rss

Alto funcionário do Departamento de Estado sobre o envolvimento dos EUA com a Bolívia

Español Español, English English

Briefing Especial
Gabinete Da Porta-Voz
Sala De Correspondentes De Imprensa
Washington, D.C.

 

MODERADOR:  Muito bem.  Acho que estamos perto o suficiente do quórum, então vocês já participaram de um desses antes.  Agora nós temos – juntando-se a nós do nosso portfólio do Hemisfério Ocidental, [alto funcionário do Departamento de Estado].  A fonte desse [briefing] é confidencial e atribuído a um alto funcionário do Departamento de Estado.  Primeiro, ele fará algumas observações e depois vai responder algumas de suas perguntas, ok?

Pode prosseguir.

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Olá, pessoal. Espero que estejam tendo uma boa tarde nesta terça-feira chuvosa em Washington.  Eu gostaria de falar um pouco sobre a Bolívia, e eu tenho algumas observações para iniciar, e depois, é claro, vamos proceder a perguntas.

Deixe-me dizer primeiro que este é um momento realmente crucial na história da Bolívia.  A Bolívia está em um ponto de inflexão.  Tem uma eleição se aproximando.  Em 3 de maio, os bolivianos vão às urnas no que provavelmente será a eleição mais importante da história do país.  Após a fraude que estragou as eleições de 20 de outubro, esta é a eleição mais importante na história do país.  Tem que dar certo.

E o que está em jogo é o seguinte: esta é uma chance para os bolivianos estabelecerem um país diverso, inclusivo, justo e equitativo, além de próspero, que respeita o estado de direito.  Isso é o que os bolivianos querem e essa é uma chance de realmente fazer isso.  É por isso que é tão importante.

Após as eleições de 20 de outubro que foram marcadas por fraudes, o povo boliviano se levantou e exigiu que seu voto fosse respeitado.  Eles tinham toda razão ao se opor à deterioração das instituições democráticas da Bolívia durante o governo anterior.  O presidente Morales – o ex-presidente Morales renunciou em 10 de novembro e deixou o país para ir ao México depois da renúncia de uma dúzia de seus próprios apoiadores, ministros, deputados, senadores, etc.  Ele também perdeu o apoio da maior organização trabalhista do país e isso foi, em muitos aspectos, o fator motivador por trás de sua partida.  Depois disso, a Bolívia permaneceu sob controle civil e uma sucessão ocorreu de acordo com as disposições constitucionais.

Um governo de transição foi instaurado.  É liderado pela presidente da transição Jeanine Anez.  Eles elaboraram um calendário, um calendário eleitoral em conjunto com a Assembleia Legislativa, o Congresso da Bolívia.  Na verdade, esse Congresso é controlado, ambas as câmaras, pelo partido do MAS, o antigo partido do governo que agora está na oposição.  Portanto, o que aconteceu foi que os novos líderes do país sentaram e acharam um caminho adiante.  O primeiro turno das novas eleições será em 3 de maio.  Caso seja necessário um segundo turno, e eu posso entrar nas disposições sobre por que haveria um segundo turno ou não, será realizado em 14 de junho e a inauguração será em 22 de julho, possivelmente adiada até 6 de agosto, dependendo de quem seja o vencedor.

O que o governo dos EUA está fazendo?  Estamos trabalhando com a comunidade internacional, nossos parceiros na UE, ONU e OEA, para ajudar a garantir eleições livres, justas e transparentes que ajudem a fortalecer a democracia.  Todos os bolivianos precisam se unir para apoiar as próximas eleições e abster-se da violência para garantir que [as eleições] corram bem.  Espero que isso aconteça.

Os Estados Unidos querem uma relação positiva com o novo governo da Bolívia, seja qual for o governo instituído.  O subsecretário David Hale visitou La Paz em janeiro, e em 21 de janeiro anunciou nossa intenção de devolver o embaixador – para uma relação de embaixador – no nível do embaixador com a Bolívia.  Isto ocorre após 14 anos de antagonismo o governo Morales, portanto, seja qual for o governo instituído, esperamos trocar embaixadores.  Acho que isso também seria bilateral.

Estamos conversando agora mesmo com o governo boliviano, o governo de transição, sobre iniciativas de médio e longo prazo que poderiam ser colocadas em prática depois da posse de um novo governo.  Além disso, existem algumas medidas de curto prazo que esperamos adotar que beneficiariam a Bolívia também.

