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Abordagem estratégica dos Estados Unidos para a República Popular da China

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Casa Branca
Escritório do Secretário de Imprensa
Para divulgação imediata
20 de maio de 2020

 

Introdução

Desde que os Estados Unidos e a República Popular da China (RPC) estabeleceram relações diplomáticas em 1979, a política dos Estados Unidos em relação à RPC teve como premissa a esperança de que o aprofundamento do engajamento estimulasse uma abertura econômica e política essencial na RPC e a levasse a emergir como uma nação global mais construtiva e responsável, dona de uma sociedade mais aberta. Mais de 40 anos depois, ficou evidente que essa abordagem subestimou a vontade do Partido Comunista Chinês (PCC) de restringir o escopo das reformas econômica e política na China. Nas últimas duas décadas, as reformas desaceleraram, paralisaram ou retrocederam. O rápido desenvolvimento econômico da RPC e o aumento do envolvimento com o mundo não levaram a uma convergência com a ordem livre, aberta e centrada no cidadão, como os Estados Unidos esperavam. O PCC optou por explorar a ordem livre e aberta baseada em regras e tentar remodelar o sistema internacional a seu favor. Pequim reconhece abertamente que procura transformar a ordem internacional para que se alinhem aos interesses e ideologias do PCC. O uso crescente dos poderes econômico, político e militar pelo PCC que visa obrigar a aquiescência de Estados-nação prejudica interesses vitais dos Estados Unidos e mina a soberania e a dignidade de países e indivíduos ao redor do mundo.

Para responder ao desafio de Pequim, o governo adotou uma abordagem competitiva para a RPC, com base em uma avaliação clara das intenções e das ações do PCC, na reavaliação das muitas vantagens e deficiências estratégicas dos Estados Unidos e na tolerância a maiores atritos bilaterais. Nossa abordagem não tem como premissa determinar um estado final específico para a China. Em vez disso, nosso objetivo é proteger os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos, conforme articulados nos quatro pilares da Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos da América (NSS, na sigla em inglês), de 2017. Nós queremos: (1) proteger o povo americano, a pátria e nosso modo de vida; (2) promover a prosperidade americana; (3) preservar a paz através da força; e (4) promover a influência americana.

Nossa abordagem competitiva para a RPC tem dois objetivos: primeiro, melhorar a resiliência de nossas instituições, alianças e parcerias a fim de prevalecer contra os desafios que a RPC apresenta; e, segundo, obrigar Pequim a interromper ou reduzir ações prejudiciais aos interesses vitais e nacionais dos Estados Unidos e aos de nossos aliados e parceiros. Mesmo competindo com a RPC, estamos abertos à cooperação onde nossos interesses se alinham. A competição não precisa levar a confronto ou conflito. Os Estados Unidos têm um profundo e permanente respeito pelo povo chinês e desfrutam de laços de longa data com o país. Não procuramos conter o desenvolvimento da China, nem desejamos nos separar do povo chinês. Os Estados Unidos esperam se engajar em uma concorrência justa com a RPC, pela qual ambos os países, empresas e indivíduos possam desfrutar de segurança e prosperidade.

Prevalecer na concorrência estratégica com a RPC exige um envolvimento cooperativo com várias partes interessadas, e nosso governo está comprometido em construir parcerias para proteger nossos interesses e valores compartilhados. Dentre os parceiros vitais deste governo estão o Congresso, governos estaduais e locais, o setor privado, a sociedade civil e a academia. O Congresso tem se manifestado através de audiências, declarações e relatórios que lançam luz sobre o comportamento maligno do PCC. O Congresso também fornece autoridades legais e recursos para o governo dos Estados Unidos tomar as ações necessárias para alcançar nossos objetivos estratégicos. O governo também reconhece os passos que os aliados e parceiros têm adotado para desenvolver abordagens mais claras e robustas em relação à RPC, incluindo a publicação da União Europeia em março de 2019 da UE-China: uma perspectiva estratégica, entre outros.

