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Expandindo o compromisso da América com o Caribe

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Discurso
Michael R. Pompeo, Secretário de Estado dos EUA
KINGSTON, JAMAICA
22 de janeiro de 2020

 

SECRETÁRIO POMPEO: Boa tarde a todos. Eu estava lá atrás; ouvi um “amém”. Existe melhor maneira de ser recebido no palco? (Risos.)

Obrigado, ministra das Relações Exteriores, pela gentil introdução. Estou encantado por estar aqui. Essa é a minha primeira viagem aqui como secretário de Estado e a minha nona viagem à região. E estou emocionado que os Estados Unidos e a região se reuniram dessa forma importante.

Quero reconhecer vários amigos que estão aqui conosco hoje: o primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness; os ministros das Relações Exteriores das Bahamas, República Dominicana, Haiti, São Cristóvão e Névis e Santa Lúcia; e eu também quero cumprimentar a Ann-Dawn Young da AmCham Jamaica e o Keith Duncan da Organização do Setor Privado da Jamaica. Vocês são muito gentis em sediar esse evento aqui hoje. Muito obrigado por isso.

A hospitalidade que eu experimentei aqui tem sido excepcional. Eu agora fui convidado – e minha esposa Susan sabe disso, também, portanto, estaremos aqui novamente. Voltaremos e teremos a chance de ver as Montanhas Azuis e as praias um dia, provavelmente depois que estiver voando pelo mundo com tanta frequência. (Risos.)

Eu queria muito vir aqui. Tenho pensado nesta visita com vocês. Fiquei impressionado enquanto me preparava para a minha viagem pelas palavras de Luis Almagro, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, foi o que ele disse quando ele esteve comigo em Washington na semana.

Ele disse que “a América Latina e o Caribe não estão mais fora da vista dos Estados Unidos”.

Achei que isso era uma coisa estranha de se dizer, dado que somos vizinhos tão próximos. E ainda assim eu acho que ele provavelmente estava certo. Acho que por muito tempo os Estados Unidos enxergavam o Caribe somente quando ocorriam desastres naturais. Muitos representantes dos EUA vieram pra cá para falar sobre ajuda, e apenas ajuda.

Não vou falar sobre isso hoje. Acredito que os Estados Unidos e as nações do Caribe fazem muito mais juntos, podem fazer muito mais juntos e, o mais importante, devem fazer muito mais juntos. Como observa o primeiro-ministro, somos aliados naturais e parceiros naturais. Agora é a hora de avançar com laços ainda mais estreitos. Há muitas oportunidades.

Esse é o tema das minhas observações de hoje e, em seguida, vou responder algumas perguntas da Allison. Estou ansioso por isso.

Olha, vamos começar com geografia. A geografia é importante. Leva metade do tempo para voar de Miami para Kingston do que de Miami para Nova York. Sempre estivemos fisicamente próximos. Mas novos desafios à nossa soberania e segurança exigem que nos aproximemos ainda mais hoje.

Eu estava em Bogotá na Terceira Reunião Ministerial do Hemisfério Ocidental sobre Contraterrorismo. As nações de toda a região estão acordando para as mesmas ameaças comuns, e não há escassez delas.

Combatentes do ISIS – combatentes do ISIS – vieram de Trinidad e Tobago. O Hezbollah tem tentáculos por toda a América do Sul. As FARC e o ELN estão refugiados hoje na Venezuela. A crise provocada pelo Maduro na Venezuela causou uma crise migratória sem precedentes. Quase 5 milhões de venezuelanos fugiram de sua tirania. Cuba e Rússia continuam se intrometendo nos assuntos soberanos das nações enquanto tentam desestabilizar as democracias. E, claro, lidamos com os cartéis de drogas, juntamente com os crimes que os acompanham como o tráfico de seres humanos, o tráfico de armas e o crime cibernético.

Isto é muito diferente dos tempos da Guerra Fria. Eu era um jovem tenente naqueles dias, e os desafios e as ameaças que eu enfrento hoje, que nós enfrentamos juntos, são muito diferentes. Os bandidos são mais sofisticados e mais cruéis. Portanto, as nossas nações têm a obrigação, com o nosso próprio povo, de trabalhar muito mais de perto no interesse da nossa segurança.

