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Discurso sobre as relações entre os Estados Unidos e a África: um novo quadro estratégico

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Departamento de Estado dos Estados Unidos
Escritório da Porta-Voz
Para divulgação imediata
6 de março de 2018

 

Discurso do Secretário de Estado Tillerson
na Universidade George Mason
Fairfax, Virgínia

CABRERA: Bom dia a todos. Muito obrigado por estarem aqui hoje conosco para uma apresentação extremamente especial. É uma honra receber o nosso Secretário de Estado na George Mason e quem, como sabem, está prestes a embarcar em uma importante viagem à África. Sou um tanto suspeito para dizer isso, mas acredito que ele não poderia ter escolhido lugar melhor para sua apresentação do que a George Mason.

A George Mason possui alunos e professores de mais de 130 países, e faz parte da nossa missão garantir que estejamos formando alunos para se engajarem em um mundo bastante interconectado. Às vezes nos definimos como uma universidade que deseja ser uma universidade para o mundo.

O Secretário Tillerson, que inicia agora seu segundo ano ocupando esse cargo, obviamente, não era político nem membro do governo por formação, mas se examinarmos sua carreira notamos alguns aspectos que o tornam absolutamente perfeito para essa tarefa. Vocês sabem que ele foi presidente da ExxonMobil durante alguns anos, entre 2006 e 2017. Sabem que a Exxon é uma das maiores empresas de capital aberto do mundo e uma das mais importantes empresas em âmbito mundial. Então, sim, é um tanto intimidante estar à frente do Departamento de Estado, que possui mais de 44.000 funcionários, outros 44.000 funcionários locais em todo o mundo e um orçamento de mais de 50 bilhões de dólares. Mas isso é na verdade menos do que ele tinha sob sua responsabilidade quando estava no topo da ExxonMobil. Além disso, ele passou muito tempo viajando por todo o mundo, conduzindo operações no Oriente Médio e em muitas outras partes do mundo.

O mais importante, eu acho, para esse trabalho, é ele ter obtido o distintivo de Eagle Scout. E ser um escoteiro não só o preparou muito bem, como o marcou de tal forma que ele decidiu servir à organização. E atuou como presidente da Associação de Escoteiros dos EUA durante muitos anos.

Portanto, mais uma vez, em nome da comunidade da Mason e sem mais a dizer, peço que se juntem a mim para dar as boas-vindas ao Secretário de Estado, Sr. Rex Tillerson. (Aplausos.)

SECRETÁRIO TILLERSON: Obrigado. Muito obrigado, Dr. Cabrera, pela calorosa apresentação. E é um prazer estar aqui na George Mason, e é sempre uma satisfação encontrar um ex-bolsista da Fullbright e um engenheiro como eu. E somos gratos à Universidade George Mason por nos receber e ao programa de Estudos Africanos e Afro-Americanos daqui e pelo trabalho que realiza sobre tantos dos temas importantes que vamos discutir esta manhã.

Partirei ainda hoje para a minha primeira visita oficial à África Subsaariana, que não é a minha primeira visita à África, já que fiz muitas viagens e visitas durante minha carreira anterior, mas é uma viagem que realmente começou a ser planejada e concebida em novembro, após uma reunião ministerial com 37 países africanos e a União Africana realizada pelo Departamento de Estado. Naquela reunião, a nossa conversa se concentrou em questões relacionadas ao contraterrorismo, democracia e governança, e no fortalecimento dos vínculos comerciais e de investimento com o continente – temas esses que abordarei daqui a alguns instantes.

Como eu disse, na minha carreira anterior, passei bastante tempo na África. E creio firmemente que existem muitas oportunidades no continente – para crescimento econômico, para mais prosperidade, e para responder aos desafios globais através de parcerias baseadas no respeito mútuo. Estou bastante entusiasmado em retornar à África e em criar uma base sólida para as relações entre os Estados Unidos e a África. E isso inclui visitar o Chade, país que nunca recebeu a visita do Secretário de Estado.

No último século, à medida que os países africanos deixavam para trás seu passado colonial, assistimos a um aumento drástico do engajamento dos Estados Unidos na África. O Departamento de Estado criou a divisão para a África, o Africa Bureau, em 1958 – um ano após a visita do então o vice-presidente Richard Nixon ao continente. Gana havia convidado o vice-presidente e Martin Luther King, Jr. a participarem da comemoração do seu dia da independência – um evento que foi realizado exatamente 61 anos atrás.

Alguns anos depois, o presidente John F. Kennedy estabeleceu a USAID, visando o desenvolvimento africano, e o nossos primeiros voluntários do Peace Corps (Corpo da Paz) chegaram a Gana e à Tanzânia. Há quarenta anos, que se completam este mês, o presidente Jimmy Carter visitou a Libéria e a Nigéria, onde declarou que “nosso país se volta agora de forma inédita em direção à África”.

Continuamos fazendo esse movimento. A prosperidade econômica e a segurança do nosso país estão vinculadas à África como nunca antes. Isso irá apenas se intensificar nas próximas décadas, e pelas seguintes razões.

A primeira é uma grande mudança demográfica. Até o ano 2030, a África representará quase um quarto da força de trabalho mundial. E até o ano 2050 a população do continente deverá dobrar e chegar a mais de 2,5 bilhões de pessoas, sendo que 70% delas terão menos de trinta anos.

