rss

Libertar os Empreendedores Africanos

Français Français, English English

Departamento De Estado Dos Estados Unidos
Discurso do Secretário Michael R. Pompeo sobre
Comissão Económica das Nações Unidas para África
Addis Ababa, Etiópia
19 de fevereiro de 2020

 

SECRETÁRIO POMPEO: Bom dia a todos. Vera, obrigado. Obrigada pela simpática apresentação. Muito obrigado a todos pela vossa receção. Então, vamos começar. Vera, acho que temos o microfone de lapela. Vamos começar. Bom dia. Bom dia, mais uma vez. É ótimo estar aqui convosco. Este é um momento muito especial. Estou num lugar muito especial. Tenho o prazer de estar aqui com a minha esposa Susan e a equipa que me acompanhou. Tenho tido a honra, durante esta viagem, de ser recebido pela fantástica hospitalidade e generosidade de todas as pessoas de África e especialmente aqui, na Etiópia. É ótimo estar aqui.

Acabo de ter uma surpreendente conversa com alguns empreendedores e líderes empresariais verdadeiramente fantásticos, e sei que estão mais alguns aqui na audiência. Eu também já fui empresário. Adoro o que vocês fazem. Adoro pessoas que gostam de correr riscos. Adoro pessoas que estão dispostas a avançar e a dar o seu melhor todos os dias.

Hoje, estão aqui connosco três senhoras muito especiais. Azalech Tesfave aqui ao lado. Tem uma empresa de café que emprega 50 pessoas e exporta para todo o mundo. A sua empresa tem conseguido expandir-se graças a um financiamento da Iniciativa para o Desenvolvimento e Prosperidade Global das Mulheres, da Casa Branca. Azalech, estou contente que a senhora possa estar connosco aqui hoje. Obrigado por ter vindo. (Aplauso.)

Está também connosco Meseret Warner. Fico contente por a ver. Foi ótimo ter estado consigo esta manhã. Ela está a desenvolver uma plataforma de crowd funding para canalizar capital dos Estados Unidos para empresas na Etiópia, e por toda a África. Não leve o nosso capital todo, Ok? Boa sorte para si.

No Departamento de Estado, nós temos orgulho que a própria presidente etíope do Programa de Empreendedorismo feminino de África esteja aqui.

E também temos aqui Samrawit Fikru. Ela também está connosco. Ela fundou a RIDE, a versão etíope da Uber. Criou emprego para mais de 11.000 condutores e 300 funcionários permanentes. Isso é fantástico. Parabéns. (Aplauso). Foi uma distinta participante num dos fantásticos programas internacionais do Departamento de Estado, o Programa de Liderança para Visitantes Internacionais.

Vamos dar mais um grande aplauso a estas espetaculares empreendedoras. Parabéns a todas. (Aplauso.)

Histórias como esta, histórias de sucesso, histórias de empreendorismo como esta fazem lembrar-me também a fundação da América. Não são só bons momentos. Elas definem o futuro da nação. Estas atividades empreendedoras irão definir também o futuro de África.

Acreditamos nisto nos Estados Unidos. Eu acredito nisto. Acredito, tal como sei que vocês também acreditam, que todos os seres humanos – Africanos, Europeus, Americanos… – querem coisas semelhantes. Queremos segurança básica para as nossas famílias. Queremos oportunidade e recompensa pelo trabalho árduo em que investimos. E queremos a liberdade para fazermos o que quisermos com as nossas vidas. É a forma como conseguimos isto que importa verdadeiramente.

Estou aqui hoje – para conversar convosco sobre algumas coisas. Acima de tudo, quero falar sobre a próxima libertação, libertação económica, uma verdadeira libertação para os empreendedores africanos. Vou falar um bocadinho sobre isto e depois vou aceitar questões da Vera.

Vejamos, para começar, penso que todos concordamos que a taxa de pobreza em muitos países africanos permanece demasiado alta.

E apesar da ajuda externa eficaz conseguir ajudar a atenuar o problema, é pouco provável que resolva o problema. Assistimos a isto em locais em todo o mundo, até mesmo em África. As despesas governamentais não conseguem muitas vezes atacar a base do problema.