Isso é o que já estamos fazendo na Iniciativa de Segurança da Bacia do Caribe, agora em seu 10º ano, uma década. Estamos tendo um sucesso incrível na apreensão de carregamentos de drogas. Estamos ajudando as crianças a ficar longe do crime. E estamos prontos, a América está pronta para continuar fazendo essas coisas boas em parceria com os países da região.

Vamos continuar avançando esses laços mais estreitos.

Há também – e vemos isso claramente na forma como o presidente Trump pensa sobre a América – um imperativo econômico para essa aproximação. Há muito tempo estamos unidos pelo comércio. O ministro das Relações Exteriores falou sobre os Estados Unidos como o maior parceiro comercial da região. Apenas como um exemplo, o asfalto de Trinidad e Tobago foi usada na Avenida Pensilvânia, que liga a Casa Branca e o Capitólio dos Estados Unidos.

Mas nossos laços econômicos não são definidos pela ajuda do governo, ou remessas de membros de suas comunidades que vieram para os Estados Unidos. Queremos construir economias economicamente sustentáveis – e é possível.

Esse sucesso começa com uma adequada e sólida política. Todos vocês conhecem a resposta: respeito pelo Estado de Direito, direitos de propriedade, uma cultura empresarial que é favorável aos empreendedores e tomadores de risco. Sabemos que vocês estão trabalhando em todas essas coisas, e estamos felizes em ajudar. Queremos o melhor para o seu povo.

Laços econômicos fortes também importam de outra forma crucial. Eu falei sobre isso em um discurso que eu dei na Califórnia na semana passada. São essas ideias, esse imperativo é tão verdadeiro para Santa Lúcia quanto para o Vale do Silício, onde fiz essas observações.

É tentador aceitar o dinheiro fácil de lugares como a China. Mas de que adianta se alimenta a corrupção e mina o Estado de Direito? Para que servem esses investimentos se de fato destroem o meio ambiente e não criam empregos para o povo?

Existe uma alternativa melhor. Todos nós sabemos disso e todos nós podemos alcançá-la juntos. As empresas ocidentais, as empresas americanas operam de acordo com valores comprovados para produzir bons negócios e trabalho de qualidade, o trabalho que fazemos nas democracias, coisas como contratos transparentes, o respeito pelo Estado de Direito, práticas contábeis mais simples e honestas. É por isso que eu tenho orgulho de ser o secretário de Estado dos Estados Unidos e de lutar para que as empresas americanas venham e queiram participar e investir em lugares como a Jamaica e a região.

Olha, algumas dessas grandes empresas estão representados aqui hoje. Elas refletem o nosso desejo sincero de uma parceria em prosperidade. Todas as nossas nações podem crescer juntas. É por isso que lançamos o que chamamos hoje de Iniciativa América Cresce.

A Jamaica era um membro fundador durante o lançamento [da iniciativa] em dezembro em Washington, e esperamos incluir mais países. Queremos ajudar cada um dos seus países a catalisar o investimento privado em infraestruturas.

Criamos uma nova Corporação de Financiamento de Desenvolvimento (DFC) que opera dentro do nosso Departamento de Estado. Pode ajudar o seu setor privado a se manter por conta própria. Apenas um exemplo. Estamos ansiosos para trabalhar com o Haiti para identificar como a DFC pode ajudar a sua economia.

É verdade, também, que nossos valores estão ganhando força no setor de energia, onde estamos expandindo a colaboração. Isso é importante. Reduz custos para os consumidores e para as empresas. A PetroCaribe está desaparecendo, como o próprio regime de Maduro fará.

Estamos avançando em direção a laços mais estreitos.

Isso me leva a outro motivo de ter chegado a hora de aprofundar ainda mais a relação – a centralidade dos nossos princípios democráticos, a maneira como pensamos sobre a vida humana.

É claro que este hemisfério está caminhando para a liberdade, mais do que vimos antes, do Brasil ao que aconteceu nos últimos meses na Bolívia. As pessoas estão exigindo democracia e liberdade.

Vemos isso mais claramente na forma como as nações da região reagiram à crise na Venezuela. Apenas os ditadores da Venezuela, Cuba e Nicarágua acham que as pessoas devem viver sob a opressão de um regime autoritário, em uma economia falida, onde os benefícios vão apenas para a elite corrupta.