A segunda razão é que a África passa por um crescimento econômico significativo. O Banco Mundial estima que seis entre dez das economias de crescimento mais rápido do mundo este ano serão africanas.

Para colocar em contexto esse panorama, até o ano 2050, a Nigéria terá uma população maior que a dos Estados Unidos e uma economia maior que a da Austrália.

Para entender aonde o mundo está indo, devemos entender que a África é uma parte significativa do futuro. Os países africanos terão contribuição cada vez maior em muitos desafios de desenvolvimento e de segurança mundiais e mais oportunidades para crescimento econômico e maior influência.

A África possui uma imensa diversidade – entre seus povos, suas culturas e seus governos –, mas existem oportunidades e desafios comuns. A vitalidade da África se reflete na sua juventude, mas um aumento da população jovem significa a necessidade de mais empregos. Os países precisarão de mais infraestrutura e desenvolvimento à medida que mais africanos saírem da pobreza. Se essa população jovem cada vez maior não tiver trabalho e esperança para o futuro, surgirão novas formas para os terroristas explorarem a próxima geração, subverterem a estabilidade e solaparem os governos democráticos. Os líderes terão que ser inovadores e administrar os recursos financeiros limitados que possuem.

Daqui para frente, esta administração buscará aprofundar a nossa parceria com a África, tendo como objetivo tornar os países africanos mais resilientes e mais autossuficientes. Isso beneficia os nossos parceiros e os Estados Unidos, além de criar um futuro estável para todos os nossos filhos e nossos netos.

O futuro de estabilidade depende da segurança – condição necessária para a prosperidade econômica e para se possuir instituições fortes. Sem isso, nenhum dos outros elementos poderá ser implementado.

Hoje, o grande alcance do terrorismo ameaça roubar o futuro de inúmeros indivíduos. Em agosto, recordaremos as centenas de vidas perdidas vinte anos atrás nos ataques à embaixada norte-americana em Nairóbi e Dar Es Salaam, que acabaram com centenas de vidas.

Desde aquele dia, outros milhares morreram nas mãos de terroristas na África. Os ataques terroristas passaram de menos de 300 em 2009 para mais de 1.500 em cada um dos anos de 2015, 2016 e 2017. E, mais recentemente, vimos novamente a tristeza se abater diante do sequestro de mais de cem meninas nigerianas em idade escolar, que foram arrancadas de suas famílias, tendo seu futuro para sempre alterado.

Na semana passada, em resposta a essa crescente ameaça, eu designei, e os Estados Unidos sancionaram sete grupos afiliados ao Estado Islâmico, inclusive o EI-África Ocidental e o EI-Somália, e os seus líderes, em um esforço para cortar os recursos que esses grupos utilizam para perpetrar os ataques.

Para vencer essas forças do mal, os Estados Unidos se comprometeram a trabalhar com os parceiros africanos para livrar o continente e o mundo do terrorismo, abordando os elementos que promovem o conflito e que resultam na radicalização e no recrutamento, antes de mais nada, e se comprometeram a criar a capacitação institucional para a aplicação das leis dos países africanos. Desejamos ajudar os países da África a fornecer segurança para seus cidadãos de forma lícita.

Hoje, os países africanos estão se mobilizando para tomar medidas, e isso inclui os sacrifícios que esse compromisso possa representar.

O terrorismo não conhece fronteiras. Na região de Sahel e na Bacia do Lago Chade, o Boko Haram, o EI-África Ocidental, a al-Qaida no Magreb e outros grupos são adaptáveis,  eles são resilientes e capazes de perpetrar ataques em toda a região. A cooperação regional é crucial para impedir esses ataques e impedir que esses grupos planejem e executem mais ataques no futuro.

A Força-Tarefa Multinacional criada pela Nigéria, Níger, Chade, Benin e Camarões – junto com o Grupo dos cinco países de Sahel ou o G5 – Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger – está reunindo seu conhecimento e seus recursos. Seu trabalho é fundamental para obter soluções para o terrorismo e para a instabilidade que sejam conduzidas pela África.

Em outubro passado, eu anunciei que os Estados Unidos iriam aumentar sua contribuição para esses esforços regionais. Alocamos US$ 60 milhões aos esforços contraterrorismo do G5, para lhes permitir treinar e capacitar os membros da Força-Tarefa Conjunta e deslegitimizar a propaganda terrorista em todas essas comunidades.

Além disso, durante mais de dez anos, os Estados Unidos apoiam a Parceria Contraterrorista Trans-Sahariana para fornecer treinamento e promover a colaboração entre o exército, as autoridades de aplicação da lei e os atores civis na África Ocidental e na África do Norte. Utilizamos uma estratégia semelhante no Leste da África, com a Parceria Regional Contraterrorista para o Leste da África (PREACT). Desde 2016 e através dessas parcerias, os Estados Unidos contribuíram com mais de US$ 140 milhões para ajudar os parceiros a evitar o recrutamento e a criação de abrigos seguros para terroristas.

Os Estados Unidos são gratos pela liderança da União Africana, que assume um papel multilateral cada vez maior. A Missão da UA na Somália, ou AMISON, inclui tropas de cinco países africanos, estabilizando áreas que sofrem ataques de al-Shabaab e permitindo que o povo da Somália tenha acesso a uma ajuda extremamente necessária. Estou animado com a reunião que terei com Faki, presidente da Comissão da União Africana, na viagem que farei em breve para analisar novas maneiras de trabalho conjunto para combater o terrorismo no continente.