O planeamento centralizado não resultou – olhemos para as experiências socialistas falhadas dos últimos anos no Zimbabué, na Tanzânia e aqui na Etiópia. Neste preciso momento, enquanto aqui estamos, a África do Sul está a debater uma emenda para autorizar a expropriação de propriedade privada sem indemnização. Isso seria desastroso para essa economia, e acima de tudo para o povo sul africano.

Os esquemas socialistas não libertaram economicamente as pessoas mais pobres deste continente.

Mas todos nós – todos nesta sala – todos nesta sala sabem qual é o caminho certo para avançar. Um estado de direito forte, respeito pelos direitos de propriedade, regulamentos que encorajam o investimento – falámos sobre isso com estes empreendedores esta manhã. Têm que definir leis básicas corretamente, para que os investidores possam vir e investir o seu capital. Também é preciso que haja uma participação plena das mulheres nesta libertação económica. E precisamos de governos que respeitem o seu próprio povo. Estes são os ingredientes fundamentais para uma libertação económica sustentável, verdadeira e inclusiva.

Todos conhecemos a história dos Tigres Asiáticos. Os Tigres Asiáticos ergueram-se num período de apenas algumas décadas, porque liberalizaram e abriram o comércio.

O mesmo pode acontecer também aqui – e na verdade, eu defendo que isso tem que acontecer. Mais de 60 por cento da população em África tem menos de 25 anos. Apenas os países que acolhem o setor privado irão estimular suficientemente o crescimento, a oportunidade, os recursos, o capital que irá gerar emprego e prosperidade à escala de que este continente precisa e ao longo do período de tempo necessário.

E, atualmente, para os líderes africanos – as gerações futuras dependem de ambientes estáveis e sem corrupção, que atraiam o investimento externo.

Segundo o provérbio etíope, “Um parceiro de negócios não será um obstáculo ao negócio.” De facto, alguns países já tomaram algumas medidas para impulsionar a liberdade dos empreendedores: o Ruanda isentou as pequenas e médias empresas de determinados impostos, reduziu as despesas de construção várias vezes e atualizou a sua rede elétrica.

O Togo aboliu entraves burocráticos semelhantes relativos a taxas, os tempos de espera, licenciamento e outros obstáculos aos proprietários de empresas.

Em termos mais gerais, acabei de chegar de Angola, onde o presidente Lourenço e a sua equipa estão corajosamente a virar a página sobre a corrupção e a privatizar centenas de empresas estatais.

E precisamente aqui, na Etiópia, precisamente aqui na Etiópia, os cidadãos anseiam por mudança. As ousadas reformas do primeiro-ministro Abiy estimulam o crescimento do setor privado, o que pode constituir um exemplo para todo o continente. Nada disto é fácil. Se fosse fácil, já teria acontecido há alguns anos. Os Estados Unidos reconhecem isto.

Mas é moral e está certo. E é necessário. Não há nada mais nobre do que permitir que o nossa gente tenha dignidade para trabalhar. E os Estados Unidos, vocês sabem, todos – acreditamos em vocês e estaremos ao vosso lado em todas as etapas deste percurso.

Com as políticas e liderança certas, acreditamos que irá ocorrer uma verdadeira libertação económica aqui em África.

Se todos vocês se focarem no básico – atingirão os objetivos, conseguirão a transparência, um bom governo – as empresas americanas chegarão. Já estamos em África há muito tempo. Mais capital irá fluir.

Recentemente no Senegal, assinámos um acordo em que a Bechtel, uma das melhores empresas de engenharia americanas, irá construir uma estrada de Dakar a St. Louis, transformando infraestruturas e criando oportunidades. Tenho orgulho de ter feito parte desta cerimónia de assinatura aqui em Dakar, juntamente com a assinatura de outros quatro importantes acordos com empresas americanas que vão investir no Senegal e no povo Senegalês.

Em Angola, a Chevron e outras empresas estão a explorar jazidas de gás natural offshore, gerando assim empregos e crescimento económico. Quando o capital americano chega, os efeitos são locais.

Aqui na Etiópia, a Coca-Cola está a expandir um novo investimento de US$ 300 milhões, e empresas como a FedEx e a Citibank estão também a explorar novas oportunidades.