Eu sei que muitas nações do Caribe, como Santa Lúcia e Curaçao, receberam indivíduos que fugiram do autoritarismo de Maduro. Para todas as nações que acolheram essas pessoas que estão enfrentando um desafio tão profundo, obrigado.

Eu estava com o presidente Guaidó na segunda-feira na Colômbia. Conversamos sobre quanto apoio ele recebeu deste hemisfério. Ele queria que eu agradecesse a todos vocês nesta sala hoje.

Na verdade, estamos caminhando para laços mais estreitos.

Não vamos pedir a nenhum de vocês para enfrentar esses desafios sozinhos. O governo Trump é voltado para a ação. Discussões sem fim e promessas vazias não vão proteger a nossa segurança, nossas economias e nossas liberdades. Acredito que os ministros das Relações Exteriores que se encontraram comigo hoje podem ver que somos bastante diretos.

Portanto, o presidente Trump tomou a decisão de receber cinco líderes para um importante diálogo em Mar-a-Lago no ano passado.

Aqui mesmo na Jamaica, ampliamos nossa parceria em segurança cibernética. Ainda há muito trabalho a ser feito juntos.

E esta manhã, o primeiro-ministro e eu concordamos com a importância de acertar. Estamos avançando com a estratégia do Caribe 2020 que lançamos em 2017.

No ano passado, um navio-hospital da Marinha dos EUA, o Comfort, visitou sete nações do Caribe para prestar assistência às comunidades locais, incluindo aquelas afetadas por refugiados venezuelanos.

Os EUA e 18 países da região formaram a Parceria de Resiliência, para que possamos responder antes mesmo da tempestade chegar.

Os Estados Unidos também ajudaram a resgatar 400 bahamianos da devastação do furacão Dorian, além de fornecer cerca de US$ 34 milhões em ajuda humanitária.

Minha fé, a minha fé me ensina que não há nada mais nobre do que ajudar seu vizinho. A América também acredita nisso.

Vou terminar rapidamente para que possamos responder a algumas perguntas. Eu sei que as pessoas desta região são capazes de grandes coisas. Todos vocês precisam acreditar nisso também. Eu sei que vocês acreditam.

Eu quero falar sobre Tishon Thomas, que cresceu em um orfanato em São Cristóvão e Névis. Aos 13 anos, ele encontrou sua paixão pela tecnologia. Ele disse: “Eu comecei a tirar o ‘HTML para Principiantes’ da prateleira”. Ele foi trabalhar para algumas das maiores empresas em St. Kitts até que ele percebeu que poderia ser o seu próprio chefe.

A iniciativa Jovens Líderes das Américas dos Estados Unidos o ajudou a expandir sua empresa de TI e a dobrar sua equipe. Os grandes sonhos de Thomas não são tão diferentes dos de outro órfão de São Cristóvão e Nevis – Alexander Hamilton, um dos pais fundadores dos EUA.

A América defende as parcerias. Somos amigos naturais. Somos aliados naturais juntos. Existe um momento mais adequado para avançarmos para laços mais estreitos?

Que Deus abençoe cada um de vocês. Que Deus abençoe a Jamaica. E que Deus abençoe todos os nossos irmãos e irmãs do Caribe.

Obrigado, e estou ansioso para responder algumas perguntas e uma boa conversa hoje. Muito obrigado a todos. (Aplausos.)

SRA. PEART: Bem-vindo à Jamaica.

SECRETÁRIO POMPEO: Obrigado, Allison.

SRA. PEART: Eu estou usando um grande broche do Rotary, então ficarei quieta. Então, eu estou muito animada com esta visita. Eu sou a ex-presidente da Câmara Americana de Comércio na Jamaica, e em nome da AMCHAM e PSOJ, como a comunidade empresarial, queremos lhe agradecer pela visita, e nós realmente agradecemos a oportunidade de sentar e conversar. A relação entre os EUA e o Caribe é tão importante para nós, e estamos contentes de ouvir que somos aliados naturais, somos naturais – encaixamos naturalmente. Mas eu tenho algumas perguntas. Por que a Jamaica? Por que agora?