Os Estados Unidos também estão construindo parcerias cooperativas e desenvolvendo alternativas positivas com aliados estrangeiros, parceiros e organizações internacionais para apoiar os princípios compartilhados de uma ordem livre e aberta. Especificamente para a região do Indo-Pacífico, muitas dessas iniciativas são descritas em documentos como o Relatório de Estratégia Indo-Pacífico do Departamento de Defesa, de junho de 2019, e o relatório do Departamento de Estado de novembro de 2019 sobre Um Indo-Pacífico livre e aberto: promovendo uma visão compartilhada. Os Estados Unidos estão trabalhando em conjunto com visões e abordagens mutuamente alinhadas, como o Panorama sobre o Indo-Pacífico, da Associação das Nações do Sudeste Asiático, a visão do Japão de um Indo-Pacífico livre e aberto, a política da Índia de Segurança e Crescimento para Todos na Região, o conceito da Austrália sobre o Indo-Pacífico, a Nova Política Austral da República da Coreia e a Nova Política para o Sul de Taiwan.

Este relatório não tenta detalhar a gama abrangente de ações e iniciativas políticas que o governo está realizando em todo o mundo como parte de nossa competição estratégica. Em vez disso, este relatório se concentra na implementação da NSS, uma vez que se aplica mais diretamente à RPC.

Desafios

Hoje, a RPC apresenta numerosos desafios aos interesses nacionais dos Estados Unidos.

1. Desafios econômicos

O histórico ruim de Pequim em cumprir compromissos de reforma econômica e seu uso extensivo de políticas e práticas protecionistas dirigidas pelo Estado prejudicam empresas e trabalhadores dos Estados Unidos, distorcem os mercados globais, violam normas internacionais e poluem o meio ambiente. Quando a RPC aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, Pequim concordou em adotar a abordagem orientada para o mercado aberto da OMC e incorporar esses princípios em seu sistema comercial e instituições. Os membros da OMC esperavam que a China continuasse seu caminho de reforma econômica e se transformasse em um regime de economia e comércio orientados para o mercado.

Essas esperanças não foram realizadas. Pequim não internalizou as normas e práticas de comércio e investimento com base na competição e, em vez disso, explorou os benefícios da associação à OMC para se tornar o maior exportador do mundo, protegendo sistematicamente seus mercados domésticos. As políticas econômicas de Pequim levaram a um excesso de capacidade industrial que distorce os preços globais e permite à China expandir sua participação no mercado global às custas dos concorrentes que operam sem as vantagens injustas que Pequim oferece a suas empresas. A RPC mantém sua estrutura econômica estatal, que não é voltada ao mercado, e sua abordagem mercantilista para o comércio e o investimento. As reformas políticas também se atrofiaram e foram revertidas, e as distinções entre o governo e o partido estão diminuindo. A decisão do secretário-geral Xi de remover os limites do mandato presidencial, efetivamente estendendo seu mandato indefinidamente, exemplificou essas tendências.

Em seu relatório de 2018 Descobertas das Investigações Sobre Atos, Políticas e Práticas da China Relacionadas à Transferência de Tecnologia, Propriedade Intelectual e Inovação sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) determinou que vários atos, políticas e práticas do governo da RPC eram irracionais ou discriminatórios e sobrecarregam ou restringem o comércio dos Estados Unidos. Com base em uma investigação rigorosa, o USTR constatou que a RPC: (1) exige ou faz pressão para que empresas dos Estados Unidos transfiram sua tecnologia para entidades chinesas; (2) impõe restrições substanciais à capacidade das empresas dos Estados Unidos de licenciar sua tecnologia em termos de mercado; (3) direciona e facilita injustamente a aquisição de empresas e ativos dos Estados Unidos por empresas nacionais para obter tecnologias de ponta; e (4) conduz e apoia intrusões cibernéticas não autorizadas nas redes das empresas dos Estados Unidos para acessar informações confidenciais e segredos comerciais.

A lista dos compromissos de Pequim de interromper suas práticas econômicas predatórias está repleta de promessas quebradas e vazias. Em 2015, Pequim prometeu impedir o roubo cibernético de segredos de mercado para fins comerciais, permitido pelo governo, e reiterou essa mesma promessa em 2017 e 2018. No fim de 2018, os Estados Unidos e uma dúzia de outros países atribuíram campanhas globais de invasão de computadores, visando propriedade intelectual e informações comerciais confidenciais, a operadores afiliados ao Ministério de Segurança do Estado da RPC – uma violação do compromisso de Pequim em 2015. Desde a década de 1980, Pequim assinou vários acordos internacionais para proteger a propriedade intelectual. Apesar disso, mais de 63% dos produtos falsificados do mundo são originários da China, causando centenas de bilhões de dólares em danos a empresas legítimas em todo o mundo.

