções. Continuaremos a chamar a atenção para, e a designar as entidades e indivíduos cúmplices nessas ações evasivas.

Em segundo lugar, todos temos que trabalhar em conjunto para aperfeiçoamento das operações de interdição marítima. Temos que por um fim às transferências ilegais de navio-a-navio, que minam [a eficácia] das sanções impostas pela ONU. E em terceiro lugar, devem exigir novas consequências para o regime, sempre que ocorreram novas agressões.

Nós reconhecemos que uma única ação ou resolução não compelirá a Coreia do Norte a desistir do seu programa nuclear, mas, se todos os países eliminarem ou limitarem significativamente seus engajamentos econômicos e diplomáticos com a Coreia do Norte, a soma total dos esforços individuais de nossas nações aumentará as chances de uma resolução negociada. Nossas nações desejam um futuro para a Coreia do Norte, mas, a responsabilidade de criar esse novo futuro, em última instância, cabe à Coreia do Norte. A Coreia do Norte só poderá alcançar a segurança e estabilidade que deseja, e um futuro próspero para seu povo, se abandonar a trajetória atual.

Em nome dos Estados Unidos, hoje, eu espero trocar ideias com nossos aliados, nossos parceiros, para reforçar a campanha de pressão máxima e propiciar um caminho até a segurança para todos os nossos povos, como resultado. Obrigado.

MINISTRA DAS RELAÇÕES EXTERIORES FREELAND: Ok. Muito obrigada, Rex. E agradeço pelos materiais visuais apresentados. Sinceramente agradecemos, e muito obrigado pela coordenação conjunta deste [evento] e por todo o trabalho que tem realizado. A seguir, ouviremos o ministro Kono do Japão. Como indicado por Rex, o Japão está implicado muito diretamente, e sentimo-nos honrados pela sua presença hoje, ministro.

MINISTRO DO EXTERIOR KONO: Sra. presidente da assembleia, Sr. presidente da assembleia, honoráveis ministros, distintos representantes, permitam-me começar expressando minha mais profunda estima, mais uma vez, pela ministra das Relações Exteriores, Freeland e ao Secretário Tillerson por seus esforços incansáveis para nos reunir aqui, hoje. Estou agradecido por sua generosidade em permitir que eu fale depois de seus pronunciamentos.

Conforme todos nós testemunhamos, a Coreia do Norte vem escalando seus atos ultrajantes de provocação. A comunidade internacional precisa combater, em uníssono, a ameaça grave e iminente que a Coreia do Norte representa. No mês passado, uma conferência foi convocada pelo Conselho de Segurança da ONU, sob a minha presidência, e durante a conferência foi deixado muito claro que nunca aceitaremos uma Coreia do Norte com armas nucleares. Considerando isso, a reunião de hoje é muito oportuna e significativa. A comunidade internacional, uma vez mais, reunirá seus esforços para concretizar a desnuclearização da Coreia do Norte. Hoje, eu gostaria de iniciar dizendo como eu vejo a situação, como sendo a intenção da Coreia do Norte, e também gostaria de citar algumas ideias sobre o caminho a seguir.

Primeiro, minha observação da situação atual na península. Conforme expressou o primeiro-ministro Abe, o meu governo recebeu positivamente as discussões recentes entre as Coreias do Sul e do Norte, envolvendo a participação da Coreia do Norte nas Olímpiadas de PyeongChang*. Afinal, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos são festivais de paz. E todos nós apoiamos os esforços do governo da República da Coreia para que esse evento seja um sucesso.