Mais uma vez, só para resumir, este é um momento importante para a Bolívia.  [A Bolívia] precisa do apoio da comunidade internacional.  E os Estados Unidos estão trabalhando junto com nossos parceiros da EU, da ONU e de outros países ocidentais para fazer isso.  Obrigado.

MODERADOR:  Perguntas.

PERGUNTA:  Sim.  Reconhecendo que ainda estamos, o quê, a dois meses [das eleições]?  Dois meses ou um mês?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Acho que são 68 dias, mais ou menos.

PERGUNTA:  OK.  Bem —

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Isso pode ser —

PERGUNTA:  Mas quem está contando?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Dê um dia ou dois.  Cada dia é um milagre.

PERGUNTA:  Você não está realmente prestando muita atenção, está?  (Risos.)  Quero dizer, como estão as coisas?  Reconhecendo que ainda estamos a dois meses [das eleições], o que – parece que o terreno foi preparado para uma eleição que atenderá ao padrão livre, justo e credível?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  O órgão que é realmente responsável pela organização e realização de eleições é o Tribunal Superior Eleitoral[1].  Em inglês, a sigla é TSE.  O presidente do TSE foi escolhido por Anez e os membros foram escolhidos pelo Congresso boliviano.  Mais uma vez, o Congresso dominado pelo MAS – Partido de Morales.  Eles trabalharam bem juntos, mas organizar uma eleição em um curto espaço de tempo como 120 dias é difícil.  Mas eles tiveram uma imensa quantidade de assistência técnica da ONU.  Estamos ajudando também através de parceiros.  A UE também está lá.

Mas o problema é o seguinte: para realizar a eleição, me desculpe por elaborar, mas você precisa fazer certas coisas em certos momentos.  Portanto, para publicidade, comunicações públicas, isso precisa ser feito.  A impressão de cédulas, isso precisa ser feito até a data X, e a data Y realmente não ajuda porque tem que ser feito até a data X.  A distribuição das cédulas, dos sistemas de transporte, isso é tudo logístico.

Agora, para a eleição anterior, o TSE, o órgão eleitoral teve dois anos para se preparar.  Este, 120 dias.  O sistema era – você pode depender do sistema antigo, mas esse é o desafio agora.

PERGUNTA:  Mas esse é a grande – essa é a maior bandeira vermelha agora, que eles podem não ser logisticamente capazes de –

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Ou, como diz o presidente do TSE, de uma forma ou de outra estarão prontos, mas é um desafio.

MODERADOR:  OK, (Inaudível).

PERGUNTA:  Mas muitos dos possíveis candidatos não foram presos ou desqualificados, até 30%, acredito, que quando nós – ouvimos muito neste prédio – apenas na semana passada – quando o Irã faz isso, há uma condenação geral desses tipos de preparativos eleitorais, quando a Venezuela faz algo semelhante?  Portanto, por que não julgamos a Bolívia por esses padrões?  E você, o Governo americano, está divulgando uma certa mensagem para as autoridades empossadas agora na Bolívia que eles precisam – qual é a mensagem para eles para tornar isso mais justo?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Existem duas partes para essa resposta.  Uma delas é que existem certos requisitos para ser candidato, e vários partidos, não necessariamente os principais partidos, apresentaram uma lista de candidatos ao Congresso, ao Senado – depois falarei sobre as presidenciais – onde eles não cumpriram os requisitos.  Quero dizer, você precisa ter X, Y, Z lá, e eles podem ter tido X ou X e Y.  Portanto, no estado de direito, se eles não têm X, Y e Z e a lei exige X, Y e Z, então eles precisam ser desqualificados.  Mas isso foi mais para alguns partidos menores.

Eu acho que a questão maior é a corrida presidencial e, na verdade, a corrida presidencial. E depois tem o Morales, que apresentou sua candidatura a senador de Cochabamba, e o ex-ministro das Relações Exteriores Pary, que apresentou sua candidatura a senador, candidatura ao Senado de Potosi, dois departamentos diferentes.  Portanto, foram apresentadas objeções contra Morales e Pary – P-a-r-y – pela candidatura porque não viviam no distrito, e a Constituição boliviana especifica que você precisa ter vivido em seu distrito por dois anos.  No caso do presidente, você precisa ter vivido no país por dois anos; no caso do senador, você precisaria ter vivido naquele departamento por dois anos.

