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Coletiva de Imprensa por Telefone com Elliott Abrams, Representante Especial dos eua para a Venezuela

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Departamento de Estado dos Estados Unidos
Para Divulgação Imediata
2 de abril de 2020
Teleconferência
Elliott Abrams
Representante Especial para a Venezuela

 

Moderador: Saudações a todos do Centro de Mída das Américas do Departamento de Estado dos EUA em Miami, Flórida. Gostaria de receber nossos participantes que ligaram dos Estados Unidos e de toda a região e agradecemos sua paciência. Queríamos dedicar mais alguns minutos para os jornalistas se juntarem a esta ligação hoje.

Esta é uma coletiva liberada para publicação com Elliott Abrams, Representante Especial dos EUA na Venezuela, sobre o anúncio recente do Departamento de Estado sobre o quadro de transição democrática para a Venezuela. O Representante Especial Abrams fará um pronunciamento de abertura e depois responderá a perguntas dos jornalistas participantes.

Temos o prazer de oferecer tradução simultânea em espanhol e português para esta coletiva. Gostaria de pedir a todos que tenham isso em mente e falem devagar.

Agora, vou passar a palavra para o Representante Especial Abrams.

Representante Especial Abrams: Obrigado, Namita. Deixe-me fazer algumas observações para começar. A terrível crise política e econômica da Venezuela deve acabar para que o país possa voltar à democracia e começar a se recuperar. Os milhões de venezuelanos que tiveram que deixar seu país devem ter esperança de encontrar uma razão para voltar. Os Estados Unidos acreditam que isso não é possível enquanto o regime de Maduro permanecer no poder. E também sabemos que os venezuelanos precisam seguir um caminho que trate todas as partes de maneira justa e forneça garantias para o futuro.

Então, nesta semana, anunciamos um quadro para uma transição democrática. O esboço básico é simples: pedimos um governo de transição que governe de nove a 12 meses e faça eleições presidenciais e parlamentares livres e justas. Os Estados Unidos reconhecerão os resultados de uma eleição livre e justa, independentemente de qual partido vencer. Nossa oposição é ao abuso do poder estatal que permite que uma parte governe indefinidamente. A Assembleia Nacional sob nossa proposta elegeria quatro membros de um Conselho de Estado – dois da coalizão democrática liderada por Juan Guaido e dois do PSUV – o PSUV, o partido Chavista do governo – com vetos mútuos. Cada um dos quatro deve ser aceitável para ambos os lados, e esses quatro selecionariam uma quinta pessoa que atuaria como presidente interino. E essa pessoa, na nossa proposta, não poderia concorrer à presidência nessas eleições. Esta proposta segue sugestões da equipe que representou Juan Guaido e a Assembleia Nacional no ano passado em Barbados e foi repetida por Guaido no fim de semana passado.

A Venezuela também precisa de uma reforma em sua suprema corte e na comissão eleitoral nacional. E novos membros sob nossa proposta seriam escolhidos pela Assembleia Nacional, novamente, com cada lado tendo poder de veto. A Assembleia Nacional Constituinte seria dissolvida. Direitos políticos básicos precisariam ser respeitados, então, a censura chegaria ao fim, todos os presos políticos ganhariam a liberdade, membros exilados da Assembleia Nacional deveriam retornar e as forças de segurança estrangeiras teriam que deixar o país. Os Estados Unidos suspenderiam sanções pessoais relacionadas aos indivíduos que ocupam cargos no regime. Por exemplo, na suprema corte atual, sanções seriam suspensas quando o indivíduo deixar o cargo que ocupa. Isso vale para membros do gabinete e militares também quando –

Moderador: Desculpe interromper, senhor. Nunca tivemos que fazer isso, mas, infelizmente, me disseram que ninguém consegue ouvir nada na linha de tradução em espanhol ou português. Posso pedir que o senhor faça uma pausa apenas por um momento enquanto tento descobrir com a AT&T qual é o problema?

Representante Especial Abrams: Claro. Sim.

Moderador: Sei que todos podem nos ouvir. AT&T, como você pode nos ajudar a resolver isso, por favor?

[Pausa.]

OK. Acho que precisamos apenas prosseguir em inglês, por favor. Representante Especial Abrams, por favor, prossiga. Sinto muito.

Representante Especial Abrams: Ok, eu vou. E, se você deseja agendar outra ligação fora do centro de mídia para aqueles que estão tentando ouvir em espanhol e português em outro horário, hoje ou amanhã, podemos fazer isso.