O papel dos Estados Unidos nesses e em outros esforços multilaterais regionais é promover a capacitação, e não a dependência, para que os nossos parceiros possam ser responsáveis pela sua própria segurança. Isso se aplica também a nossa estratégia para manutenção da paz no continente.

Por ser aquele que mais contribui para a criação de capacidade para a manutenção da paz na África, os Estados Unidos treinam, enviam tropas e mantêm forças que fornecem apoio ao contraterrorismo, removem minas terrestres, e promovem transições de poder pacíficas.  Isso cria a segurança, permite saúde – desculpem-me – permitem que serviços de saúde, alimentos e outros serviços cheguem às áreas necessitadas.

No ano passado, os Estados Unidos apoiaram mais de 27.000 pacificadores africanos de mais de 20 países africanos.  Também aqui, mais países africanos têm assumido responsabilidade pelo seu futuro. Dez anos atrás, os africanos formavam cerca de 20 por cento das forças de manutenção da paz no continente. Atualmente, representam mais de 50 por cento.

À medida que apoiamos esforços de segurança importantes, devemos trabalhar para encontrar soluções diplomáticas de longo prazo para os conflitos que causam tanto sofrimento humano. Até lá, nós, os Estados Unidos, sendo o maior provedor do mundo de assistência humanitária, continuaremos ao lado dos mais vulneráveis.

Como testemunho desse compromisso, estou anunciando hoje US$ 533 milhões adicionais para assistência humanitária para combater a fome e a insegurança alimentar, e para enfrentar outras necessidades resultantes dos conflitos na Somália, no Sudão do Sul, Etiópia e na Bacia do Lago Chade. Os níveis alarmantes de fome nessas áreas são em sua maior parte resultantes da ação do homem, com o surgimento de conflitos e pessoas abandonando suas casas. Nessas condições, as pessoas não podem ter qualquer produção agrícola e geralmente perdem todo o acesso a alimentos, à educação e aos serviços de saúde. Muitos perdem tudo. E, infelizmente, a Mãe Natureza ainda pode ser cruel, como no caso do Chifre da África, onde uma seca prolongada está agravando a insegurança alimentar.

Essa verba adicional fornecerá alimentos de emergência, assistência nutricional e outros tipos de ajuda, inclusive água potável, milhares de toneladas de alimentos, e programas de saúde para evitar a disseminação de doenças fatais, como cólera, a milhões de pessoas. Isso irá salvar vidas.

O povo americano está, como sempre esteve, disposto a colaborar com os países africanos para garantir que suas populações mais vulneráveis recebam a assistência vital. Convocamos também outras partes a se unirem a nós para responder às necessidades humanitárias cada vez maiores na África. Esperamos que essas contribuições iniciais encorajem outras partes a contribuírem com ajuda que aumente a divisão desse fardo e atenda às necessidades humanitárias na África, que são cada vez maiores.  Porém, essa assistência não resolverá os conflitos constantes. Com ela, nós estamos apenas ganhando tempo, tempo para encontrar soluções diplomáticas.

À medida que muitos países africanos assumem mais responsabilidade para lidar com as suas necessidades localmente, os Estados Unidos precisam que os nossos parceiros na África desempenhem um papel ativo também no cenário mundial. Uma área em que desejamos ter mais colaboração é a nossa campanha de pressão pacífica para conseguir negociar com a República Democrática Popular da Coreia.

A Coreia do Norte ameaça toda a comunidade internacional através dos seus programas nucleares e de mísseis balísticos e das atividades de proliferação, inclusive com suas exportações de armas para a África. Isso não diz respeito apenas aos nossos aliados na Europa ou Ásia. Não inclui apenas os países com vínculos de longa data com a Coreia do Norte, como a China e a Rússia. Isso é e deve ser um esforço global.

No mês passado, durante a minha visita à América do Sul, conversei francamente com os meus homólogos sobre as maneiras em que estamos trabalhando ativamente para contribuir para essa campanha de pressão. Os países da África precisam fazer mais do que estão fazendo.

A Angola e o Senegal tomaram medidas para exercer alguma pressão econômica e diplomática. O governo na Etiópia comprometeu-se publicamente a fornecer seu apoio também. Mas muitos países africanos não estão se envolvendo. Esperamos que eles somem a sua voz à da comunidade internacional e encerrem esses programas diplomáticos, econômicos ou relacionados às armas com o regime da Coreia do Norte.

A segurança no continente é um pré-requisito para se obter mais prosperidade. E mais estabilidade atrairá, é claro, mais comércio dos Estados Unidos com os países africanos e mais investimentos, o que resultará em mais desenvolvimento, aproveitando-se o que já realizamos através da Lei de Crescimento e Oportunidades para a África, ou AGOA.

A AGOA tem sido a base da política comercial dos Estados Unidos na África por mais de duas décadas, e fizemos muito avanços com ela. O total do comércio de bens não petrolíferos mais do que duplicou – passando de US$ 13 bilhões por ano para quase US$ 30 bilhões por ano. Na verdade, no ano passado, o total do comércio com os Estados Unidos atingiu US$ 38,5 bilhões, em comparação com US$ 33 bilhões em 2016.