Quanto ao governo Americano, a administração Trump pretende que estes laços comerciais continuem a expandir-se. Estamos empenhados nisso.

Há algo que vocês devem saber sobre o nosso Presidente, o meu chefe; quero que saibam que ele adora negócios. E quer que aconteçam mais. Quer que aconteçam mais entre os Estados Unidos e os países em toda a África.

É por isso que os Estados Unidos lançaram a nossa nova Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA. Esto certo de que terei oportunidade de falar um pouco mais sobre isto com a Vera. Neste momento tem apenas um mês, mas está dotada com bons recursos, bons fundos e está bem estruturada. O objetivo é muito simples. O objetivo é catalisar o investimento do setor privado em países em desenvolvimento, focando sobretudo áreas prioritárias como a agricultura, como a energia e as infraestruturas. Sessenta mil milhões de dólares de capacidade, US$ 60 mil milhões de capacidade financeira, isto irá ajudar aqui em África.

E há mais. Os E.U. lançaram, sob a presidência de Trump, o Prosper Africa – a iniciativa Prosper Africa, que está a abrir oportunidades para empresas dos dois lados do oceano.

Também estamos a impulsionar o programa W-GDP, com o objetivo de conferir poder económico a pelo menos 50 milhões de mulheres até 2025. Calculamos que mais de metade dessas mulheres estão aqui, em África.

O USAID, um dos nossos mecanismos de assistência tradicionais, está a integrar o setor privado no seu trabalho de desenvolvimento central de uma forma nunca tentada antes.

Apoiamos a Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA), e continuamos empenhados na nossa parceria com a União Africana.

Vejamos, nem todos os países com atividade empresarial em África fora do continente adotam o modelo de parceria Americano. Os países devem ser cautelosos em relação a regimes autoritários com promessas vazias. Eles geram corrupção, dependência, não empregam as pessoas locais, não dão formação, não as orientam. Correm o risco de que a prosperidade e a soberania e o progresso de que África precisa e quer desesperadamente não aconteça.

Muito simples. Os Estados Unidos representam empregos locais, responsabilidade ambiental, práticas comerciais honestas, trabalho de elevada qualidade e prosperidade mútua.

Não se limitem a aceitar a minha palavra – olhem para os factos, olhem para a história. Nós representamos uma verdadeira parceria, a verdadeira libertação económica.

Queria guardar tempo suficiente para conversar com a Vera hoje, por isso vou terminar rapidamente. Tantos de vós aqui hoje, de todas as esferas da vida – temos empreendedores, líderes políticos, meios de comunicação, tenho um grupo de participantes em programas do Departamento de Estado – vocês, vocês são as forças que irão garantir que aqueles que detêm o poder e que prometem a libertação compreendem o que isso realmente significa. Não esqueçam isto.

A verdadeira libertação económica permitiu o maior crescimento económico da história nos Estados Unidos da América. Pode fazer o mesmo por vós.

O meu país será orgulhosamente ao vosso parceiro ao longo deste percurso

Aguardo com expetativa a nossa conversa de hoje.

Que Deus vos abençoe a todos.

Que Deus abençoe a Etiópia.

E que Deus abençoe todos os povos de África. Obrigado. (Aplauso.)

DR SONGWE:  Obrigada. Muito obrigado por este brilhante discurso. Peço mais uma salva de palmas para o Secretário de Estado. (Aplauso).

SECRETÁRIO POMPEO:  Obrigado.

DR SONGWE:  Obrigada por reservar algum tempo para algumas perguntas. Temos três ou quatro perguntas para si, esperamos que possa responder.

SECRETÁRIO POMPEO:  Excelente. Irei responder a quase tudo. (Riso.)

DR SONGWE:  Ótimo (inaudível). Gostaria de começar – já referiu uma parte no seu discurso, mas esta é uma das suas primeiras viagens a África. Escolheu três países muito interessantes – Senegal, Angola e Etiópia. Porquê estes países?