Moderador: Ou podemos fornecer uma tradução da sua transcrição, senhor.

Representante Especial Abrams: Ok.

Moderador: É isso que faremos. OK? Tudo certo.

Representante Especial Abrams: Ok. Onde eu estava – eu estava dizendo que quando os indivíduos que ocupam cargos na Assembleia Constituinte, na suprema corte e no conselho eleitoral deixarem esses cargos, as sanções contra eles que se baseiam nos cargos serão suspensas.

Assim que o Conselho de Estado estiver em vigor e governando, e as forças de segurança estrangeiras tiverem ido embora, os Estados Unidos suspenderão sanções contra o governo, a PDVSA e o setor de petróleo. E essas sanções serão revogadas permanentemente quando as eleições forem realizadas e, é claro, os observadores concordarem que elas foram livres e justas.

Então, novamente – e nós respeitaremos – os Estados Unidos respeitarão o resultado de uma eleição livre e justa, independentemente de quem vencer. Os militares obviamente desempenharão um papel importante na Venezuela para determinar como serão as mudanças pacíficas e para moldar o futuro. Hoje, a polícia e os militares venezuelanos estão sofrendo, como todos os cidadãos. Eles mal podem se dar ao luxo de alimentar suas famílias e não podem pagar por cuidados médicos ou medicamentos. A Venezuela enfrenta um grande desafio de segurança de traficantes de drogas, grupos terroristas e quadrilhas criminosas. E precisa de forças de segurança mais bem pagas, treinadas e equipadas para proteger as fronteiras da nação e manter a paz. O apoio das forças armadas a essa estrutura de transição democrática seria um passo fundamental nessa direção.

Também chamamos – último ponto – também pedimos uma comissão da verdade e reconciliação e uma lei de anistia, como aconteceu em todos os países que saíram de um governo ditador para a democracia. E pedimos que, assim que o Conselho de Estado assumir o governo interino, a comunidade internacional e as instituições financeiras internacionais iniciem programas para ar a Venezuela a lidar com a crise, especialmente com foco em água, eletricidade e sistema de saúde.

Esse é o plano básico. Obviamente, há mais detalhes. Mas a maioria das perguntas que surgem, é claro, deve ser respondida pelos venezuelanos, pois esperamos que eles trabalhem juntos por um futuro melhor. Obrigado e teremos prazer em responder a algumas perguntas.

Moderador: Obrigado por isso e obrigado a todos por sua paciência com nossas dificuldades técnicas hoje. Neste momento, iniciaremos a parte de perguntas e respostas da ligação de hoje. Para aqueles que falam inglês, indique seu nome e afiliação e limite-se a uma pergunta relacionada ao tópico da coletiva de hoje.

Nossa primeira pergunta foi enviada com antecedência e é de André Spigariol, da CNN Brasil. A pergunta é a seguinte: “Nicolas Maduro já rejeitou o plano proposto pelo Departamento de Estado. Na região, não há diálogo entre Maduro e a Colômbia e o Brasil. Sob essas condições, qual ator poderia colocar a proposta na mesa de negociações entre as duas partes?”

Representante Especial Abrams: Obrigado. Primeiro, a rejeição imediata por Maduro ou por um porta-voz de Maduro era óbvia, previsível. Nós imaginamos que isso iria acontecer. O que é realmente importante não é o que eles dizem em público; é o que acontece em privado dentro do governo, dentro do regime, dentro do partido e do movimento Chavista, dentro do exército, enquanto as pessoas olham para a proposta e pensam sobre o que isso pode significar para a Venezuela e o que pode significar para eles mesmos.

Quem poderia colocar isso em cima da mesa para negociação? Bem, a igreja é certamente uma possibilidade. Eu acho que a possibilidade mais lógica pode ser a Noruega, que liderou as negociações – ou sediou as negociações no ano passado em Oslo e Barbados. Mas se o regime estiver disposto a pensar sobre a prosposta e negociar, isso provavelmente não será um problema.

Moderador: Ok. Nossa próxima pergunta é de Alejandra Arredondo, da Voice of America.

Pergunta: Olá, Representante, obrigada pela coletiva. Minha pergunta é: na possibilidade de eleições livres e justas mencionadas em seu plano, Nicolas Maduro poderia concorrer a essas eleições? E a outra pergunta que tenho é por que, no quadro de transição, está especificado que a Colômbia, o Peru e outros países desistiriam da denúncia ao Tribunal Internacional? Muito obrigada.