Estamos animados com as medidas tomadas por muitos dos nossos parceiros africanos que estão procurando maneiras de expandir o comércio com os Estados Unidos. Durante a sua visita aos Estados Unidos na semana passada, o presidente de Gana, Akufo-Addo, discursou para a Associação Nacional de Governadores, sendo o primeiro presidente africano a fazê-lo. Ele falou sobre seu desejo, sobre o desejo do seu povo, de deixar para trás a pobreza e obter a prosperidade em uma geração. Os Estados Unidos desejam contribuir para permitir que os setores público e privado na África e aqui, no nosso país, realizem esse desejo.

A África ainda possui muitos recursos naturais que não foram desenvolvidos. O conhecimento do setor privado nos Estados Unidos pode promover o desenvolvimento responsável desses recursos, ajudando a tirar mais africanos da pobreza para que se beneficiem do valor econômico desses recursos. Mas é necessário possuir uma infraestrutura transcontinental significativa para apoiar o desenvolvimento, estimular o crescimento econômico, e impulsionar o comércio intrarregional no continente.

Atualmente, apenas 12 por cento de todas as exportações africanas são feitas para seus países vizinhos no continente. Se compararmos essa porcentagem com os 25 por cento entre os países da ASEAN e com mais de 60 por cento na Europa, torna-se bastante evidente o potencial para mais prosperidade econômica apenas no continente através do comércio. À medida que os países africanos aumentarem sua integração regional reduzindo barreiras tarifárias e melhorando o transporte, energia e infraestrutura, isso criará mais oportunidades para empresas dos Estados Unidos, para investimentos e comércio transatlântico.

E importar conhecimento e práticas comerciais americanas é a melhor combinação para o futuro da África: contribuir para a prosperidade econômica, fornecer aos países africanos novas capacitações, e fazer isso de forma aberta e transparente. É por isso que desejamos criar a nova instituição de desenvolvimento financeiro. Instituições desse tipo são bancos especializados do governo criados para fornecer suporte ao desenvolvimento do setor privado, para aumentar a eficácia do desenvolvimento. Estamos trabalhando com o Congresso para permitir que os Estados Unidos concorram com os países que já utilizam as finanças para atingir suas metas no mundo em desenvolvimento.

O programa “Power Africa”, liderado pela USAID, é uma das maiores parcerias de desenvolvimento entre os setores público e privado na história de desenvolvimento do continente. Estabelecido cinco anos atrás, o “Power Africa” foi criado para fornecer aos países africanos acesso a um dos recursos mais básicos para o desenvolvimento: a eletricidade. Atualmente, dezenas de milhões de africanos em toda a África Subsaariana têm acesso a eletricidade em parte como resultado do compromisso de mais de 140 parceiros do setor privado. Nosso objetivo é fornecer 30.000 megawatts de energia até 2030 , ou sessenta milhões de conexões novas, para alcançar 300 milhões de africanos. A administradora Green anunciou o estabelecimento do Power Africa 2.0 na semana passada para aumentar ainda mais as oportunidades energéticas.

Os Estados Unidos estão dispostos a reduzir as barreiras comerciais e de investimento com os nossos parceiros africanos, ajudando os países africanos a fazerem a transição da dependência para a autossuficiência, aumentando sua classe média e a integração das economias africanas com o resto do mundo.

Para se preparar para o futuro e concretizar o potencial do continente é necessário ter uma força de trabalho saudável e com boa formação. Isso é válido para todo o mundo, mas adquire caráter mais urgente considerando-se o aumento da população jovem na África.

A Iniciativa para Jovens Líderes Africanos é um investimento do Departamento de Estado e da USAID na próxima geração de líderes africanos. A YALI fornece treinamento para desenvolvimento profissional e liderança para líderes africanos talentosos sobre a importância da liberdade de imprensa, a criação de instituições mais resilientes e até mesmo sobre como abrir uma empresa. A YALI possui hoje mais de 500.000 membros e representantes de todos os países subsaarianos.

Através do Plano de Emergência do presidente para Alívio da AIDS, mais conhecido como PEPFAR, os Estados Unidos transformaram a resposta mundial ao HIV/AIDS, e em nenhum outro lugar isso é mais evidente do que na África.

Há quinze anos, quando o PEPFAR foi criado, um diagnóstico de HVI era uma sentença de morte. Nas áreas mais atingidas da África, a taxa de mortalidade infantil havia dobrado, a taxa de mortalidade de crianças havia triplicado e a expectativa de vida havia caído para 20 anos. Um em cada três adultos vivia com HIV. Milhões de órfãos foram deixados para trás. E apenas 50.000 pessoas estavam recebendo tratamentos para HIV. Hoje, o povo americano, através do PEPFAR, já forneceu tratamentos vitais para mais de 13, 3 milhões de homens, mulheres e crianças. O PEPFAR permitiu que mais de 2,2 milhões de bebês nascessem livres do HIV, e continua apoiando mais de 6,4 milhões de órfãos, crianças vulneráveis e seus cuidadores.

Este governo está comprometido em salvar vidas na África. Em setembro passado, anunciei a Estratégia de Agilização do Controle da Epidemia de HIV/AIDS do PEPFAR para o período de 2017 a 2020. A estratégia fornece orientação para o controle da epidemia em mais de 50 países nos próximos três anos. Define uma abordagem para agilizar o nosso trabalho em 12 países altamente afetados pelo HIV na África que estão preparados para controlar a epidemia até 2020. Podemos na verdade ver agora um futuro sem o HIV e sem a AIDS. Ele está bem à nossa frente, e isso é crucial para o futuro da África.