Quatro candidatos principais foram desafiados.  Uma era uma candidata da oposição que vivia nos Estados Unidos, então ela foi desclassificada.  Outro era outro candidato da oposição que estava, novamente, vivendo nos Estados Unidos ou fora do país.  Ele foi facilmente desqualificado.  Quando digo “oposição”, quero dizer a antiga oposição, alinhada ao governo.  Então, haveria o MAS e haveria a oposição, mas…

PERGUNTA:  Mas estes eram candidatos do MAS ou estes eram —

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Os dois que foram —

PERGUNTA:  Que foram desqualificados eram do MAS?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Não.  Os dois eram do que chamamos de antiga oposição, mas não temos um nome para isso, então nós apenas os chamamos de antiga oposição.  Mas agora estão alinhados com o governo.

Os dois que eram do MAS eram Morales, que agora vive na Argentina e antes disso estava vivendo no México, e ele foi desqualificado; e Pary – ex-ministro das Relações Exteriores Pary – ele foi desqualificado porque viveu nos Estados Unidos por sete anos, voltou e viveu na Bolívia por um ano, e depois votou em La Paz, mas seu distrito era o de Cochabamba.  Então tudo isso parece estar alinhado com decisões razoáveis alinhadas com a lei eleitoral vigente.

PERGUNTA:  Você está dizendo que as desqualificações são razoáveis e não devem levantar suspeitas no povo que vai suspeitar disso?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Eu poderia ter dito isso um pouco mais rápido se eu simplesmente dissesse – sim.

PERGUNTA:  Desculpe.  Nós somos jornalistas e você é um diplomata.

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Eles foram fundamentados, sim.

MODERADOR:  Quem é o próximo?  Jenny.

PERGUNTA:  Você acha que o Morales tem alguma chance de voltar?  Ele ainda é popular?  Ele ainda tem alguma base de apoio ou as pessoas estão seguindo em frente?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Bem, acho que existem dois aspectos nessa pergunta.  Primeiro, se o Morales tem chance de voltar.  A outra é, o MAS tem chance de voltar.  O MAS – eu vou fazer o segundo primeiro.  O MAS tem um candidato para presidente, Luis Arce, e para vice-presidente, David Choquehuanca.  Arce é o ex-ministro da Economia do MAS.  Choquehuanca é o ex-ministro das Relações Exteriores – outro ex-ministro das Relações Exteriores do MAS.

Nas pesquisas mais recentes, eles tinham, para ganhar a presidência, você precisa ter no primeiro turno, você precisa ter 40% dos votos válidos 40% e uma margem de 10% sobre o candidato mais próximo.  Então, com 40 a 29 você vence a eleição; 40 a 31 não.  Nas duas pesquisas mais recentes, ficou claro que Arce e Choquehuanca, os dois candidatos do MAS, têm uma boa chance de talvez chegar a 40%.  Mas a questão é se eles teriam uma margem de 10% sobre o candidato mais próximo.  Portanto, sim, o MAS tem chance.  Não quero qualificar se é uma boa chance ou uma chance significativa, mas sim, eles têm uma chance em uma eleição livre e justa.

Agora, para Morales, ele está desqualificado daquela eleição por fraude nas eleições de 20 de outubro.  Portanto, ele não pode voltar por mais cinco anos.  Neste ponto, não posso especular se ele permanece na Argentina ou não, mas o MAS tem chance.  O Morales está fora do país, e neste momento só ele conhece seus planos futuros.

MODERADOR:  Jessica.

PERGUNTA:  Qual é a sua avaliação de como o governo interino tem se comportado?  Eles são uma decepção?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Desculpa.  Não ouvi a primeira [pergunta].

PERGUNTA:  Como você avalia o desempenho do governo interino?  Você leva em consideração o fato de que eles voltaram atrás em algumas de suas promessas, como de não concorrer a um cargo, não fazer grandes mudanças – isso é uma decepção?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Eu não usaria essa caracterização.  Em 10 de novembro, o ex-presidente Morales renunciou e o vice-presidente também renunciou.  Passando pela lista de sucessão constitucional, o presidente do Senado renunciou.  O segundo – primeiro vice-presidente do Senado renunciou, e o presidente da Câmara renunciou.  Isso deixou na sucessão constitucional a segunda vice-presidente do Senado, que era Jeanine Anez, atual chefe do governo de transição.