Representante Especial Abrams: Obrigado. O plano que elaboramos sugere que existe apenas uma pessoa na Venezuela que não pode concorrer, e esta pessoa é quem servirá como presidente de transição, o presidente interino, sob o Conselho de Estado. E adotamos essa visão porque, em uma situação frágil como a da Venezuela, pensamos que ninguém iria acreditar que alguém iria governar e também ser candidato e tudo seria justo. Então, sim, Nicolas Maduro poderia correr, Juan Guaido poderia correr. Analisamos um ano de pesquisas de opinião e o índice de aprovação de Nicolas Maduro está entre 12 e 15%, por isso pensamos que, em uma eleição livre, ele tem zero chance de ganhar, e foi por isso que o Secretário Pompeo disse que ele não governará a Venezuela de novo.

Quanto à denúncia ao Tribunal Penal Internacional, pensamos que essa é uma parte da situação que deveria – que faz parte da crise atual e deve ser removida assim que o país começar a se preparar para uma abertura democrática e, então, entrar num processo democrático.

Moderador: Ok. Nossa próxima pergunta é – foi enviada previamente por Mikhail Turgiev, da RIA Novosti, da Rússia: “A antiga Rosneft russa, hoje Rosneft Trading, não tem nada a ver com a Venezuela. Isso significa que vocês podem acabar com as sanções impostas a esta última? Quando o senhor espera que isso possa ser considerado?

Representante Especial Abrams: Em princípio, isso está correto. Se a Rosneft Trading não tem nada a ver com a Venezuela, as sanções baseadas em sua conduta na Venezuela ou com relação à Venezuela devem ser suspensas. Ainda não sei se isso é verdade. Eu vi os relatórios da imprensa, mas eu – não está claro para mim, por exemplo, se legalmente a transferência de atividades ocorreu, a transferência de fundos do estado russo, a transferência de atividades para uma nova empresa que aparentemente estava sendo formada para assumir essas atividades. Vamos julgar isso. O que aconteceu com as atividades da Rosneft com petróleo venezuelano, com as negociações de petróleo venezuelano?

Se é fato que a Rosneft Trading não está mais envolvida, as sanções serão suspensas, sim.

Moderador: Nossa próxima pergunta é de Emmanuel Villalobos, da TV Venezuela Network.

Pergunta: Bom dia, Sr. Abrams. Obrigado por nos atender. O caso venezuelano passou de uma causa política para uma causa criminal e isso endureceu o caso. Diosdado Cabello disse ontem em seu programa de TV que os Estados Unidos estão transformando em piada aqueles que acreditam em intervenção militar. Literalmente, ele disse: “Se eles colocarem um pé lá, iremos contra eles”. Isso é considerado uma ameaça se o regime de Nicolas Maduro interferir em operações contra o tráfico de drogas [inaudível]? Qual será o cenário?

Representante Especial Abrams: Obrigado. Bem, duas coisas lá. Primeiro, as acusações do Departamento de Justiça – essas são acusações muito sérias contra Maduro, Cabello e outros. São acusações de tráfico de drogas. É difícil pensar em algo muito mais sério do que isso. E as acusações foram feitas porque esses indivíduos ganharam milhões, dezenas de milhões, provavelmente centenas de milhões de dólares ao permitir o tráfico de drogas. Ou seja, basicamente eles aceitam suborno para permitir que as drogas passem pela Venezuela e depois para o norte pelo Caribe. Isso não é brincadeira nem piada.

Como você sabe, ontem o presidente Trump e o Secretário de Defesa anunciaram atividades adicionais no lado do Caribe e do Pacífico com o objetivo de interromper as atividades de tráfico de drogas, e sabemos que essas atividades continuam. Todos os que estão nesta ligação hoje devem estar preocupados principalmente com a crise do coronavírus, a crise política na Venezuela e a crise econômica. Traficantes de drogas não estão. Eles continuam suas atividades. E, portanto, essas atividades militares têm como objetivo detê-los, interferir no que estão fazendo.

Quanto à possibilidade de interferência venezuelana nessas operações, acho que é francamente inconcebível. Acho que as forças armadas venezuelanas têm profissionais inteligentes que podem medir a capacidade das forças armadas venezuelanas de hoje, após anos e anos de orçamentos inadequados. E acho que eles são inteligentes demais para entrar em um confronto com os Estados Unidos.

