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Observações de Abertura do presidente Trump e do presidente Putin da Federação Russa na Conferência conjunta de imprensa

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A Casa Branca
Escritório da Secretário de Imprensa
Para divulgação imediata
16 de julho de 2018
Palácio presidencial
Helsinque, Finlândia

 

PRESIDENTE PUTIN: (Conforme interpretado) Distinto sr. presidente, senhoras e senhores: As negociações com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aconteceram em um clima de franqueza e seriedade. Acredito poder caracterizá-las como um sucesso e uma rodada de negociações muito frutífera.

Nós analisamos com cuidado o atual status — o presente e o futuro da relação Rússia-Estados Unidos; assuntos fundamentais da agenda global. Está claro para todos que a relação bilateral está passando por um estágio complicado, e esses obstáculos — a atual tensão, a atmosfera de tensão — não têm, essencialmente, razão concreta para existir.

A Guerra Fria é algo do passado. A era de confrontação ideológica dos dois países é algo do passado remoto, um vestígio do passado. A situação no mundo mudou drasticamente.

Hoje, a Rússia e os Estados Unidos enfrentam toda uma série de novos desafios. Eles incluem desajustes perigosos de mecanismos para a manutenção da estabilidade e segurança internacionais, crises regionais, assustadoras ameaças e crime transnacional. São problemas com efeito de bola de neve na economia, riscos ambientais e outros conjuntos de desafios. Nós só podemos lidar com esses desafios se nos unirmos e trabalharmos juntos. Com sorte, alcançaremos esse entendimento com os nossos parceiros americanos.

As negociações de hoje refletiram nosso desejo conjunto — nosso desejo conjunto com o presidente Trump de rever essa situação negativa e a relação bilateral, definir os primeiros passos para melhorar essa relação, a fim de restabelecer um nível aceitável de confiança e voltar ao nível anterior de interação em assuntos de interesse comum.

Como potências nucleares, nós temos responsabilidades especiais na manutenção da segurança internacional. E isso tornou-se vital — e mencionamos essa questão durante as negociações — é fundamental sintonizarmos o diálogo sobre estabilidade estratégica e segurança global, e a não proliferação de armas de destruição massiva. Nós enviamos uma nota aos nossos colegas americanos com várias sugestões específicas.

Acreditamos ser necessário trabalharmos juntos ainda mais, para interagirmos sobre a agenda do desarmamento e a cooperação técnica. Isso inclui a extensão do Tratado sobre Reduções de Ofensiva Estratégica. Trata-se de uma situação perigosa para o sistema americano global antimíssil e de defesa; são as questões de implementação do tratado INF; e, claro, a agenda de não envio de armas no espaço.

Nós favorecemos a cooperação continuada no combate ao terrorismo e na manutenção da segurança cibernética. E eu gostaria de apontar, especificamente, que os nossos serviços especiais estão cooperando juntos com relativo sucesso. O mais recente exemplo é sua cooperação operacional na recém-finalizada Copa do Mundo de Futebol.

Em geral, os contatos entre os serviços especiais deveriam ser estendidos para uma base mais ampla de sistema — deveriam ser trazidos para um quadro sistemático. Lembro — lembrei ao presidente Trump sobre a sugestão de restabelecer o grupo de trabalho sobre antiterrorismo.

Nós também mencionamos uma infinidade de crises regionais. Não é sempre que nossas posturas se encaixam perfeitamente. E ainda assim, são muitas as sobreposições e os interesses mútuos. Devemos olhar para pontos de contato e interagirmos mais de perto em uma série de fóruns internacionais.

Claramente, mencionamos a crise regional; por exemplo, na Síria. No que se refere à Síria, a tarefa de estabelecer a paz e a reconciliação nesse país poderia ser o primeiro exemplo demonstrativo desse trabalho conjunto bem-sucedido. A Rússia e os Estados Unidos aparentemente podem agir proativamente e tomar — assumir a liderança nesse assunto e organizar a interação para superar a crise humanitária e ajudar os refugiados sírios a voltar para suas casas.

Para alcançar esse nível de cooperação bem-sucedida na Síria, nós todos temos os componentes necessários. Deixe-me lembrar a todos vocês que tanto os militares russos como os americanos adquiriram experiência útil de coordenação de suas ações, estabeleceram canais operacionais de comunicação que permitiram evitar incidentes perigosos e colisões involuntárias no ar e na terra.

Além disso, esmagar o terrorismo no sudoeste da Síria — no sul da Síria — deveria estar totalmente em conformidade com o Tratado de 1974 sobre a separação das forças — sobre a separação das forças de Israel e Síria. Isso trará paz para as Colinas de Golã e uma relação mais pacífica entre a Síria e Israel além de trazer segurança para o Estado de Israel.

O Sr. Presidente prestou especial atenção para essa questão durante as negociações de hoje e eu gostaria de confirmar que a Rússia está interessada nesse desenvolvimento e agirá para esse propósito. Mais tarde, daremos um passo para criarmos uma paz duradoura em conformidade com as respectivas resoluções do Conselho de Segurança, por exemplo, a Resolução 338.