SECRETÁRIO POMPEO:  Bem, sim, já tinha estado em África algumas vezes. É a primeira vez que aqui estou enquanto Secretário de Estado. Os três países que escolhi estavam todos em momentos únicos da sua própria história de desenvolvimento, culturas muito, muito diferentes, diferentes partes de África, diferentes histórias. Mas, também, em cada caso com verdadeiros líderes que estão preparados para fazer as coisas certas para ajudar os seus países a avançar. E quando digo “verdadeiros líderes”, incluo obviamente líderes políticos, mas é mais vasto e profundo do que isso. É a origem da população que exige estas mudanças, estas transformações. Quer seja no Senegal, em Angola ou aqui, consigo ver isto, consigo sentir isto, consigo ouvir isto.

Líderes na comunidade empresarial, líderes no mundo do empreendorismo, líderes financeiros, organizações não-governamentais que compreendem que aquilo que foi feito nestes países, no passado, não obteve os resultados que estes povos tanto merecem e estão decididos a ripostar onde existiram problemas com corrupção, estão decididos a alcançar estes resultados e estão preparados para correr riscos reais para conseguir estes fantásticos resultados para o seu povo.

E é por isso que fomos a cada um destes locais. Tem sido fascinante ver e conhecer e ter uma noção do que se está realmente a passar nestes sítios. E saio daqui ainda mais otimista do que cheguei.

DR SONGWE:  Fantástico. É possível sentir a energia na sua resposta à questão. A minha segunda pergunta está um pouco relacionada com o anúncio dos E.U. sobre a redução da ajuda militar no continente, e penso que está relacionada com o facto de vocês estarem também a aumentar a ajuda económica.

Mas no campo militar, o Sr. Secretário frequentou West Point. West Point, penso eu, é para os militares a Harvard dos académicos.

SECRETÁRIO POMPEO: Vou dizer à minha equipa lá que você disse isso. Eles ficarão muito orgulhosos.

DR SONGWE:  Publicidade grátis para West Point.

SECRETÁRIO POMPEO:  Exatamente.

DR SONGWE:  Mas penso que no continente precisamos mesmo de paz para haver desenvolvimento. Precisamos de paz para haver segurança. E, portanto, a pergunta é: É possível termos os EU a trabalhar com África para construir um West Point no continente, para conseguirmos fazer exatamente o que vocês fizeram, trazer mais tecnologia, a transferência de conhecimento, mas termos “construtores de paz” aqui com apoio americano. É possível um dia termos um West Point com o apoio dos E.U.?

SECRETÁRIO POMPEO: Não sei se esse é exatamente o modelo certo aqui, mas o aspeto que refere é muito, muito importante. Duas coisas a dizer. Uma. Estamos, estamos constantemente – os E.U. têm militares em todo o mundo. Estamos constantemente a rever a nossa estrutura. Somos uma mais-valia? Estamos realmente a aumentar a segurança? O modelo que temos há 10 ou 20 ou 30 anos está a funcionar? E, portanto, estamos atentos a isto. Estamos atentos a África. Também estamos atentos a outros locais do mundo. Vamos terminar a revisão. Vamos resolver. Não haverá grandes surpresas. Vamos trabalhar com – posso dizer isto: Agradeço, enquanto alguém que foi o diretor da Agência Central de Inteligência dos E.U., compreendo os riscos e (inaudível) o que está a acontecer na Líbia. Sei o que está a acontecer na região do Lago Chade, e vejo os desafios do Al-Shabaab na Somália e (inaudível) na Etiópia. Estaremos (inaudível) para proporcionar isto – o apoio necessário. O aspeto que refere também é muito importante. Independentemente de ser um West Point ou dar formação nas nossas instituições nos Estados Unidos, ou treino em outras instituições militares ocidentais para garantir que essa tecnologia – e sobretudo com segurança, liderança e partilha de inteligência são os alicerces da nossa capacidade de ajuda.

Referi isto nos meus comentários ontem ou anteontem. Na verdade, a segurança em África será gerada pelos africanos. Temos a responsabilidade e temos a capacidade de ajudar as nações africanas a fazê-lo, a construir as suas próprias forças, a construir a sua própria capacidade. Referiu um aspeto muito importante. Se não conseguirmos consertar a segurança, será muito mais difícil de fazer surgir estas oportunidades económicas.

DR SONGWE: Obrigada, Sr. Secretário. Vejo que está constantemente a pensar na ideia, por isso voltaremos a isto. É um aspeto importante para nós no continente.