Moderador: Nossa próxima pergunta vem de Natasha Niebieskikwiat, do Clarín, da Argentina. Foi enviada previamente. “Por que o seu governo inclui a Argentina entre os que apoiam a recente iniciativa do presidente Trump, chamada de Quadro Democrático para a Venezuela? O governo argentino não apoiaria essa iniciativa. Então, qual é, Sr. Abrams, a posição do governo argentino? Nicolas Maduro ligou para o presidente Alberto Fernandez para agradecer sua posição na questão da Venezuela. E não é a mesma que a dos Estados Unidos.”

Representante Especial Abrams: Obrigado. Uma coisa que ficou clara sobre a posição da Argentina é que a Argentina apoia a democracia em toda a América Latina. E o presidente Fernandez falou várias vezes sobre a necessidade de abertura democrática na Venezuela.

Qual é exatamente a reação oficial à proposta americana nesta semana? Isso realmente não é uma pergunta para mim. É uma pergunta para porta-vozes do governo da Argentina.

Mas nós temos – posso lhe dizer isso, há uma comunicação muito aberta e fluida entre o governo dos Estados Unidos e o governo da Argentina. E sabemos que a Argentina apoia procedimentos democráticos na Venezuela e em qualquer outro lugar.

Moderador: Nossa próxima pergunta é de Michael Scott, do Financial Times.

Pergunta: Olá. Você pode me ouvir?

Representante Especial Abrams: Sim.

Moderador: Sim, podemos. Por favor, prossiga.

Pergunta: Ok. Sim, obrigado, Sr. Abrams, por esta coletiva. Eu só queria perguntar novamente sobre a operação militar que o presidente Trump anunciou ontem em relação ao Caribe. Agora, essa operação foi anunciada como uma operação antinarcóticos, mas eu me pergunto se os ativos que estão sendo implantados lá também poderiam ser potencialmente usados ​​para um bloqueio naval da Venezuela, algo sobre o qual o presidente falou antes; ou para algum tipo de operação semelhante à invasão do Panamá em 1989 contra o general Noriega, que também enfrentou acusações semelhantes às do presidente Maduro. Obrigado.

Representante Especial Abrams: Obrigado. Bem, você vê a política americana na proposta que fizemos na terça-feira. É por uma abertura política democrática e pacífica na Venezuela que levaria a um governo de transição, onde ambos os lados estariam politicamente representados de maneira justa.

Você está fazendo uma pergunta realista, eu acho, sobre se as forças militares podem ser usadas de diversas maneiras. E suponho que a resposta factual para isso seja, é claro que elas podem ser usadas de diversas maneiras.

Mas elas estão lá para interditar as enormes quantidades de drogas que estão vindo em direção ao nosso país, principalmente através da Venezuela e, em muitos casos, com a cooperação do regime.

E temos muitos exemplos disso em que, por exemplo, os voos de tráfico drogas são interrompidos na Venezuela se não houver pagamento de funcionários do regime e são permitidos se houver pagamento. E vimos um aumento real nos últimos dois anos no número desses pequenos aviões voando para o norte da Venezuela carregando drogas.

Claro, essa não é a única maneira que as drogas chegam aos Estados Unidos. Mas o presidente está determinado a interferir no uso do Caribe como um caminho para trazer drogas para os Estados Unidos.

Moderador: Nossa próxima pergunta é de Carla Angola, da EVTV.

Ok, seguiremos em frente com uma pergunta enviada com antecedência. A próxima pergunta é de Mario Vallejo, da Univision: “Senhor, qual seria a outra opção se Maduro não aceitar essa proposta?”

Representante Especial Abrams: Bem, nós sabemos, claro, que ele pode rejeitar a proposta. Mas isso, como eu disse, é previsível. E achamos que a verdadeira questão é o que acontecerá nas próximas semanas enquanto as pessoas na Venezuela pensam sobre a proposta.

Receio que a outra opção em um futuro próximo seja a terrível situação na Venezuela continuar e até piorar. Você viu Maduro apelar para o FMI por um empréstimo de US$ 5 bilhões. E o FMI imediatamente rejeitou o pedido, dizendo que não tinha – a Venezuela não tinha um governo que tivesse reconhecimento internacional.

Portanto, se o regime de Maduro permanecer no poder, pode-se prever, acho, maiores problemas econômicos e sociais para a Venezuela, e é por isso que esperamos que exista uma grande quantidade de mensagens públicas e privadas no regime. E pedimos a vários governos que enviassem essas mensagens, sugerindo que essa é uma oportunidade, uma abertura verdadeira para a Venezuela se envolver e tentar encontrar soluções para os problemas do país.