Para que a segurança, o comércio, investimento e o desenvolvimento econômico se mantenham é preciso possuir instituições governamentais responsáveis e eficazes que ganhem a confiança e o apoio dos seus cidadãos. É apenas em uma sociedade democrática que se pode ter paz e prosperidade. Liberdade de imprensa, comunicações abertas, liberdade religiosa, e uma sociedade civil dinâmica promovem a criatividade, as ideias, e a energia humana para o crescimento econômico. Hoje, a África tem muito a ganhar com a criação de instituições democráticas mais transparentes e fortes que reflitam as vozes dos cidadãos, que rejeitem a corrupção, e protejam e promovam os direitos humanos.

A União Africana estima que a África tenha perdido bilhões de dólares para a corrupção – centenas de bilhões que não foram investidos em educação, infraestrutura ou segurança.  Os subornos e a corrupção mantêm as pessoas na pobreza. Eles encorajam a desigualdade e minam a fé dos cidadãos no seu próprio governo. O investimento legítimo não é feito, e aumentam a instabilidade e a insegurança, o que cria condições perfeitas para o terrorismo e o conflito. Nós apoiamos firmemente o que foi destacado na cúpula da União Africana e encorajamos os esforços para “Vencer a Luta contra a Corrupção”. Esperamos que o tema deste ano seja apenas o começo de um foco mais sustentado e de longo prazo contra a corrupção.

Em apoio a este tema, os Estados Unidos darão continuidade ao seu trabalho nos países africanos para fortalecer suas instituições democráticas. No mês passado, o Departamento de Estado solicitou US$ 137 milhões ao Congresso para apoiar a democracia, os direitos humanos e programas de governança para criar instituições mais transparentes e menos corruptas que priorizem a obtenção de consenso em contraponto ao conflito.

A democracia exige transições de poder por meio de eleições justas e livres. Requer também uma sociedade civil dinâmica e uma mídia independente que contribua para informar os cidadãos e mantê-los conectados a seu governo. No ano passado, os Estados Unidos ajudaram a apoiar eleições livres e pacíficas na Libéria, um país onde uma transição pacífica não acontecia há anos. Isso incluiu programas de educação de eleitores e programas cívicos com foco nos jovens, nas mulheres e em outros cidadãos que votariam pela primeira vez e que eram de difícil alcance, e o trabalho com a mídia para promover a realização de reportagens responsáveis.

E o Fundo de Iniciativa de Transparência Fiscal* ajuda os governos a criar orçamentos mais transparentes e disponíveis ao público e capacita a sociedade civil a atuar de modo a promover as áreas que precisam de melhorias. Os Estados Unidos estão atualmente trabalhando em 31 projetos – e estão prestes a iniciar mais nove – em toda a África. O Fundo de Iniciativa* de Transparência Fiscal* já ajudou o Quênia, Chade, e Malaui a desenvolver medidas para combater o suborno e servir melhor seu próprio povo.

Também mantemos iniciativas de boa governança em mente no que diz respeito ao desenvolvimento. Como Secretário de Estado, sou presidente da Millennium Challenge Corporation, ou MCC. Através dessa agência, estabelecida para reduzir a pobreza, os Estados Unidos podem incentivar a boa governança, inclusive mais transparência, ao associá-la à assistência para o desenvolvimento. E cerca de 60 por cento das verbas da MCC destinam-se à África. Em novembro passado, assinamos um acordo de US$ 524 milhões com a Costa do Marfim para aprimorar os setores de educação e transporte. Isso só foi possível depois que o país implementou políticas para fortalecer a liberdade econômica, os princípios democráticos, os direitos humanos e para combater a corrupção. O modelo da MCC é promover reformas sem gastar um dólar sequer dos contribuintes dos Estados Unidos.

Trata-se de um modelo americano de desenvolvimento que comprovadamente funciona.

Os Estados Unidos buscam e promovem o crescimento sustentável que fortaleça as instituições, o estado de direito e capacite os países da África a se manterem sozinhos. Fazemos parcerias com os países africanos incentivando a boa governança em vistas ao cumprimento das metas de desenvolvimento e segurança a longo prazo.

Isso contrasta radicalmente com a estratégia da China, que encoraja a dependência, usando contratos não transparentes, práticas predatórias de empréstimo e acordos corruptos que afundam os países em dívidas e prejudicam sua soberania, impedindo que alcancem um crescimento autossustentável e de longo prazo. O investimento chinês tem o potencial de atender à carência de infraestrutura na África, mas sua abordagem resultou no endividamento e, na maioria dos países na geração de poucos ou de nenhum emprego. Associado à pressão política e fiscal, isso coloca em risco os recursos naturais da África e sua estabilidade política e econômica a longo prazo.

Encorajamos o envolvimento de outros países no desenvolvimento da África; na verdade esse envolvimento é necessário. É isso que significa mercado livre, a concorrência que resulta em mais oportunidades. Mas desejamos ver práticas de mercado livre transparentes e de desenvolvimento responsável que promovam uma maior estabilidade política no continente. Esperamos que a China também se junte a nós nesse esforço.