Dito isso, não devemos desviar nossa atenção do fato de a Coreia do Norte continuar, incansavelmente, com seus programas nuclear e de mísseis. Estou ciente de que algumas pessoas defendem que, agora que a Coreia do Norte está se engajando em diálogos entre as Coreias, deveríamos premiá-la com a suspensão de sanções, ou propiciando algum tipo de assistência. Sinceramente, creio que essa perspectiva é muito ingênua. Creio que a Coreia do Norte quer ganhar algum tempo para continuar seus programas, nuclear e de mísseis. Eles simplesmente esperam ganhar algo com esse diálogo. Portanto, eu defendo a ideia de que reconhecer esse fato deveria ser o ponto de partida para as discussões de hoje.

Segundo, devemos julgar a intenção [da Coreia do Norte] em razão ao que estão de fato fazendo, e não em razão àquilo que esperamos que estejam fazendo. Como deveríamos interpretar a disposição da Coreia do Norte em relação ao diálogo e sua obsessão contínua com os programas, nuclear e de mísseis? Número um, eles estão esperando que alguns países suspendam as sanções*. Número dois, eles devem estar tentando obter alguma assistência financeira. De que forma? Explorando a boa vontade dos outros. Número três, eles também devem estar esperando que os exercícios militares entre os EUA e a República da Coreia sejam cancelados. Número quatro, eles devem estar tentando separar os países que são rigorosos daqueles que não são tão rigorosos. Além disso, caso o diálogo entre as Coreias não avance, como ela deseja, a Coreia do Norte poderá culpar os outros e usar isso como pretexto para realizar atos provocadores e perigosos.
Em qualquer caso, deveríamos ter em mente que a Coreia do Norte continua a avançar seus programas, nuclear e de mísseis, inclusive enquanto discutimos, e não devemos ser ingênuos em relação à sua intenção, nem devemos nos deixar cegar pelo charme ofensivo da Coreia do Norte. Resumindo, não é hora de diminuir a pressão nem de premiar a Coreia do Norte.

Meu último assunto deriva de uma observação mais antiga, especificamente manter a campanha de máxima pressão. As sanções internacionais têm frutificado paulatinamente. O aumento do número de transferências de navio-a-navio dá testemunho dos resultados do atual regime de sanções. Também é provável que as sanções produzirão ainda mais resultados esse ano. O fato da Coreia do Norte estar se engajando em diálogo poderia ser interpretado como prova de que as sanções estão funcionando. Por isso, eu diria que, agora, é o momento para todos os países renovarem sua determinação de implementar as resoluções relevantes do Conselho de Segurança, completa e rigorosamente, reforçando as medidas autônomas quando e onde estiverem disponíveis. Poderíamos incluir aqui o cancelamento de relações diplomáticas com a Coreia do Norte, bem como a repatriação de trabalhadores norte-coreanos. Só por meio dessas medidas poderemos forçar a Coreia do Norte a mudar sua política. Em relação a isso, o Reino de Haxemita da Jordânia acaba de decidir pelo cancelamento das relações diplomáticas com a Coreia do Norte. O Japão apresenta alta estima pela iniciativa da Jordânia e espera que outros países sigam o mesmo caminho e tomem medidas adicionais.

Como mencionei no início, este ano começou com a Coreia do Norte se movendo na direção de um diálogo entre as Coreias. No entanto, não houve nenhum movimento em relação à resolução dos programas nuclear e de mísseis, bem como em relação ao problema de abduções. A reunião de ministros, hoje, propicia uma oportunidade para demonstração de um compromisso inabalável da comunidade internacional em alcançar a desnuclearização completa, verificável e irreversível da Península da Coreia, e de por fim às outras provocações da Coreia do Norte. Juntos, devemos continuar a maximizar a pressão sobre a Coreia do Norte, e acuar a Coreia do Norte para conseguir uma mudança política em direção à desnuclearização.

Muito obrigado. Muito obrigado presidente.

MINISTRA DAS RELAÇÕES EXTERIORES FREELAND: Bem. Muito obrigada, ministro Kono. Grata por suas palavras sábias e pelo seu compromisso com esse esforço. Na sequência ouviremos o ministro Kang. Temos falado sobre a ameaça comum que todos nós enfrentamos, creio que todos precisamos reconhecer que nenhum país possui interesse maior nesse assunto que os nossos amigos e aliados na Coreia do Sul. Portanto, ministro Kang, estamos muito felizes por sua presença.