Moderador: Nossa próxima pergunta é de Stefano Pozzebon, da CNN.

Pergunta: Obrigado, representante especial, por falar conosco. Minha pergunta é relacionada às acusações do Departamento de Justiça. Nos últimos dias, ouvimos, tanto do pessoal do Departamento de Estado quanto do pessoal do Departamento de Justiça, que o sistema de justiça nos Estados Unidos é independente e que as acusações são diferentes do quadro proposto pelo Departamento de Estado.

O senhor vê essas acusações fazendo parte de uma negociação com Maduro e seu círculo íntimo? O senhor vê isso como uma maneira de forçar Maduro a se aproximar da mesa de negociações? Ou o senhor realmente as vê como duas negociações diferentes – completamente diferentes, e que, mesmo que Maduro renuncie ao poder, ele ainda terá que enfrentar as acusações apresentadas pelo Departamento de Justiça?

Representante Especial Abrams: Obrigado. Obrigado. Nós – no sistema americano, a instauração de acusações criminais é completamente independente da política externa. Nós, no Departamento de Estado, fomos informados de que os advogados dos EUA na Flórida e em Nova York estariam trazendo essas acusações.

Não nos pediram nossa opinião ou nossa permissão, porque esse não é o sistema americano. Nem podemos negociar essas acusações.

Ou seja, nós do Departamento de Estado podemos entrar em negociações políticas com outros regimes, outros governos e outras embaixadas estrangeiras. Mas, quando as pessoas fazem perguntas sobre acusações, o que dizemos é que você precisa conversar com o Departamento de Justiça. Não podemos negociar essas acusações.

O que muitas pessoas fazem na Venezuela, já que essas não são as primeiras acusações de tráfico de drogas e outros crimes, muitas pessoas contratam advogados e começam a negociar com o Departamento de Justiça.

Não conheço todos esses casos, mas conheço alguns deles, e lá – você ficaria surpreso com o número de funcionários do regime nos últimos anos que, de fato, contrataram advogados para iniciar um processo de negociação no Departamento de Justiça.

Não temos um tratado de extradição com a Venezuela, então, acho que é verdade que se as pessoas que estão sob acusação nunca deixarem a Venezuela ou apenas forem para países com os quais também não temos tratados de extradição – por exemplo, Cuba e Rússia – eles não poderiam ser alcançados pelo nosso sistema de justiça.

Mas nós os vemos como questões separadas. A acusação trata de Maduro como indivíduo. A proposta trata da Venezuela como um país, como um governo, como uma sociedade.

Obrigado.

Moderador: Nossa próxima pergunta vem de Dmitry Kirsanov, da TASS.

Pergunta: Oi, vocês podem me ouvir?

Representante Especial Abrams: Sim.

Moderador: Sim, podemos.

Pergunta: Sr. Embaixador, obrigado por essa ligação. Eu queria perguntar se o governo dos EUA está em contato com o presidente Nicolas Maduro sobre sua estrutura, se você teve algum contato direto com ele ou seu círculo, por assim dizer, em relação a tudo isso?

Representante Especial Abrams: Obrigado. Obviamente, a proposta foi divulgada na terça-feira. Não tem muito tempo. Mas a resposta é: Não, não temos essa relação com o regime Maduro.

Como vocês sabem, a embaixada dos EUA em Caracas foi fechada. Os diplomatas dos EUA foram retirados e os representantes do regime Maduro foram retirados de Washington. A equipe de Juan Guaido, porque agora ele é respeitado por 58 países como o presidente interino legítimo da Venezuela, o embaixador de Juan Guaido está em Washington. Nós não temos [ninguém ns Venezuela].

Tivemos contato sobre a situação na Venezuela com a Rússia, com o governo da Rússia sobre a situação lá e a proposta americana. Não tivemos contato com o regime Maduro.

Moderador: Nossa próxima pergunta vem de Josh Goodman, da AP.

Pergunta: Olá, Representante Especial Abrams. Como o senhor está?

Representante Especial Abrams: Bem, obrigado.

Pergunta: Gostaria de saber se o senhor poderia nos dizer sua reação aos comentários do general aposentado Cliver Alcala antes que ele se rendesse. Ele disse que tinha um contrato com o governo Juan Guaido para libertar a Venezuela. O senhor sabe do que ele estava falando? E o senhor ou qualquer outra autoridade dos EUA se reuniu com ele desde que ele está vivendo bem livremente na Colômbia durante os últimos dois anos?