Os Estados Unidos veem um futuro promissor para a África. Temos a oportunidade de fazer parte da jornada da África rumo a um futuro próspero e estável para seu povo. Todas essas prioridades – comércio e investimento, bons governos – governança,  respeito pelos direitos humanos, combate ao terrorismo e à instabilidade – têm como base o mesmo princípio: ajudar os países da África a se capacitarem para cuidar de seu próprio povo.

Não existe solução rápida para esses desafios, mas os Estados Unidos estão comprometidos a enfrentá-los em parceria com os países da África para que o continente possa cada vez mais se tornar um local de prosperidade e liberdade no século 21. Muito obrigado pela sua amável atenção.   (Aplausos.)

CABRERA: Muito obrigado. Muito obrigado. Recebi algumas perguntas do público, de alunos e de professores, por isso seguirei um pouco de –

SECRETÁRIO TILLERSON:  Pegue as mais difíceis, dos alunos.

CABRERA:(inaudível). Já que insiste, vamos a esta. A primeira talvez seja de caráter mais pessoal, e pergunta sobre o que o levou a aceitar esse cargo. Como falei antes, o senhor era presidente de uma das – realmente a maior empresa que o mundo já viu, e não só isso, era também seu diretor executivo. Era seu próprio chefe. Ou seja, tinha um conselho de administração, mas era seu próprio chefe e, de repente, por que fazer isso?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, faltavam apenas três meses para minha aposentadoria obrigatória. (Risos.)

CABRERA: Isso ajuda.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Mas eu tinha – isso não fazia parte dos meus planos de aposentadoria. Pensei que iria para minha fazenda passar mais tempo na vida que adoro e com meus netos. Mas o presidente eleito me pediu para fazer isso e eu pensei a respeito, isso é – já contei essa história em outros lugares, e foi assim que tomei minha decisão. Quando eu tinha 18 anos, na época ainda tínhamos alistamento militar obrigatório. Era a época da Guerra do Vietnã. E eu me registrei para o alistamento, e havia um sistema de loteria pelo qual as pessoas eram selecionadas. Você tirava um número e eles pegavam alguns números até que sua cota de alistamento fosse cumprida. E chegaram três números perto de mim no meu primeiro ano de faculdade e o ano veio e se foi, e meu número era 89, e eles tiraram 86. Portanto, eu permaneci na faculdade, tive uma excelente formação, fui contratado por uma ótima empresa, tive 41 anos e meio maravilhosos, uma carreira fantástica que nunca pude imaginar que teria. Meu pai é veterano da 2a Guerra Mundial, lutou na guerra no Pacífico. Meu tio é major reformado do Exército, serviu três vezes no Vietnã. E eu refleti sobre isso tudo a certa altura, e pensei que na verdade ainda não havia feito nada. Chegou a minha vez de servir, e é por isso que estou fazendo isso.

CABRERA: Muito obrigado. O senhor foi para o Texas, para Austin, uniu-se à Exxon e pode ou não ter previsto como a sua carreira acabaria sendo tão incrivelmente internacional. Imagino que se tivesse imaginado o que estava acontecendo, como a sua vida seria, talvez tivesse se preparado melhor. Algumas pessoas aqui na audiência ainda têm a chance de fazer escolhas –

SECRETÁRIO TILLERSON:  (Risos.)  É verdade.

CABRERA: – sobre o que querem fazer com seus anos na faculdade, e vou lhe pedir um favor porque estou encorajando nossos alunos a viajarem para o exterior, e alguns deles ainda não acreditam que deveriam fazer isso. Então, me ajude e me diga qual é o melhor incentivo para convencer meus alunos de que deviam ir para o exterior? E a sequência desta pergunta é o seguinte: Quando eles vão para o exterior, decidem ir, por motivos que ainda me surpreendem para o Reino Unido, para a Itália – bem, a Espanha não me surpreende, é um lugar incrível de se visitar. (Risos.)

CABRERA: Então, por que eles deveriam ir à África, por exemplo? Para –

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, eu acho – na minha primeira viagem ao exterior eu estava no primeiro ano da faculdade e tive a oportunidade de visitar o Peru. Um terrível terremoto acabara de acontecer, uma imensa tragédia humanitária, duas cidades haviam sido literalmente soterradas sob trinta metros de uma montanha que havia desmoronado. E isso fez com que muitas pessoas saíssem das montanhas nos arredores de Lima e montou-se um terrível campo de refugiados. Eu fui ao Peru em uma missão de cinco dias de duração durante as festas de fim de ano para aumentar a conscientização sobre aquela situação, então essa foi a minha primeira oportunidade. Essa experiência me afetou tremendamente porque eu não havia – na verdade, era só a segunda vez que eu viajava de avião. Foi a primeira vez que usei passaporte. E foi realmente a primeira vez em que tive uma conexão com o mundo exterior e entendi o quanto estávamos todos conectados e como somos todos seres humanos tentando sobreviver, onde quer que estejamos.

Acho que atualmente os motivos para viajar ao exterior são mais contundentes do que em qualquer momento da minha vida, porque todos vocês sabem que o mundo se transformou de maneira dramática. A mundial – nossas economias se transformaram drasticamente. Nossa própria segurança se transformou drasticamente. E hoje isso é – está tudo interconectado, e não se pode simplesmente pensar sobre as questões econômicas, não se pode pensar em questões de segurança sem pensar sobre elas em um contexto mundial. E por isso, vocês talvez estejam apenas continuando a sua jornada e a sua formação para ampliar o seu entendimento de por que estão gastando tempo naqueles livros todas as noites e escrevendo esses trabalhos, mas sua perspectiva e compreensão se transformarão completamente se viajarem ao exterior e virem a vida dessa perspectiva, mas também sua perspectiva de como eles nos veem lá fora. E este – este talvez seja o elemento mais importante da sua formação que vocês poderão ter.