MINISTRO DO EXTERIOR KANG: Muito obrigado, Chrystia. Obrigado. Ministra Freeland, Secretário Tillerson, colegas, amigos, senhoras e senhores. Primeiro, eu gostaria de agradecer vocês, nossos dois coordenadores, por seu trabalho árduo e preparo meticuloso para reunir este grupo, e agradeço por seu apoio. Com a rapidez dos acontecimentos recentes na Península da Coreia, a assembleia de hoje não poderia ser mais oportuna. Como vocês sabem, as Coreias do Norte e do Sul deram início a conversações este ano, depois de um lapso de vários anos, e apesar da longa ausência, devo relatar que o diálogo foi bastante produtivo e positivo.

Nas conversações de alto nível no dia 9 de janeiro, os dois lados concordaram em cooperar para a participação da Coreia do Norte nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno de PyeongChang, trabalhar em conjunto para diminuir as tensões e criar um ambiente pacífico na Península da Coreia, e solucionar todos os problemas entre os dois lados por meio de diálogo. Essa é, com certeza, uma consequência importante dos jogos de PyeongChang, bem como um primeiro passo significativo na direção da restauração das relações entre as Coreias, que estiveram congeladas por muitos anos. E esperamos uma evolução sobre essa base inicial para a diminuição das tensões na região e para forjar condições favoráveis para uma solução pacífica do problema nuclear norte-coreano, bem como o estabelecimento de paz duradoura na Península Coreana.

Colegas e amigos, vossas excelências, apesar dessas propostas de melhoramento das relações com a Coreia do Sul, a Coreia do Norte ainda não demonstrou nenhuma intenção de cumprir suas obrigações internacionais em relação à desnuclearização. Ao contrário, a Coreia do Norte mantém-se firme na sua afirmação sobre ter completado sua força nuclear estatal, e agora se orgulha dizendo que seus mísseis balísticos, contendo ogivas nucleares, podem alcançar qualquer região dos Estados Unidos. De fato, a ameaça nuclear representada pelos programas, nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, não está mais confinada ao noroeste asiático, mas tornou-se realmente mundial. Como resposta, a comunidade internacional vem trabalhando em conjunto para ressaltar que as ambições nucleares da Coreia do Norte não são aceitáveis, e que ela deve retornar pelo caminho da desnuclearização. Assim, apenas no final do segundo semestre de 2017, mais três resoluções do Conselho de Segurança da ONU foram aprovadas por unanimidade, reforçando gradualmente as sanções, e muitos estados-membros estão implantando medidas unilaterais para por pressão adicional sobre a Coreia do Norte.

A República da Coreia está trabalhando junto com parceiros-chave e com a comunidade internacional como um todo para implementar as sanções do Conselho de Segurança, com o objetivo de impelir a Coreia do Norte a mudar de curso e a sentar à mesa para discutir a desnuclearização. Assegurar a implementação fiel das sanções do Conselho de Segurança da ONU por todos os membros das Nações Unidas e melhorar a sua eficácia é crucial para atingir esse objetivo. O meu governo está participando ativamente desses esforços, com a implementação fiel das sanções, bem como com troca de informação e melhores práticas com os parceiros interessados.