Embora Pequim reconheça que a China agora seja uma “economia madura”, a RPC continua a argumentar em suas relações com organismos internacionais, incluindo a OMC, que ainda é um “país em desenvolvimento”. Apesar de ser a principal importadora de produtos de alta tecnologia e ocupar o segundo lugar mundial em termos de produto interno bruto, gastos em defesa e investimento externo – atrás apenas dos Estados Unidos, a China se autodesigna como país em desenvolvimento para justificar políticas e práticas que distorcem de maneira sistemática diversos setores globalmente, prejudicando os Estados Unidos e outros países.

A Iniciativa Um Cinturão, Uma Rota (Obor, na sigla em inglês) é o termo abrangente de Pequim para descrever uma variedade de iniciativas, muitas das quais parecem projetadas visando reformular normas, padrões e redes internacionais para promover os interesses e a visão global de Pequim, além de atender aos requisitos econômicos domésticos da China. Através do Obor e de outras iniciativas, a RPC está expandindo o uso dos padrões industriais chineses nos principais setores de tecnologia, parte de um esforço para fortalecer a posição de suas próprias empresas no mercado global às custas de empresas não chinesas. Os projetos que Pequim rotulou de Obor incluem: transporte, tecnologia da informação, comunicação e infraestrutura de energia; parques industriais; colaboração com a mídia; intercâmbio de ciência e tecnologia; programas sobre cultura e religião; e até cooperação militar e de segurança. Pequim também está tentando arbitrar disputas comerciais relacionadas ao Obor através de seus próprios tribunais especializados, que respondem ao PCC. Os Estados Unidos acolhem as contribuições da China para o desenvolvimento sustentável e de alta qualidade que estão de acordo com as melhores práticas internacionais, mas os projetos Obor frequentemente operam bem fora desses padrões e são caracterizados por má qualidade, corrupção, degradação ambiental, falta de supervisão pública ou envolvimento com a comunidade, empréstimos opacos e contratos gerando ou exacerbando problemas de governança e fiscais nos países anfitriões.

Dado o crescente uso de alavancagem econômica por parte de Pequim para extrair concessões políticas ou retaliações exatas contra outros países, os Estados Unidos julgam que Pequim tentará converter projetos Obor em influência política e acesso militar indevidos. Pequim usa uma combinação de ameaça e indução para pressionar governos, elites, corporações, think tanks (grupos de reflexão) e outros – geralmente de maneira opaca – para seguir a linha do PCC e censurar a liberdade de expressão. Pequim restringiu o comércio e o turismo com Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Japão, Noruega, Filipinas e outros, e deteve cidadãos canadenses, em um esforço para interferir nos processos políticos e judiciais internos desses países. Depois que o Dalai Lama visitou a Mongólia em 2016, o governo da RPC impôs novas tarifas sobre as exportações de minerais da Mongólia sem fronteiras marítimas, que passavam pela China, paralisando temporariamente a economia da Mongólia.

Pequim busca reconhecimento global por seus esforços ambientais e afirma promover o “desenvolvimento verde”. A China, no entanto, tem sido o maior emissor mundial de gases de efeito estufa por uma ampla margem por mais de uma década. Pequim apresentou compromissos de redução de emissões vagos e inexequíveis que permitem que as emissões da China continuem crescendo até “por volta de 2030”. As crescentes emissões planejadas da China superam as reduções do resto do mundo juntas. As empresas chinesas também exportam centenas de usinas poluentes movidas a carvão para países em desenvolvimento. A RPC também é a maior fonte mundial de poluição marinha por plásticos, descarregando mais de 3,5 milhões de toneladas no oceano a cada ano. A República Popular da China ocupa o primeiro lugar no mundo em pesca ilegal, não declarada e não regulamentada nas águas das nações costeiras de todo o mundo, ameaçando as economias locais e prejudicando o ambiente marinho. A falta de vontade dos líderes chineses em controlar essas práticas globalmente prejudiciais não corresponde às promessas retóricas de gestão ambiental.