E além disso, isso irá continuar, essa interconexão do mundo. O mundo está – realmente está – apesar de fisicamente ser do mesmo tamanho que era quando Deus o criou, para nós, as pessoas que ocupamos este planeta, está se tornando cada vez menor, a uma rapidez espantosa. E a geração de vocês terá que lidar com isso, e isso traz toda uma nova dimensão de desafios dos quais a minha geração está vendo apenas a ponta. E é importante – quanto mais cedo vocês começarem a entender isso e a como interagir com isso, melhor preparados estarão para isso no futuro. E além de tudo isso, eu garanto que será muito emocionante.

E visitem os lugares mais difíceis. Não visitem lugares fáceis. Como eu disse, fui à Lima, no Peru. Eu me embrenhei pelas montanhas e pela selva. Foi uma experiência incrível ver como as pessoas vivem em outras partes do mundo. Visitem os lugares mais difíceis. Isso vai transformar vocês.

CABRERA: Muito obrigado, aliás. Fico grato. Nós vamos usar esses conselhos. (Risos.) O – então agora o senhor está – ao se preparar para essa viagem à África, escolheu cinco países. Essas escolhas se baseiam na sua própria experiência nesses países? Ou essa é uma decisão técnica da sua equipe? E no final das contas, por quê? Por que cinco países entre tantas escolhas possíveis?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Bem, isso – obviamente eu gostaria que tivesse duas ou três semanas, porque há muitos países africanos que são importantes para nós e acho que uma visita seria algo benéfico em termos de relacionamento. Mas escolhemos esses cinco. Vamos visitar a Etiópia. É lá que fica a União Africana, sua sede. A Etiópia é também um importante parceiro de longa data dos Estados Unidos. Temos um relacionamento com a Etiópia que se estende há mais de um século.

Em seguida faremos uma parada em Yibuti, no Chifre da África. Yibuti é o país que fica bem na pontinha, no estreito, entre Iêmen em direção ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, uma rota comercial crítica para a economia mundial e um parceiro crucial para garantir aquela rota comercial.

Depois vamos ao Quênia, um país grande e em franca expansão. É lá que o PEPFAR registra seus maiores sucessos, e é lá também que experimentamos formas para expandir o PEPFAR ao longo dos anos. Temos uma parceria de longa data com o Quênia.

Em seguida vamos ao Chade –  Jamena, no Chade – porque o Chade contribui com a maior força de batalha para o G5 da região de Sahel e eles têm sido cruciais para a nossa luta contra o terrorismo na região de Sahel e para o sucesso que estamos tendo.

E então finalmente iremos à Nigéria, o país mais povoado do continente africano. Com tremendos recursos naturais e tremendas capacidades para ser um país de sucesso. Eles ainda estão no caminho do sucesso, e serão decisivos não só para o relacionamento dos Estados Unidos com a África, mas a Nigéria será crítica para o sucesso da África como continente. E falei sobre a necessidade de aumentar a integração das economias africanas, aumentar o comércio com os vizinhos. Penso frequentemente nos Estados Unidos e na sua abordagem – ela tem sido basicamente o comércio no corredor transatlântico. Nós realmente precisamos promover o comércio intercontinental africano. É isso que vai de fato abrir mais oportunidades para a participação e o investimento dos Estados Unidos. Então a Nigéria é um país muito importante para o futuro do continente.

E lá – eu adoraria – há outros países que eu adoraria visitar. Visitei a África do Norte, e imagino que saibam, mas há muitos países importantes no Leste da África, a África do Sul, claramente, e é óbvio que essa não será minha última viagem. Eu terei que voltar lá.

CABRERA: Então o senhor – como CEO da Exxon Mobil, é claro que participou disso, e vi parte desse engajamento. No início da minha carreira participei do trabalho de algumas empresas privadas e vi como podem desempenhar um papel significativo no desenvolvimento das economias onde conduzem negócios. Agora, quando vejo o orçamento proposto para 2019, o Departamento de Estado está tendo um corte significativo, talvez de 25 por cento, o que eu imagino que terá – forçará o senhor a depender muito mais do setor privado para cumprir as suas metas diplomáticas. Qual é a sua opinião sobre isso – nós precisamos que o setor privado aumente a sua participação? E como faz para atraí-los?

SECRETÁRIO TILLERSON:  Certo. Bem, em primeiro lugar, o orçamento em si – e essa redução se refere ao orçamento de 2017 porque ainda estamos esperando para o orçamento final de 2018, mas é também uma volta aos níveis que eram mais históricos para o Departamento de Estado antes da grande preparação para combater o Estado Islâmico.

Mas sim, o que faremos – e mencionei isso antes, rapidamente no meu discurso – é que queremos promover mais parcerias entre os setores público e privado. E possuímos mecanismos para fazer isso e possuímos procedimentos, e estamos implementando algumas novas ideias de financiamento que nos permitiriam ajudar os países a ter acesso a financiamentos para que possam participar, eles mesmos, do setor privado, em investimentos também.

