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A Europa deve priorizar a segurança do 5G

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Departamento de Estado dos Estados Unidos
Editorial
Secretário de Estado, Michael R. Pompeo
Politico – edição europeia
2 de dezembro de 2019

 

Os ministros das Comunicações da União Europeia (UE) se reunirão em Bruxelas na terça-feira[1] para discutirem as salvaguardas das redes sem fio emergentes de quinta geração (5G). Suas decisões poderão ter impacto duradouro na habilidade dos países europeus de protegerem a privacidade de seus cidadãos e de, em última instância, salvaguardar suas liberdades.

As redes 5G logo tocarão todos os aspectos da vida, inclusive a infraestrutura crítica. Capacidades inovadoras adicionais alimentarão veículos autônomos, inteligência artificial, redes inteligentes e outras tecnologias revolucionárias. Graças ao modo como as redes 5G são construídas é impossível separar uma parte da rede das outras.

Com tantos aspectos de risco, é extremamente urgente que companhias confiáveis construam as artérias de comunicação do século XXI. Nomeadamente, é essencial que os países europeus evitem conceder o controle de sua infraestrutura crítica a gigantes técnicas chinesas como a Huawei ou a ZTE.

Considerem apenas o histórico da Huawei. A companhia com sede em Shenzhen mantém ligações com o Exército Chinês da Libertação Popular. Está implicada em espionagem na República Checa, na Polônia e na Holanda e supostamente teria roubado propriedade intelectual de competidores estrangeiros na Alemanha, em Israel, no Reino Unido e nos Estados Unidos, e foi acusada de pagar de suborno e praticar corrupção em países como a Argélia, Bélgica e Serra Leoa. A Huawei recebe subsídios massivos do governo, que injustamente possibilitam cortes em relação aos preços oferecidos pelos competidores no mercado.

Mas, a segurança das redes 5G significa mais do que evitar que qualquer empresa as construam.  A Lei Nacional de Inteligência da China estabelece claramente que o Partido Comunista Chinês (PCC) pode forçar qualquer fornecedor de 5G – com sede na China – a conceder informações e a tomar outras medidas em segredo.

Isto é preocupante, pois o PCC está por trás de uma longa lista de atividades cibernéticas maliciosas. Só no ano passado, o Departamento de Justiça dos EUA acusou membros do grupo de hackers APT 10, sediado em Tianjin – que atuou em associação com o Ministério de Segurança do Estado da China – de atacar dezenas de empresas europeias e americanas para roubar propriedade intelectual e informações pessoais confidenciais.

Com a capacidade 5G, o PCC poderia utilizar a Huawei e a ZTE para acessar e roubar informações privadas e propriedade intelectual, ou para utilizar os “kill switches” interrompendo aplicativos futuros essenciais como os das redes elétricas e dos centros de telecirurgia. Precisamos apenas observar os extensivos abusos contra os direitos humanos praticados pelo PCC – tão claramente descritos em documentos que vazaram recentemente – para entender como a tecnologia é utilizada para repressão das massas.

Os peritos técnicos europeus fizeram grande avanço em outubro quando alertaram, por meio de uma avaliação coordenada de risco de 5G, que “o perfil de risco de fornecedores individuais se tornará especialmente importante, inclusive a probabilidade de o fornecedor estar sujeito à interferência de países não-europeus”. Os Estados Unidos exortam os países-membros da UE a aprofundarem-se ainda mais e a estabelecerem critérios nacionais para abordarem as possíveis ameaças à privacidade, segurança, proteção, direitos humanos, soberania e  propriedade intelectual.

Alguns dos apoiadores de Pequim, inclusive empresas de relações públicas europeias contratadas pela Huawei para realizar “controle de danos” estão rebatendo esses conselhos. Elas alegam que a tecnologia da Huawei é melhor e mais barata que as alternativas, e ignoram o histórico problemático da companhia.

A UE não precisa dar ouvido a elas nem se arriscar ao que aqui descrevemos. Companhias europeias como a Ericsson e a Nokia produzem equipamento 5G de alta qualidade e preço competitivo, assim como a companhia sul-coreana Samsung. Essas empresas são agentes comerciais legítimos que competem em boa-fé. Ainda mais importante, elas estão sediadas em países democráticos que atuam conforme o Estado de Direito e que se responsabilizam por suas ações.

Os Estados Unidos respeitam o direito de cada nação de estabelecer suas políticas tecnológicas e de decidir como proteger seu povo. Mas, a nossa amizade e as alianças com os países europeus – estabelecidas essencialmente sobre nosso amor em comum pela liberdade – exigem que apresentemos nossas preocupações quando identificamos ameaças à nossa segurança compartilhada.

Temos certeza de que os países europeus continuarão a tomar decisões adequadas em nome de seus cidadãos. Os Estados Unidos aguardam ansiosamente poderem trabalhar com Bruxelas na construção de um futuro digital robusto, seguro e próspero para todos.

[1] Terça-feira, 3 de dezembro.


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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