SECRETÁRIO POMPEO: Bem, agora porque eu não consegui chegar aqui antes. (Risos.) Eu queria vir para a região. Tenho feito isso agora – eu sou o secretário de Estado há um ano e meio. Eu realmente queria muito vir a esta região. Eu tive a chance de conhecer muitos dos meus colegas do Caribe em eventos em Nova York, em eventos em Washington, em eventos na América do Sul e outros lugares, mas eu queria vir. Eu queria vir para a região porque é tão natural. Não é sobre a América forçar esta relação ou, francamente, esses países forçando uma relação com a América. Ele se encaixa, certo? Funciona e é importante. É perto de onde estamos nos Estados Unidos. Temos cidadãos de cada um desses países que vêm e vivem na América. Temos americanos que vêm viver em cada um desses países também. É natural, encaixa.

E quando se encaixa – quando os valores não se alinham e você tenta construir um relacionamento, você está forçando – range. Quando você trabalha para construir relacionamentos que são baseados neste conjunto fundamental de valores e princípios, ele funciona. Não é isso – nunca é o caso de você concordar em tudo. Pelo menos eu não experimentei isso ainda. Se algum de vocês tiver, por favor, explique como tudo isso funciona para mim. (Risos.) Olha, sempre existem interesses diferentes, e tem o para lá e para cá, e tem lugares onde há conflito ou não há coincidências. Tudo bem. Mas quando os valores e princípios e as ideias de democracia e liberdade e a proteção da dignidade humana para todo ser humano são compartilhados, então você pode fazer grandes coisas juntos. Você reconhece onde há pontos de vista diferentes. Você trabalha para chegar a um lugar melhor para ambas as nações. E então cada um de nós tem a responsabilidade de entregar para o nosso próprio povo.

SRA. PEART: Portanto, mesmo que tenha demorado tanto tempo para voltar a atenção para a Jamaica e o Caribe, o que há no governo Trump que fez você realmente querer focar em nós? O que é diferente agora?

SECRETÁRIO POMPEO: Sim. Primeiro, eu não acho que tenha demorado tanto. Demorou esse tempo apenas para eu chegar aqui fisicamente. Acho que estamos trabalhando nisso desde o meio-dia de 20 de janeiro de 2017. É importante porque o presidente Trump valoriza a democracia e a liberdade, e o presidente Trump está incrivelmente focado em garantir que a prosperidade econômica impulsione o crescimento em todo o mundo. Ele – o presidente Trump, ele veio do empresariado. E eu também. Eu passei – antes de vir ao Congresso, quando enlouqueci e administrei, administrava duas pequenas empresas no Kansas. Elas eram – uma delas era uma oficina de maquinário e uma delas atuava na indústria petrolífera. Ambas eram pequenas empresas. Os líderes do governo Trump entendem em que se baseia a prosperidade econômica. É baseado no Estado de Direito. É necessário ter sistemas judiciais que funcionam. Você tem que ter um sistema de educação que valoriza o empreendedorismo. O risco precisa ser recompensado. Quando olhamos para os países desta região, ela se encaixa. É natural. São parceiros e aliados naturais. Portanto, se foram as reuniões do presidente em Mar-a-Lago ou os telefonemas e viagens do vice-presidente, achamos que este é um lugar onde podemos trabalhar juntos em questões econômicas, onde podemos crescer a economia americana e, por sua vez, crescer economias no Caribe.

Também sabemos que existe uma importante relação de segurança. Eu vi isso. Meu trabalho anterior foi como diretor da Agência Central de Inteligência. Observei os riscos do narcotráfico, dos cartéis. Eu vi o terrorismo infiltrar-se na região. Eu podia ver que, à medida que nossos países trabalharam juntos e fomos capazes de compartilhar informações – informações sobre fluxos de ameaças, sobre os riscos emergentes – eu vi a melhora de todos nós. Certo, coletivamente melhores em reduzir o risco para cada cidadão, cada um dos nossos países. Isso funciona. Isso funciona para os Estados Unidos e funciona para o Caribe, e nós, como líderes nesses países, temos a obrigação de executar para fazê-lo funcionar melhor.