Antes de 10 de novembro, ela não fazia ideia de que poderia ser presidente.  Ela foi empossada em 12 de novembro.  Houve alguns incidentes de segurança.  Acho que ela teve que se esconder.  O gabinete foi empossado, eu acho que no dia 12 ou 14.  Muitos deles ainda nem se conheciam.  Mas o que eles foram capazes de fazer é chegar a um acordo com os novos líderes do MAS no Senado e na Câmara dos Deputados, chegar a um acordo sobre um calendário eleitoral para ajudar a pacificar o país, para acalmar o povo.  Foi uma conquista realmente brilhante.  Eles marcaram uma data para as eleições.  Eles concordaram sobre um órgão eleitoral.  Para um governo que é de transição, essa era a sua principal função e eles fizeram isso.

Agora, enquanto isso, o país ainda precisa ser governado até as eleições de maio, e há um debate sobre os limites do que o governo de transição deve fazer.  Mas o fato de terem feito o principal trabalho de definir um calendário eleitoral e colocar isso em prática eu acho que é uma conquista incrível.  E foi feito pacificamente.

Senhora.

MODERADOR:  Sim, Kim.

PERGUNTA:  Olá.  Kim Dozier do TIME.   Peço desculpas se você falou sobre isso em suas observações.  Mas eu gostaria de saber, da sua posição, como a América Latina está posicionada para um surto de coronavírus?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Não posso falar sobre a América Latina, mas posso falar sobre a Bolívia.  A Bolívia não teve nenhum caso de coronavírus.  Infelizmente, o que houve foi um grave surto de dengue.  E a geografia da Bolívia é tal que nas montanhas de La Paz, você não tem mosquitos porque eles não podem sobreviver nessa altitude.  Mas nas planícies orientais de Santa Cruz, uma cidade de dois milhões de pessoas, é tropical e há um violento e virulento surto de dengue, e várias pessoas morreram.  Acho que chega a 20 e 30, mas pode ser subestimado porque alguns casos de dengue são assintomáticos.

Até agora, mesmo havendo muitas viagens internacionais entre a Ásia, ou mesmo os Estados Unidos e o resto da América do Sul, o coronavírus não apareceu.  Então, quando as pessoas falam sobre corona, nós voltamos e falamos sobre dengue, o que é um perigo.

PERGUNTA:  Mas eu gostaria de saber, se o sistema de saúde é atingido por algum tipo de pandemia, eles têm recursos para combatê-lo?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Acho que seria difícil para qualquer país combater isso, incluindo o nosso.  Mas eu não sou um profissional de saúde.

PERGUNTA:  O que você acha —

MODERADOR:  Com licença, quem é você?

PERGUNTA: (Inaudível) da imprensa estrangeira – AFP.

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  OK.

PERGUNTA:  Eu gostaria de saber como você vê a Jeanine Anez como uma futura candidata?  O que os Estados Unidos pensam sobre ela se candidatar à presidência?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Ela fez um bom trabalho como presidente de transição, e eu acho que, novamente, temos uma data para as eleições.  Há paz no país e o país está avançando.  Agora, eu não vou avaliar diferentes candidatos simplesmente porque eu sou um americano, e isso é algo que os bolivianos devem fazer.  Mas…

PERGUNTA:  Ela disse que não estava se candidatando.  É por isso, ela mudou depois.

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Inicialmente, ela disse que não iria se candidatar.  Posteriormente, ela decidiu pela candidatura.  Essa é a decisão dela.  Mas, novamente, não apoiamos ou nos opomos a nenhum candidato.  O que importa na democracia é que os governados decidem.  Portanto, não vou opinar quanto aos méritos dela contra algum outro candidato.  Trabalharemos com outros, qualquer que seja o governo boliviano eleito em 3 de maio ou 14 de junho e empossado mais tarde.

MODERADOR:  OK.  Humeyra.

PERGUNTA:  Oi, e me desculpe se você falou sobre isso antes, mas eu queria perguntar sobre o interesse chinês na indústria de lítio.  Eles assinaram um acordo, mas isso foi no ano passado, e tivemos um – eu sou da Reuters – tivemos uma entrevista com a estatal, e eles disseram que estão olhando para várias opções, várias parcerias.  É isso – e que a parceria chinesa estava sendo reavaliada.  Isso é um ponto de preocupação para os EUA?  E se for, o que está fazendo para combater essa influência chinesa lá?  Obrigado.

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  O acordo com a China é um acordo que foi assinado no governo do Morales.  Mais outro foi feito – assinado com os alemães.