E eu acho que é – quer dizer, nosso papel realmente, acho que o papel do governo dos Estados Unidos são as coisas que enfatizei. A primeira é contribuir para a estabilidade e a segurança porque se não tivermos estabilidade e segurança será difícil atrair investimentos, difícil educar as pessoas, difícil alimentá-las, fornecer assistência para a segurança alimentar, nas áreas de saúde, porque, novamente, como mencionei, o futuro está nos jovens. Precisamos ter jovens saudáveis e bem formados no futuro. E depois contribuir com sistemas baseados em regras, e trabalhar com os governos para que promulguem leis melhores, promovam bons sistemas judiciários e de justiça, e será isso que irá resultar na erradicação da corrupção que no passado drenou tanta capacidade do continente.

E acho que esse é o nosso papel. Os investimentos diretos, estamos lá para facilitá-los e estamos lá para ajudar as empresas a entender quais são as oportunidades. Se precisarem da nossa ajuda para entender as leis locais e outros aspectos, estamos lá para ajudar a orientá-los nesse sentido. Mas se trata realmente de criar as condições nesses países em que as empresas dos EUA e outras empresas – europeias, chinesas, e outras –, na medida em que estejam prontas para participar de um sistema baseado em regras, sintam-se atraídas porque veem que existem as condições para terem sucesso ou pelo menos que terão oportunidade de ter sucesso. Não existem garantias na vida, e aprendi isso no setor privado. Tudo o que eu sempre quis foi entender as regras, que as regras não iriam mudar, e tive a oportunidade de ter sucesso. Se falhamos nisso, teremos que aceitar.

CABRERA: Uma última pergunta. Estou recebendo umas mensagens não verbais – (risos) – da sua equipe. Mas o papel das mulheres no futuro da África, e a minha esperança é de que o senhor leve uma mensagem muito forte – sei que não é novidade para o senhor. Estou ciente dos investimentos que a ExxonMobil fez para promover o empreendedorismo feminino. Sabemos o impacto que temos quando as mulheres estudam em vez de se dedicarem só ao casamento. Sabemos o impacto que as mulheres têm em aprimorar a saúde e a qualidade de vida nas comunidades – Vamos – ajude-nos a entender qual será a sua mensagem a esse respeito.

SECRETÁRIO TILLERSON: Bem, isso foi algo que aprendi a valorizar durante mais de 20 anos no setor privado, e principalmente por causa dos investimentos e das atividades comerciais que a minha carreira anterior me propiciou na África, mas também em economias emergentes e sistemas de governo emergentes, inclusive na Rússia e – onde também passei bastante tempo. E o que aprendi por meio de estudos, estudos acadêmicos, mas também com minha própria experiência, tem muito a ver com criar as condições que mencionei e sobre criar as condições para as pessoas terem sucesso – e que para termos uma vida da qual desfrutar é preciso romper o ciclo. E eu falava antes com o presidente do seu corpo discente sobre romper o ciclo e que estamos – acho que falta só uma geração para rompermos esse ciclo na África, mas temos que continuar cuidando disso.

Um elemento importante disso começa com as mulheres porque começa com as mães, e o que aprendemos através dos nossos estudos sobre as mães – e provavelmente isso também é verdade até mesmo neste país, e foi para mim – é que as mães são as que têm mais influência sobre como os filhos irão crescer – os valores que terão, como se comportarão, e aquilo que desejarão. E por isso é importante antes de mais nada apoiar a saúde das mulheres e sua capacidade de participar no bem-estar econômico do país porque com muita frequência temos mulheres que estão cuidando da família sem muita ajuda dos pais. E isso começa com a capacitação das mulheres, porque assim elas criarão famílias melhores.

Mas em segundo lugar, colocar as mulheres não só na força de trabalho, mas na governança. Elas trazem uma perspectiva diferente – e vejo isso na minha vida no setor privado, vejo isso e vivencio isso no governo também –, ter a perspectiva que as mulheres trazem e que é diferente da nossa. Quer dizer, isso – não é que seja – não significa que a nossa seja ruim, mas temos falhas e há coisas que não vemos e as mulheres cobrem esses aspectos para nós. Mas acho que é como em qualquer outra coisa – é assim que rompemos o ciclo das gerações, empoderando de fato as mulheres para que participem completamente em todos os aspectos da vida humana como mães, como participantes da economia, como empreendedoras, como participantes do governo. É isso que irá finalmente transformar a próxima geração de líderes. Homens e mulheres serão transformados por isso e isso é particularmente importante na África. E parte disso é a história e a cultura da África. Sabemos que funciona porque vimos isso funcionar. Vimos isso funcionar em áreas bem distintas. Só precisamos crescer a partir daí agora.

Então isso é crucial, eu acho, para o sucesso da África em criar uma qualidade de vida que todos queremos para o povo do continente africano. Queremos que eles tenham a qualidade de vida que temos, e esse é um elemento importante de como vamos conseguir isso.

CABRERA: Sr. Secretário, muito obrigado por dividir essa mensagem conosco e, o mais importante, por reconhecer a imensa importância do continente africano para todos nós, por divulgar essa mensagem de desenvolvimento econômico e oportunidade, e por tornar a África uma prioridade. Nós lhe desejamos uma viagem produtiva e em segurança à África. Muito obrigado.

SECRETÁRIO TILLERSON:  Eu é que agradeço, e desejo muito sucesso à George Mason. (Aplausos.)

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Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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