SRA. PEART: Fico feliz em saber que você administrava pequenas empresas. Recentemente decidi me tornar uma empresária, então, espero poder chegar a um estágio maior, porque todos nós começamos pequeno. Jamaicanos são empreendedores por natureza. O Caribe – eu não conheci uma pessoa do Caribe que não queira ser dono de algo e ser dono de um negócio. Portanto, como podemos assegurar que vamos atrair os investimentos certos para o Caribe e para a região? Porque, como uma empresária nova, quando a Jamaica, quando o Caribe vai bem, eu vou bem. Como vamos fazer a coisa certa?

SECRETÁRIO POMPEO: Sim.

SRA. PEART: Como sabemos que escolher?

SECRETÁRIO POMPEO: Sim. É uma pergunta bem direta. Para os provedores de capital, se é isso que você está pensando –

SRA. PEART: Sim.

SECRETÁRIO POMPEO: — as pessoas que aparecem com recursos para ajudá-la a crescer e desenvolver o seu negócio, eles têm um conjunto de objetivos. Trata-se de um retorno sobre o investimento ajustado ao risco. E eu falo do risco ajustado porque isso é frequentemente negligenciado. As pessoas que vão colocar o capital em risco precisam entender tudo sobre o risco, e alguns desses riscos são riscos políticos, alguns desses riscos são riscos econômicos. Eles querem ver que, se eles vão investir em um lugar e em um negócio que existe uma liderança boa e talentosa nessa empresa, que a empresa tem um modelo de negócio com oportunidade para ser bem-sucedida. Cada provedor de capital de risco sabe que alguns dos seus investimentos vão falhar. Tudo bem. Eu também estive envolvido em negócios que não foram bem. É apenas – faz parte do ecossistema da economia.

Mas aqui – o que eles não estão preparados para aceitar são lugares onde não há Estado de Direito, onde haverá concorrentes participando do ecossistema econômico que estão fazendo isso de maneiras que estão fora da lei, certo. Se você é alguém que está decidindo se investe em um determinado país e esse país permite que alguma outra nação apareça e faça negociatas, seja por suborno ou falta de transparência ou com empresas patrocinadas pelo Estado que estão competindo injustamente e com quem eles não podem competir, a chance de conseguir dinheiro bom, dinheiro que entra pelas razões certas, é reduzida.

E assim, como dono de empresa, você quer ter certeza de que seus parceiros são pessoas boas, que você pode confiar neles, que eles vão respeitar o Estado de Direito, que nos dias difíceis, que inevitavelmente terão, que os parceiros vão ficar ao seu lado e não vão executar [o contrato] – isto é, eles são verdadeiramente seus parceiros. Esses são os tipos de coisas que as empresas e as nações precisam pensar quando estão tentando decidir para onde queremos que o capital flua, para a nossa empresa ou para o nosso país.

SRA. PEART: Você mencionou a China. Por que a Jamaica ou qualquer nação do Caribe deveria avaliar investimentos chineses ou de qualquer um? Por que a China?

SECRETÁRIO POMPEO:  Você deve avaliar os investimentos de todos os lugares, e você deve avaliá-los uniformemente, e você deve avaliá-los cuidadosamente. O Partido Comunista Chinês realmente apresenta um desafio particular e nós somos francos quando falamos sobre isso com países, “apenas certifique-se de que esta é uma transação que é honesta e legítima”, que é justa, que este investimento está sendo feito com finalidades econômicas.

Nós amamos o povo chinês. Os Estados Unidos têm um enorme investimento da China em nosso país, e temos empresas americanas que investem na China hoje. Isso será assim por muito tempo, hoje e no futuro. Acabamos de fechar a primeira fase de um acordo comercial significativo com a China. Mas a América está fazendo o seguinte: estamos nos certificando de que quando empresas chinesas vêm investir na América, eles estão fazendo o que o presidente Trump disse. Vai ser justo. Vai ser recíproco. Ou seja, as empresas americanas que investem na China devem ser autorizadas a fazê-lo na mesma base que as empresas chinesas que investem na América. A mesma coisa [se aplica] no comércio. Se vai haver uma tarifa em um lugar, bem, deve ser recíproco. Nós simplesmente queremos competir em uma base justa e nivelada.