PERGUNTA:  Alemanha?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  O governo do Morales assinou um acordo com os alemães e depois o renunciou antes das eleições na esteira dos protestos no departamento de Potosi.  O acordo com a China, eu acho, é simplesmente – tem a ver com uma região das vastas planícies de sal do Salar de Uyuni.  Mas, em muitos aspectos, pelo menos no meu ponto de vista, o mais importante é o acordo com a Alemanha, que ainda está no ar, incerto.  Os alemães forneceriam a tecnologia para explorar as reservas de lítio da Bolívia, que têm uma boa quantidade de umidade, e retirar a umidade para poder refiná-las com maior facilidade, semelhante ao menor teor de umidade dos depósitos de lítio da Argentina e do Chile.  A Bolívia possui reservas massivas de lítio.  A umidade o torna um desafio tecnológico.  É por isso que o acordo com a Alemanha, em muitos aspectos, é mais importante do que o acordo com a China.

PERGUNTA:  Então, de certa forma, o acordo com a Alemanha é algo que vocês realmente apoiam ou incentivam ou gostariam que acontecesse?  É isso que você quer dizer?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Apoiaríamos a ideia de a Bolívia ter a tecnologia para explorar suas reservas de lítio.

PERGUNTA:  Sim.  E eles fazendo um acordo com a China, isso lhe preocuparia?  Ou…

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Eu não acredito que a China realmente tenha – eu acho que é uma maçã e uma laranja, porque a tecnologia chinesa é – o acordo com a China não é baseado em uma transferência de tecnologia.

PERGUNTA:  Certo, é só extração.

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Sim.

PERGUNTA:  E assim…

PEGUNTA:  Ah, OK, é por isso – o acordo com a Alemanha é melhor para os EUA, eu acho, o acordo com a Alemanha é melhor.  Faz – está alinhado com o que você estava dizendo anteriormente…

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Acredito que, como um acordo com uma empresa dos EUA, é sempre melhor para os EUA, mas a Bolívia no final precisa da tecnologia.

MODERADOR:  Ok, mais uma ou duas [perguntas].

PERGUNTA:  Eu só tenho uma pergunta sobre as reuniões aqui em Washington, qual é o clima nisso – como muitas pessoas voltam, quero dizer, há um monte de cargos interinos agora no Departamento de Estado, inclusive na sua agência.  Isso afeta o seu trabalho?  O governo continua cortando o orçamento para as relações exteriores em grandes quantidades a cada ano.  Isso está tendo um impacto?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Deixe-me colocar desta forma: eu só estou falando em nome do Bureau para os Assuntos do Hemisfério Ocidental (WHA), e eu trabalho no departamento há 35 anos, mas as pessoas com quem trabalho no WHA que lidam com a Bolívia, eu conheço há duas ou três décadas – talvez duas.  Portanto, eu já trabalhei com eles antes.  Trabalhamos bem juntos, e é baseado em confiança mútua.  Não há microgestão.  Ao mesmo tempo, nos mantemos informados.  Então, do meu ponto de vista, as coisas estão funcionando bem.

MODERADOR:  Ótimo.  Mais uma [pergunta].

PERGUNTA:  Pelo que entendi, o Morales mantém uma certa influência, mesmo de sua posição na Argentina, nos candidatos do MAS.  Você está preocupado que os candidatos não estejam agindo por conta própria, mas realmente a seu mando?

ALTO FUNCIONÁRIO DO DEPARTAMENTO DE ESTADO:  Fico feliz que tenha tocado nisso.  Na verdade, o que estamos vendo dentro do MAS é uma divisão.  E há vários nomes quanto aos dois lados, mas um campo é o campo argentino dominado pelo Morales, onde ele tem alguns de seus ex-ministros, e eles tomam decisões de Buenos Aires sobre o que acontecerá na distante Bolívia.  O outro campo é composto por ex-parlamentares do MAS, muitos dos quais, ou quando estavam no Congresso, nunca tiveram a chance de falar com o Evo.  Eles simplesmente recebiam ordens sobre o que ele fez.  Essa era a estrutura do partido.

Eles estão embarcando em um movimento independente dizendo que as decisões devem ser tomadas na Bolívia e pelos bolivianos.  E essa é uma evolução muito interessante, eu acho.  E assim estamos vendo uma série de pontos de vista dentro do MAS sobre como o partido deve seguir em frente, e isso beneficia a democracia.  Beneficia a democracia dentro do MAS; beneficia a democracia dentro da Bolívia.

MODERADOR:  Obrigado.

PERGUNTA:  Obrigado.

[1] Tribunal Supremo Electoral


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
Atualizações de E-mail
Para se inscrever para atualizações ou acessar suas preferências de assinante, digite abaixo suas informações de contato.