Avançando, falou um pouco e com muita paixão, o senhor começou duas empresas, por isso sabe exatamente-

SECRETÁRIO POMPEO: Eu comecei três, mas não falo sobre a que falhou. (Riso.)

DR SONGWE:  (Inaudível) diz que devemos falar também sobre essa. Portanto, sabe melhor do que muitas pessoas o que significa começar uma empresa, o que significa viver e ter um negócio num ambiente económico liberalizado. Quando olhamos para o continente, apenas tivemos a PIMCO aqui na semana passada na Comissão Económica para África exatamente a tentar reunir mais empresas americanas mais dentro – no continente. Quais são as duas ou três coisas, primeiro enquanto empresário e depois enquanto decisor político, que considera que as empresas americanas irão procurar para que as possamos preencher? Obviamente, a construção será particularmente importante porque vamos ajudar a impulsionar essa empresa, mas precisamos realmente de capital a sério a entrar.

E o que é que acha que, quando for embora, poderá dizer às empresas americanas sobre África, e o que pode dizer aos nossos líderes sobre o que as empresas americanas estão à procura em África?

SECRETÁRIO POMPEO: Pois. Veja, acho que todos vocês sabem isto. Há uma série de coisas que as empresas americanas querem. Querem saber que o seu investimento, se falhar é porque adotaram um modelo empresarial errado, não devido a um risco político. Querem saber que há um estado de direito e a capacidade para resolver litígios de forma justa e equitativa. Igualmente importante sobretudo para empresas americanas, precisamos de mão-de-obra qualificada, com talento.

Quando estas empresas americanas chegarem, querem contratar os melhores e mais inteligentes do Senegal, de Angola, da Etiópia. Independentemente daquilo em que estiverem a investir, querem contratar os melhores e mais inteligentes. Precisam de mão-de-obra com formação, competente. As pessoas que conheci na minha viagem, estou certo de que todos vocês lá chegarão. Tem que ser aumentado, certo? Temos dezenas e dezenas de milhões de empregos para criar, e precisamos de ter a certeza de que a mão-de-obra possui o conjunto de competências que responde ao que as empresas americanas irão procurar.

E depois a terceira coisa, e digo isto muitas vezes, já todos devem saber, quando as empresas americanas consideram vir para algum lugar, contactam o Departamento de Estado e falam comigo sobre isso, contam-me o que se está a passar – o que vou ver quando lá chegar. A coisa mais importante que vão fazer será telefonar aos colegas.

Veja, vão telefonar àqueles que foram para aquele lugar antes e dizer, “Como foi a vossa experiência? Como eram as pessoas? Como foi?” E, por isso, é muito importante que os países africanos estejam recetivos e cultivem essas empresas que já aqui estão para que existam modelos de sucesso, há percursos que podem ser partilhados. Isso irá reduzir o risco significativamente. E, nesse caso, não só irão ver capital, estamos a falar de capital a chegar, mas verão também capital viável, que é o custo do capital. Independentemente de existir um fundo de obrigações ou uma instituição financeira alavancada ou um investidor-anjo ou um fundo de investimento privado, a taxa de retorno que vão exigir reflete a sua perceção de risco. E, portanto, ao demonstrar capacidade de criar oportunidade, certamente não, não garante – as empresas americanas estão perfeitamente preparadas para correr riscos. Mas saibam que conseguirão identificar esses riscos, medi-los e que não terão surpresas provenientes de desfechos políticos com as quais simplesmente não conseguem lidar ou que não conseguem controlar.

DR SONGWE:  Muito obrigada. E a taxa de retorno ajustada ao risco no continente é de 8 por cento. Nos E.U., é atualmente de 1 por cento. Por isso é–

SECRETÁRIO POMPEO:  É muito menos do que isso, sim, exatamente.

DR SONGWE:  Exatamente. Por isso, esperamos que possam vir e esperamos que seja um desses embaixadores.

Gostaria de colocar uma questão sobre algo em que trabalhou há alguns anos. Ainda não era Secretário de Estado. Era sobre informação, transparência financeira. Uma das coisas de que o continente sofre, e muitos dos nossos investimentos no continente continuaria a ser investimento público e capital público, contudo, devido a fluxos financeiros ilícitos e à corrupção, há uma tendência para vermos muitos dos nossos recursos sair do continente.