Por fim, é necessário que as regras estabelecidas levem à transparência. Você deve isso – todos nós devemos isso aos nossos povos para garantir que quando ocorre o investimento estrangeiro direto, que realmente venha pelos motivos certos – que não está vindo por um motivo de segurança nacional para colocar em risco a privacidade dos cidadãos da Jamaica, certo; não está vindo com finalidade política; que realmente tem base econômica – é um retorno ajustado ao risco sobre o investimento que está sendo buscado por esse provedor de capital. Quando for esse o caso, se for uma empresa europeia, ótimo. Se é uma empresa da África, fantástico. Se é uma empresa do Caribe, melhor ainda. Mas cada nação tem a obrigação de se certificar de que o dinheiro que está vindo para o país é para o bem de seu povo e não para algum propósito político ou de segurança ou nacional.

SRA. PEART: Eu gosto de vincular nossos investimentos como país a empresas, porque você realmente é uma empresa.

SECRETÁRIO POMPEO: Certo.

SRA. PEART: Então, quando você falou em seu discurso do estado de direito, mercados competitivos e a luta contra a corrupção, é difícil fazer tudo isso certo.

SECRETÁRIO POMPEO: Sim.

SRA. PEART: Nós queremos prosperidade. Você acredita que o que estamos fazendo está nos colocando no caminho certo no que diz respeito à forma como a Jamaica está atraindo investimentos? Como um empresário olhando para a Jamaica, o que podemos fazer para atrair mais investimentos dos Estados Unidos para a Jamaica e a região do Caribe?

SECRETÁRIO POMPEO: Sim. É bastante simples. Eu acho que a Jamaica está no caminho certo. Eu absolutamente acho que sim. Eu acho que, francamente, a Jamaica está em um patamar elevado, já tendo partido de um nível elevado. Eu acho que [a Jamaica] está em uma posição muito boa. Quando você pensa em como desenvolvê-lo a partir daí, olha, sempre há a necessidade de fazer com que as pessoas ao redor do mundo saibam. Portanto, existe esse elemento para se certificar de que você está divulgando o valor da proposta de investimento, a tese de investimento em seu negócio ou em sua empresa. A Jamaica, como todas as empresas, tem a responsabilidade de fazer isso para que empresários de todo o mundo pensem na Jamaica ou pensem no Caribe quando estão tentando entender como deve ser sua presença em todo o mundo. E então você só precisa ser rigoroso para se certificar de que esses empresários sabem que você os valoriza, que você os quer, que você quer o seu capital, que você quer a sua criatividade. E então a última peça – e isso não é principalmente uma questão de política externa – todos nós temos que ter certeza que estamos fazendo tudo o que podemos para mostrar que estamos desenvolvendo o capital humano dentro do nosso país.

SRA. PEART: Absolutamente.

SECRETÁRIO POMPEO: E que nós temos os recursos, a inteligência que, no fim das contas, conduz a tomada de decisão para os empresários em todo o mundo. Eles precisam saber que quando eles chegam em um lugar – onde quer que seja, se é Kansas ou Kingston – que eles sabem que vão ter as pessoas certas, a força de trabalho certa, o talento certo para ajudar seus negócios a serem bem-sucedidos.

SRA. PEART: Fico feliz que você disse isso, porque a USAID tem sido tão instrumental no Caribe e na Jamaica. Falo por experiência do Junior Achievement e o que tem feito para a literacia financeira, o que tem feito para os jamaicanos que aprendem literacia financeira. Mas mudando um pouco, que papel você vê a Jamaica e o Caribe em geral desempenhando neste hemisfério? Se colocarmos nosso povo na direção certa, que papel devemos desempenhar?

SECRETÁRIO POMPEO: No fim, isso depende do seu primeiro-ministro e do seu povo.

SRA. PEART: Muito bem.

SECRETÁRIO POMPEO: Nós olhamos para a Jamaica. Vemos um excelente modelo a seguir para a região. Vemos um país que está fazendo coisas boas, tem o modelo certo para o crescimento econômico, o modelo certo em segurança, não só para si, mas para a região, e também projetando o conjunto certo de valores. Cada um de nós – cada país – você falou sobre a USAID. A América faz o seu melhor onde podemos para garantir que todas as nações e todas as pessoas têm uma oportunidade de liberdade e democracia. Nós nos preocupamos com isso independentemente de algo tangível que pode fluir para os Estados Unidos. Espero que cada país dedique um pouco do seu tempo, um pouco do seu tesouro, um pouco de sua capacidade intelectual para se certificar de que outros fora de seu próprio país também têm esse mesmo conjunto de oportunidades. Sempre reflete para trás e beneficia a nação que tenta promover esse tipo de comportamento.