Representante Especial Abrams: Nunca me encontrei com Cliver Alcala. Não posso dizer se alguma autoridade americana já se encontrou com ele.

É bem claro, eu acho, que a alegação descontrolada que ele fez enquanto ainda estava em Bogotá contra Juan Guaido é uma mentira, porque Guaido não está envolvido em nenhuma forma de violência ou busca por qualquer forma de violência ou golpe militar.

O que ele está buscando é o que ele propôs em Barbados no ano passado. E aquela proposta serviu de base para construirmos a proposta dos EUA, que é um governo de transição.

Acho que as acusações que Alcala disparou quando estava em Bogotá foram realmente desprezíveis e bastante perigosas e, realmente, cerca de 24 horas depois, ele se rendeu aos Estados Unidos e deixou a Colômbia.

Presumivelmente, descobriremos mais – ou pelo menos o Departamento de Justiça descobrirá – sobre o que ele estava fazendo na Colômbia. Mas acho que claramente ele estava disposto a fazer essas acusações terríveis pelo regime e depois percebeu que seria melhor sair da Colômbia e chegar a um lugar onde pelo menos ele estivesse fisicamente seguro, que eram os Estados Unidos.

Moderador: Nossa última pergunta vem – ou devo dizer que temos tempo para uma última pergunta, e a última pergunta vem de Gabriela Perozo, da VPI TV.

Pergunta: Olá, muito obrigada pela oportunidade. Qual é a posição dos Estados Unidos sobre a reunião realizada na semana passada entre Delcy Rodriguez e o primeiro-ministro de Trinidad e as sanções impostas a ela? Ontem, conversamos com o Sr. Story, e ele disse que os Estados Unidos têm contato com algumas pessoas relacionadas a Maduro. Jorge Arreaza é um deles. O senhor pode explicar um pouco mais? Muito obrigada.

Representante Especial Abrams: Bem, achamos que, por causa das sanções contra Delcy Rodriguez, ela não deve ser recebida em lugar algum. Como você sabe, houve uma controvérsia – ainda existe – na Espanha sobre sua visita algumas semanas atrás.

Tornou-se um assunto polêmico na política espanhola porque, sob as sanções da UE, nenhum país da UE deve permitir que ela entre no país. Portanto, esperamos que os países não permitam que ela faça essas visitas.

Quanto aos contatos, sempre haverá alguns contatos com o regime. Pelo menos porque – bem, há várias razões. Por um lado, eles mantêm um assento nas Nações Unidas; portanto, é necessário que haja comunicação entre nosso encarregado, Sr. Story, e Arreaza sobre coisas como visitas à sede da ONU, participação em delegações da ONU, o fato de que eles têm uma missão da ONU em Nova York. Portanto, esses contatos continuam.

Também temos uma presença – uma presença física em Caracas, onde estão todos os prédios que faziam parte da embaixada dos EUA e as residências em que os diplomatas americanos moravam. Portanto, também há comunicações periódicas sobre isso.

E também pode haver comunicação por outros motivos práticos. Por exemplo, o tratamento de cidadãos americanos que vivem na Venezuela e atualmente podem querer deixar a Venezuela.

Então, esses tipos de comunicações muito práticas ocorrem e continuarão ocorrendo. Mas não temos diálogo com o regime sobre questões políticas mais amplas no momento.

Nós dissemos que, se uma negociação política for reiniciada, com base em nosso plano ou em qualquer – realmente qualquer plano sobre a volta da democracia na Venezuela, os Estados Unidos procurarão fazer com que esses sejam um sucesso e faremos o que pudermos, assim como sabemos que muitos, muitos outros governos tentariam tornar essas negociações frutíferas e bem-sucedidas.

Obrigado.

Moderador: isso conclui a teleconferência de hoje. Quero agradecer ao representante especial Abrams por se juntar a nós e agradecer a todos os jornalistas pela participação. Agradeço especialmente a todos pela paciência com as dificuldades técnicas que enfrentamos hoje.

Se você tiver alguma dúvida sobre a ligação de hoje, entre em contato com o Centro de Mídia de Miami pelo e-mail [email protected].

Informações sobre como acessar a gravação em inglês desta chamada serão fornecidas pela AT&T em breve. Obrigado e tenham um bom dia.


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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