Estamos satisfeitos que a questão da península coreana esteja começando a se resolver. Em grande medida, isso foi possível graças ao compromisso pessoal do presidente Trump, que optou pelo diálogo ao invés da confrontação.

Vocês sabem, nós também mencionamos a nossa preocupação com a saída dos Estados Unidos do JCPOA. Bem, os EUA — nossos homólogos americanos conhecem a nossa postura. Lembro a vocês que graças ao acordo nuclear iraniano, o Irã se tornou-se o país mais controlado no mundo; submeteu-se ao controle da AIEA. O controle, de fato, garante a natureza exclusivamente pacífica do programa nuclear iraniano e reforça o regime de não proliferação.

Enquanto discutimos a crise interna ucraniana, damos atenção especial à implementação de boa fé dos Acordos de Minsk por Kiev. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos poderiam ser mais decisivos ao estimular a liderança ucraniana e encorajá-los ativamente nesse sentido. Prestamos mais atenção nos laços econômicos e na cooperação econômica. Está claro que os dois países — os negócios dos dois países estão interessados por esse tema.

A delegação americana era uma das maiores delegações no fórum econômico de São Petersburgo. Contava com mais de 500 representantes de empresas americanas. Nós concordamos — eu e o presidente Trump — nós concordamos em criar um grupo de trabalho de alto nível que agregaria altos empresários russos e americanos. Afinal de contas, empreendedores e homens de negócios sabem articular melhor essa cooperação empresarial de forma bem-sucedida. Deixaremos que eles reflitam e façam suas propostas e sugestões a esse respeito.

Mais uma vez, o presidente Trump mencionou a questão da então chamada interferência da Rússia nas eleições americanas e eu tive que reiterar coisas que disse várias vezes, inclusive durante nossos contatos pessoais, que o Estado russo nunca interferiu e não interferirá nos assuntos internos americanos, inclusive no processo eleitoral.

Qualquer material específico, caso tais questões surjam, estamos prontos para analisarmos juntos. Por exemplo, nós podemos analisá-lo por meio do grupo de trabalho conjunto sobre segurança cibernética, cujo estabelecimento nós discutimos durante nossos contatos anteriores.

E está claro que já passou da hora de restabelecermos a nossa cooperação na área cultural, humanitária, até onde — eu acredito que vocês saibam que recentemente recebemos uma delegação de parlamentares americanos e, agora, tal evento é relatado quase que como um feito histórico, embora devesse ter sido tratado tão somente como uma questão corriqueira — apenas negócios. E, em relação a isso, nós mencionamos essa proposta para o presidente.

Mas temos que pensar sobre questões práticas da nossa cooperação, também sobre a racionalidade — a lógica subjacente do tema. E temos que engajar especialistas em relações bilaterais que conheçam a história e o passado de nossas relações. A ideia é criar um conselho de especialistas que incluiria cientistas políticos, proeminentes diplomatas e antigos especialistas militares de ambos os países, que buscariam pontos de contato entre as duas nações e formas de colocar a relação mútua na rota do crescimento.

No geral, estamos satisfeitos com o resultado dessa nossa primeira reunião com tamanha abrangência, pois antes, tínhamos tido apenas uma chance de conversamos rapidamente em fóruns internacionais. Tivemos uma boa conversa com o presidente Trump e espero que comecemos a compreender melhor um ao outro. E sou grato a Donald por isso.

Claro está que há alguns desafios que permaneceram, visto que não pudemos esclarecer tudo que se acumulou. Mas creio que tomamos um importante passo nessa direção.

E, para concluir, eu gostaria de sublinhar que essa atmosfera de cooperação é algo ao qual somos especialmente gratos aos nossos anfitriões finlandeses. Somos gratos ao povo finlandês e à liderança finlandesa pelo que fizeram. Eu sei que causamos alguns inconvenientes para a Finlândia e nos desculpamos por isso.

Obrigado pela sua atenção.

PRESIDENTE TRUMP: Obrigado. Muito obrigado.

Obrigado. Eu acabei de concluir uma reunião com o presidente Putin acerca de uma vasta gama de assuntos para ambos os nossos países. Tivemos um diálogo direto, aberto e profundamente produtivo. Funcionou muito bem.

Antes de eu começar, gostaria de agradecer ao presidente Niinistö da Finlândia pelo generoso acolhimento da cúpula de hoje. O presidente Putin e eu estávamos falando como foi agradável, e excelente o trabalho que fizeram.

Eu também gostaria de parabenizar a Rússia e o presidente Putin por terem realizado um trabalho excepcional sediando a Copa do Mundo. Foi uma das melhores Copas já vistas e o time russo esteve muito bem. Foi um ótimo trabalho.