SRA. PEART: Eu gostei disso. E do ponto de vista do desenvolvimento humano, como podemos formar uma parceria com os Estados Unidos e desenvolver nossos jovens? Porque o nosso futuro é brilhante porque temos crianças lindas –

SECRETÁRIO POMPEO: Sim.

SRA. PEART: Temos crianças brilhantes. Como podemos garantir de que eles tenham as oportunidades certas e as pessoas talentosos e treinadas para colocá-las em um caminho (inaudível)?

SECRETÁRIO POMPEO: Não vou nem começar a dizer aos jamaicanos como fazer isso. Vocês vão descobrir como fazer isso. Sabe, isso é ótimo. Temos americanos que vêm estudar aqui. Temos jamaicanos que vêm estudar nos Estados Unidos da América, onde temos esse livre fluxo de troca de ideias. Quando eu estava na Califórnia, eu vi jamaicanos trabalhando em alguns dos nossos mais altos e mais complexos – eles estavam fazendo coisas. Eu não tinha ideia em que eles estavam trabalhando. Você podia ver isso. E esse é o tipo de coisa – tenho certeza que alguns desses jovens vão voltar pra cá e construir o próximo grande negócio.

SRA. PEART: Se pudermos fazer uma parceria para fazer a Jamaica crescer com a volta das pessoas. E agora, a última pergunta: Você viu o impacto da crise da Venezuela na região. Você se encontrou com Guaidó no início desta semana. Que lições podemos aprender com seus esforços na Venezuela? Que papel você vê a OEA desempenhando? A última pergunta.

SECRETÁRIO POMPEO: Sim. Eu não vi nada parecido, em lugar algum, com a crise humanitária na Venezuela, exceto, talvez na Síria hoje. São muito parecidos – 6 milhões de pessoas deslocadas. Mas na Venezuela, isso acontece porque uma única pessoa levou uma nação por uma ditadura autoritária que rejeita fundamentalmente tudo o que falamos aqui hoje. Esta é uma catástrofe provocada pelo homem. Todos sofremos com coisas que o homem não provocou, certo. Vemos furacões; vemos terremotos. Isto foi resultado de más políticas, de uma política ruim, e por um conjunto dos líderes que não se importavam com seu próprio povo.

E assim, ao olhamos para isso, precisamos fazer tudo o que pudermos para restaurar a democracia na Venezuela, e os Estados Unidos estão fazendo a sua parte, mas o que tem sido fantástico é assistir, assistir a Organização dos Estados Americanos enfrentar este conjunto de desafios, países em toda a região assumindo a responsabilidade por um país em sua região. Também fazemos parte disso. Mais de 50 nações em todo o mundo que juntos estão usando essas ferramentas multilaterais para tentar pôr um fim à crise humanitária na Venezuela e dar ao povo venezuelano eleições livres e justas para que eles possam começar a reconstruir essa grande nação.

SRA. PEART: Obrigado pelas suas observações.

SECRETÁRIO POMPEO: Allison, obrigado.

SRA. PEART: Eu sei que você tem pouco tempo, então nós vamos encerrar, e eu realmente quero agradecê-lo por vir aqui. É bom discutir as coisas, porque é quando você conversa que você se torna parceiros muito melhores e você não pode simplesmente falar, tem de agir.

Eu quero que você volte para a Jamaica, traga a sua esposa, passe algum tempo, aproveite nossas belas praias, as montanhas azuis e, mais importante, o calor do povo caribenho, porque a melhor parte da Jamaica é o nosso povo.

SECRETÁRIO POMPEO: Amém.

SRA. PEART: Nós somos um povo maravilhoso. Muito obrigado.

SECRETÁRIO POMPEO: Allison, obrigado.

SRA. PEART: Espero que tenha tido uma ótima viagem. Obrigado.

SECRETÁRIO POMPEO: Obrigado. Muito obrigado a todos. (Aplausos.) Obrigado. Que Deus os abençoe. Obrigado.


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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