Em 2016 ou aproximadamente, chegou a falar sobre criar um tipo de índice de transparência financeira, para podermos rastrear os recursos. Deslocou-se a três países que estavam a trabalhar afincadamente para tentar garantir que podiam travar a corrupção e rastrear recursos. O que acha que, e como podem os E.U. com a sua experiência ajudar-nos a melhorar esta luta contra os fluxos financeiros ilícitos? Temos que os reduzir em algum momento.

SECRETÁRIO POMPEO:  Isto é, também, eu deveria ter mencionado, mas não é realmente algo em que as empresas pensem. Tem a ver com instituições, governos, locais como este em que todos vocês trabalham de forma tão diligente. É algo em que a América pensa muito. Queremos ter a certeza de que sabemos para onde vai o dinheiro. Este é um fator económico determinante, mas é também um fator de segurança fulcral, porque vai para drogas e para tráfico – tráfico de drogas e narcotráfico e tráfico de pessoas – algumas das coisas mais horrendas que acontecem no mundo. Se conseguirmos saber para onde vai o dinheiro, podemos parar isso e reduzir esse risco.

Portanto, os Estados Unidos estão envolvidos nos processos internacionais que estão relacionados. Como se pode ver com o Grupo de Ação Financeira, vemos como as nossas instituições globais – o FMI e o Banco Mundial – colocam sempre no centro dos seus programas a transparência e a responsabilidade, não só para a nação anfitriã que estão a apoiar, mas querem isso também no setor privado, no setor comercial em que estão a trabalhar.

Penso que o mundo fez progressos. Penso, sinceramente, que África também fez progressos. Os líderes com quem falei em cada país, todos reconheceram o desespero com que controlavam esse financiamento ilícito. Eles vêem-no. Vêem que escapa à sua capacidade de controlo. Sabem que é mau para o seu povo. Cada uma dessas ramificações negativas constitui um problema sério. Estamos empenhados em – em chegarmos – chegarmos a países quando prestamos assistência externa, e muitas vezes chegamos com ajuda técnica. Para além dos recursos, o dinheiro, iremos inserir membros da nossa equipa em instituições financeiras ou em bancos centrais ou outras agências governamentais, aplicação da lei, o equivalente ao nosso Departamento Jurídico que trabalha com estes fluxos financeiros ilícitos ou ministérios das finanças. Iremos instalar as nossas pessoas, o nosso knowhow técnico. Estas são questões complicadas. São questões internacionais. Vão para além das fronteiras de qualquer país. Temos que fazer isto bem coletivamente.

Quando era o director da CIA, passei muito tempo a trabalhar na área da informação para garantir que o conjunto de dados estava disponível. Não passei assim tanto tempo a trabalhar no documento regulador, mas sei que os Estados Unidos estão empenhados nisto e é importante fazer isto bem aqui em África.

DR SONGWE:  A União Africana e todos os chefes de estados africanos acreditam que sem este tipo de ataque a este tipo de corrupção e fluxos financeiros ilícitos, nunca conseguiremos empreender qualquer ação, que é o objetivo. Mas a tomada de ações tem que acontecer com as mulheres. Começou a sua conversa reconhecendo, penso eu, empresárias etíopes brilhantes. Portanto, trata-se de mulheres e de negócio, e estou certo de que todos concordamos que não podemos fazer avançar este país sem as mulheres.

Os E.U. têm esperado com muita expetativa em termos de apoio a empresárias e mulheres empreendedoras. Que mensagem quer deixar às mulheres africanas? E como vê, na semana passada lançámos o Fundo para a Liderança de Mulheres Africanas (AWLF), que consiste num fundo, não um – um tipo de apoio a empresárias com o objetivo de apoiar e vir a conseguir muitos mais milhões para empresas de mulheres. E sabemos que os E.U. estão a trabalhar nisso, e o próprio Sr. Secretário se tem dedicado (inaudível).