Estou aqui, hoje, para continuar a orgulhosa tradição da destemida diplomacia americana. Desde os primeiros dias da nossa república, os líderes americanos têm compreendido que diplomacia e compromisso são preferíveis ao conflito e à hostilidade. Um diálogo produtivo não é apenas bom para os Estados Unidos e bom para a Rússia, mas é bom para o mundo.

As discordâncias entre os dois países são bem conhecidas e o presidente Putin e eu debatemos tais questões profundamente no dia de hoje. Mas se formos solucionar muitos dos problemas enfrentados pelo nosso mundo, então teremos que encontrar formas de cooperar na busca por interesses compartilhados.

Frequentemente, tanto em um passado recente como há muito tempo, vimos as consequências de deixar a diplomacia sobre a mesa. Também vimos os benefícios da cooperação. No século passado, as nossas nações lutaram lado a lado na Segunda Guerra Mundial. Mesmo durante as tensões da Guerra Fria, quando o mundo parecia muito diferente do que é hoje, os Estados Unidos e a Rússia foram capazes de manter um forte diálogo.

Mas as nossas relações nunca estiveram tão ruins como agora. Porém, esse cenário mudou há cerca de quatro horas atrás. Eu realmente acredito nisso. Nada seria mais fácil politicamente do que recusar a se encontrar, recusar a se comprometer. Mas isso não alcançaria nada. Como presidente, eu não posso tomar decisões na política externa em um esforço fútil de apaziguar críticas partidárias ou da mídia, ou de democratas que não querem fazer nada, mas só resistir e obstruir.

Diálogos construtivos entre os Estados Unidos e a Rússia trazem oportunidades de abrir novos caminhos na direção da paz e da estabilidade no nosso mundo. Eu preferiria me arriscar politicamente na busca pela paz do que arriscar a paz na busca por política. Como presidente, eu sempre colocarei o que é o melhor para a América e o que é o melhor para o povo americano.

Durante a reunião de hoje, abordei diretamente com o presidente Putin a questão da interferência russa nas nossas eleições. Creio que essa mensagem seria melhor passada pessoalmente. Passamos um bom tempo conversando sobre isso e o presidente Putin poderá muito bem querer abordar esse tema, e muito enfaticamente — pois, ele se sente fortemente tocado por esse assunto, e tem uma compreensão interessante a esse respeito.

Nós também discutimos um dos desafios mais importantes enfrentados pela humanidade: a proliferação nuclear. Eu dei uma atualização acerca da minha reunião, mês passado, com o presidente Kim sobre a desnuclearização da Coreia do Norte. E, depois de hoje, tenho certeza de que o presidente Putin e a Rússia querem com afinco acabar com esse problema. Eles vão trabalhar conosco e eu aprecio esse compromisso.

O presidente e eu também discutimos o flagelo do terrorismo radical islâmico. Tanto a Rússia como os Estados Unidos sofreram horríveis ataques terroristas e nós concordamos em manter uma comunicação aberta entre nossas agências de segurança para proteger os nossos cidadãos dessa ameaça global.

Ano passado, comunicamos à Rússia acerca do ataque planejado em São Petersburgo e eles puderam detê-lo friamente. Eles os encontraram. Eles os detiveram. Não houve nenhuma dúvida sobre isso. Fiquei grato, mais tarde, pelo telefonema do presidente Putin para me agradecer.

Eu também enfatizei a importância de pressionar o Irã para impedir suas ambições nucleares e deter sua campanha de violência em toda a região, em todo o Oriente Médio.

Como discutimos profundamente, a crise na Síria é uma crise complexa. A cooperação entre os nossos dois países tem o potencial de poupar centenas de milhares de vidas. Eu também deixei claro que os Estados Unidos não permitirão que o Irã se beneficie da nossa campanha bem-sucedida contra o ISIS. Nós acabamos de erradicar o ISIS na região.

Também concordamos que representantes dos nossos conselhos nacionais de segurança se encontrarão para acompanhar todos os assuntos que abordamos hoje e continuar o progresso que iniciamos aqui mesmo em Helsinque.

A reunião de hoje é apenas o começo de um processo mais longo. Mas demos os primeiros passos na direção de um futuro mais promissor e com um diálogo forte e muita reflexão. As nossas expectativas estão aterradas no realismo, mas as nossas esperanças estão assentadas no desejo de amizade, cooperação e paz da América. E acredito poder falar em nome da Rússia quando também digo isso.

Presidente Putin, eu gostaria de lhe agradecer mais uma vez por ter se reunido comigo para essas importantes discussões e por avançar na direção de um diálogo aberto entre a Rússia e os Estados Unidos. A nossa reunião mantém uma longa tradição de diplomacia entre a Rússia e os Estados Unidos para trazer o melhor para todos.

E esse foi um dia muito construtivo. Foram horas muito construtivas que passamos juntos. É do interesse de ambos os países continuar as nossas conversações e concordamos em fazê-lo.

Tenho certeza de que nos encontraremos novamente mais vezes no futuro e, com sorte, resolveremos cada um dos problemas que discutimos hoje.

Portanto, mais uma vez, presidente Putin, muito obrigado.


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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