Nós insistimos com a Coreia do Norte para que cesse as provocações e volte ao diálogo, e deixamos claro, por meio de ações, que suas provocações contínuas serão apenas abordadas com novas sanções e pressão. Ao mesmo tempo, o presidente Moon Jae-in e vários outros líderes têm, repetidamente, afirmado em declarações públicas, bem como em mensagens enviadas ao Norte, que nós estamos preparados para propiciar um futuro mais brilhante para a Coreia do Norte, caso ela faça a opção certa. E eu acredito que as ferramentas, essas duas ferramentas – sanções severas e pressão por um lado, e a oferta de um futuro diferente, mais brilhante por outro lado – têm funcionado lado-a-lado. De fato, os esforços coordenados da comunidade internacional começaram a frutificar. Devemos notar que o Norte veio para o diálogo entre as Coreias, para sua participação nos Jogos de Inverno, enquanto as evidências e observações se acumulam mostrando que as sanções e a pressão estão começando a ter efeito.

Senhoras e senhores, enquanto nos empenhamos em tirar o máximo do novo, a abertura do diálogo entre as Coreias, estamos bastante cientes de que a melhoria sustentada das relações entre Coreias não pode ocorrer sem avanços nos esforços para resolver o problema nuclear norte-coreano e vice-versa. Os dois caminhos devem ser percorridos simultaneamente. A desnuclearização é um elemento fundamental para a paz duradoura na Península da Coreia. Assim, enquanto nos esforçamos em engajar a Coreia do Norte, antes, durante e talvez depois de PyeongChang, nós o fazemos tendo em vista a desnuclearização como imperativo.

A desnuclearização completa, verificável e irreversível da Coreia do Norte permanece sendo o objetivo inabalável do governo coreano e da comunidade internacional. E, enquanto a Coreia do Norte continuar na direção do desenvolvimento nuclear, as sanções permanecerão e a Coreia continuará a trabalhar com a comunidade internacional para forçar a mudança de curso da Coreia do Norte. A resolução fundamental dos problemas relativos à Península da Coreia não pode ser alcançada sem a desnuclearização da Coreia do Norte, e nós continuaremos a buscar maneiras efetivas e realistas de dar seguimento às discussões sobre desnuclearização o mais rápido possível.

Amigos e colegas, aproximadamente 70 anos atrás, membros da comunidade internacional enviaram tropas e ajuda humanitária para auxiliar na defesa de uma democracia incipiente na metade sul da península coreana. Nós, o povo coreano, jamais esqueceremos o nobre sacrifício feito por homens e mulheres dos países aqui representados. E a melhor demonstração da nossa gratidão é ser capaz de mostrar aos veteranos, suas famílias e compatriotas, o que de bom resultou seu servir e sacrifício. Essa pequena nação, completamente destruída pela guerra, trabalhou muito arduamente e se tornou um exemplo de liberdade, democracia e vitalidade econômica no noroeste da Ásia e além. Mas, não descansaremos até que alcancemos o prêmio definitivo do sacrifício deles – que é a paz duradoura na Península da Coreia.

Amigos e estimados colegas, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno de PyeongChang ocorrerão em menos de um mês. A participação da Coreia do Norte gerou muito mais trabalho de preparação para nós, mas, estamos trabalhando diligentemente para garantir que a participação deles aumente a satisfação e a celebração dos jogos para todos: atletas, autoridades, espectadores, bem como para a multidão de torcedores. Será com certeza uma rara oportunidade para os participantes norte-coreanos interagirem com a comunidade esportiva internacional, e esperamos que o impulso para engajamento continue muito além de PyeongChang.

Nós solicitamos o seu apoio nesses esforços e esperamos que permaneçamos unidos, para alcançar a mudança da Coreia do Norte e na busca da resolução pacífica do problema nuclear norte-coreano, e para estabelecimento da paz duradoura na Península da Coreia. Nossa reunião de hoje é uma demonstração oportuna da solidariedade da comunidade internacional nesse assunto, e eu estou ansioso pelas discussões construtivas de hoje. Muito obrigado a todos.

MINISTRA DAS RELAÇÕES EXTERIORES FREELAND: Bem. Muito obrigada, ministro Kang, por seu pronunciamento inspirador. E como você disse, eu penso que todos os países estão orgulhosos do apoio ao seu país, 70 anos atrás, e uma das razões de estarmos aqui hoje é mostrar a nossa solidariedade, para você e para Coreia do Sul.