SECRETÁRIO POMPEO: Sim, não, eu sim. Preocupo-me com isto por várias razões. A minha esposa está sentada à minha direita, e foi uma banqueira que ajudou a disponibilizar capital para pessoas em South Central Kansas, regiões rurais do Kansas. Por isso, conhecemos os desafios que as mulheres têm de enfrentar.

Estamos empenhados nisto. Estamos empenhados com todos em todo o mundo para conferir poder às mulheres de variadas formas. Portanto, começamos com uma base de referência para garantir que não existem proibições legais, que não existem barreiras, barreiras legais que impeçam as mulheres. Em alguns países ainda existem.

E depois atacamos a história, porque as mulheres não – não começam na mesma posição muito frequentemente. Há barreiras culturais em muitos países, e depois há o simples facto de que as mulheres assumiram historicamente muitos papeis em que não participavam na vida económica dos seus países.

E, portanto, em muitos destes pilares estamos a trabalhar afincadamente para garantir que mulheres como estas têm todas as oportunidades possíveis. Algumas irão falhar. E muitas, muitas delas irão continuar e acabarão por ter sucesso. Alcançarão um grande sucesso para si próprias, para as suas famílias, para a sua comunidade e para o seu país.

Se não fizermos isto bem, se não dermos a cem por cento das pessoas de cada país esta oportunidade de viver o seu sonho e de usar as suas capacidades pela melhoria da sua sociedade, pelo seu país, deixaremos uma grande quantidade de oportunidades para trás.

Por isso os Estados Unidos estão tão focados nesta questão. Vamos tentar e conduzir isto de forma programada. Vamos tentar e avançar por entre os nossos programas comerciais também. Coletivamente, se conseguirmos fazer isto, conseguiremos obter crescimento onde ele não existia, e depois multiplicá-lo.

DR SONGWE:  Muito obrigada. Também sabemos que a Sr.ª Pompeo é uma forte e ávida apoiante das mulheres e dos homens na política porque está aqui connosco. Por isso, esperamos que ela possa apoiar também estas mulheres na sua agenda política.

Última questão. Esta é a sua última paragem antes de deixar o continente. Amanhã, os ministros das finanças e governantes do G20 irão reunir-se para falar sobre o estado do mundo. Que mensagem de África lhes enviará?

SECRETÁRIO POMPEO:  Há imensas oportunidades aqui, não só para África, mas para todo o mundo. É um continente que está a crescer. É um continente que tem estado abaixo da curva de potência da sua capacidade para alcançar todas as suas oportunidades, não só oportunidades económicas de que falámos, mas também oportunidades de liberdade religiosa, oportunidades para todas as coisas com que a humanidade tanto se preocupa.

Iria apelar para que renovassem o seu empenhar-se nisto. Terá enormes benefícios económicos para locais como os Estados Unidos da América. Se isto correr bem, as jovens mulheres com quem estive esta manhã estarão a exportar para o nosso país.

O que é que isso significa? Significa que alguém na América decidiu que havia uma proposta de valor para adquirir aquele produto que foi fabricado aqui, na Etiópia. O vendedor beneficiou aqui, na Etiópia, e aquele consumidor americano também beneficiou. Aquela transação, aquele comércio, aquela oportunidade irão beneficiar todo o mundo.

Temos que fazer isto bem também aqui. E quando o fizermos, isso também será mutuamente encorajante. Crescimento económico e segurança são mutuamente encorajantes. Se conseguirmos consertar o setor económico, as poucas pessoas que decidem que querem gerar instabilidade, causar distúrbios, criar problemas aos países… Portanto, temos que fazer as duas coisas bem.

Espero que aqueles ministros levem muito a sério o que eu vi nas minhas três visitas aqui a África. 

DR SONGWE:  Fantástico. Muito obrigado. Reafirmar o empenho em África. Há valor aqui é a mensagem do Secretário Pompeo –

SECRETÁRIO POMPEO:  Amen.

DR SONGWE:  para África e para o resto do mundo. Muito obrigado por ter estado connosco. E obrigado pela proposta.

SECRETÁRIO POMPEO:  Vera, obrigado. Obrigado a todos. (Aplauso.)


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
Atualizações de E-mail
Para se inscrever para atualizações ou acessar suas preferências de assinante, digite abaixo suas informações de contato.