Muitos de nós mencionamos, e todos nós estamos trabalhando para apoiar as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e por essa razão bem como muitas outras, gostaríamos de convidar nosso amigo, aliado e parceiro, o Reino Unido e seu secretário do Exterior, Boris Johnson, a fazer alguns comentários.

FOREIGN SECRETARY JOHNSON: Obrigado. Muito obrigado, Chrystia, é muito bom estar aqui em Vancouver, e muito obrigado a você e ao Canadá por sediar essa assembleia extremamente importante de pessoas que, obviamente, compartilham a mesma perspectiva e instinto para a paz e estabilidade naquela região. Quando olhamos para o que está acontecendo no momento, não pode haver dúvidas de que a crise está se intensificando. Tivemos 20 testes em menos de um ano, 20 mísseis – dois dos quais sobrevoaram o Japão, um teste de dispositivo nuclear. Todos podem ver que não é só isso que está acontecendo – o risco não é apenas a proliferação dentro da região, mas também, com certeza, de transmissão de armas nucleares para atores não-estatais, grupos terroristas, com consequências inimagináveis para o mundo.

Portanto, é muito importante e encorajador que o mundo não tenha sido intimidado ou dividido pela ameaça de Pyongyang. E de fato, nós nos unimos e, na Resolução 2397, foi incluída uma medida sem precedente de consenso mundial sobre o que fazer, e para intensificar a pressão política e econômica sobre o regime. A propósito, eu presto homenagem a outros, que não estão nesta sala, que são indispensáveis para assegurar que o processo tenha sucesso.

Agora, como disseram Kyung-wha e Taro, é muito bom que estejam acontecendo as conversações entre a Coreia do Norte e a República da Coreia, e é muito bom que esteja havendo um armistício olímpico, como aconteceu. Essa é uma ideia muito antiga, o armistício olímpico. Isso nos remete aos antigos Jogos Olímpicos, eu devo dizer. Mas, o que aconteceu naquele tempo – no caso daqueles armistícios olímpicos, eles eram – tão logo os jogos terminavam, creio que as coisas voltavam ao status quo (inaudível).

Portanto, eu espero que as pessoas reconheçam, como acabou de dizer Taro Kono, que o programa continua na Coreia do Norte. Kim Jong-un continua com seu programa ilegal. Ele não foi dissuadido, tenho certeza. Portanto, creio que o nosso trabalho coletivo agora é emitir uma mensagem muito clara, que desejamos intensificar a pressão, e precisamos esclarecer a opção para ele e para o povo da Coreia do Norte. Eles podem – ele pode continuar no caminho da provocação e equipando seu país com armas nucleares que causaram ainda mais isolamento, mais sofrimento econômico e dificuldade para seu povo, ou ele tem a oportunidade de ir na direção que leva à melhora do bem-estar do povo da Coreia do Norte, e uma chance de imitar as conquistas surpreendentes da república.

E o nosso trabalho é auxiliá-lo de qualquer forma possível, a fazer a escolha correta, e isso exigirá bom senso, mas também uma grande determinação e fortaleza nos próximos meses.

MINISTRA DAS RELAÇÕES EXTERIORES FREELAND: Ok. Muito obrigada, Boris, e eu tinha uma aposta pessoal sobre a possibilidade de você utilizar uma analogia clássica, e você o fez.
Portanto, muito obrigada, colegas, pelos seus pronunciamentos de abertura. Creio que colocamos a mesa muito adequadamente, para as deliberações de hoje e também para nossos cidadãos e o mundo que está assistindo e ouvindo sobre o trabalho que estamos realizando. Assim, eu gostaria de agradecer os nossos distintos colegas dos meios de comunicação internacional. Obrigada por estarem conosco, e agora nos despedimos de vocês.


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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