2. Desafios para nossos valores

O PCC promove globalmente uma proposta de valor que desafia a crença americana no direito inalienável de toda pessoa à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Sob a atual geração de liderança, o PCC acelerou seus esforços para retratar seu sistema de governança como funcionando melhor do que aqueles a que se refere como “países ocidentais desenvolvidos”. Pequim deixa claro que se vê envolvido em uma competição ideológica com o Ocidente. Em 2013, o secretário-geral Xi pediu ao PCC que se preparasse para um “período de cooperação e conflito de longo prazo” entre dois sistemas concorrentes e declarou que “o capitalismo está fadado a morrer e o socialismo está fadado a vencer”. O PCC pretende tornar a China um “líder global em termos de poder nacional e influência internacional abrangentes”, como o secretário-geral Xi expressou em 2017, fortalecendo o que se refere como “o sistema de socialismo com características chinesas”. Esse sistema está enraizado na interpretação de Pequim da ideologia marxista-leninista e combina uma ditadura nacionalista e de partido único; uma economia dirigida pelo Estado; implantação de ciência e tecnologia a serviço do Estado; e a subordinação dos direitos individuais para servir aos fins do PCC. Isso contraria os princípios compartilhados pelos Estados Unidos e por muitos países semelhantes de governo representativo, livre empresa e a dignidade e o valor inerentes a cada indivíduo.

Internacionalmente, o PCC promove a visão do secretário-geral Xi de governança global sob a bandeira de “construir uma comunidade de destino comum para a humanidade”. Os esforços de Pequim para obrigar a conformidade ideológica interna, no entanto, apresentam uma imagem perturbadora do que seria uma “comunidade” liderada pelo PCC na prática: (1) uma campanha anticorrupção que expurgou a oposição política; (2) condenações injustas de blogueiros, ativistas e advogados; (3) detenções determinadas por algoritmos de minorias étnicas e religiosas; (4) controles rigorosos e censura de informações, mídia, universidades, empresas e organizações não governamentais; (5) vigilância e pontuação de crédito social de cidadãos, corporações e organizações; e (6) detenção arbitrária, tortura e abuso de pessoas consideradas dissidentes. Em um exemplo gritante de conformidade doméstica, as autoridades locais promoveram um evento de queima de livros em uma biblioteca da comunidade para demonstrar seu alinhamento ideológico ao “Pensamento Xi Jinping”.

Uma consequência desastrosa dessa abordagem de governança é a política de Pequim em Xinjiang, onde desde 2017 as autoridades detêm mais de 1 milhão de uigures e membros de outras minorias étnicas e religiosas em campos de doutrinação, onde muitos enfrentam trabalho forçado, doutrinação ideológica e abuso físico e psicológico. Fora desses campos, o regime instituiu um Estado policial que emprega tecnologias emergentes, como inteligência artificial e biogenética, para monitorar as atividades das minorias étnicas e garantir a lealdade ao PCC. A perseguição religiosa generalizada – de cristãos, budistas tibetanos, muçulmanos e membros do Falun Gong – inclui a demolição e profanação de locais de culto, prisões de crentes pacíficos, renúncias forçadas a religiões e proibições de criar filhos em tradições religiosas.

A campanha do PCC para obrigar a conformidade ideológica não para nas fronteiras da China. Nos últimos anos, Pequim interveio nos assuntos internos de nações soberanas para criar o consentimento para suas políticas. As autoridades da RPC tentaram estender a influência do PCC sobre o discurso e o comportamento em todo o mundo, com exemplos recentes, incluindo empresas e equipes esportivas nos Estados Unidos e no Reino Unido e políticos na Austrália e na Europa. Os agentes da RPC estão exportando as ferramentas do modelo tecnoautoritário do PCC para países ao redor do mundo, permitindo aos Estados autoritários exercer controle sobre seus cidadãos e vigiar a oposição, capacitando parceiros estrangeiros em técnicas de propaganda e censura e usando a coleta de dados em massa para moldar o sentimento do público.

O Estado-partido da China controla o conjunto de ferramentas de propaganda com mais recursos do mundo. Pequim comunica sua narrativa através de organizações estatais de televisão, mídia impressa, rádio e on-line cuja presença está proliferando nos Estados Unidos e em todo o mundo. O PCC frequentemente oculta seus investimentos em entidades de mídia estrangeira. Em 2015, a Rádio Internacional da China revelou controlar 33 estações de rádio em 14 países por meio de empresas de fachada e subsidiar vários intermediários, fornecendo conteúdo gratuito e pró-Pequim.

Além da mídia, o PCC usa vários atores para promover seus interesses nos Estados Unidos e em outras democracias abertas. As organizações e os agentes da Frente Unida do PCC têm como alvo empresas, universidades, think tanks, acadêmicos, jornalistas e autoridades locais, estaduais e federais nos Estados Unidos e em todo o mundo, tentando influenciar o discurso e restringir a influência externa dentro da RPC.

Pequim regularmente tenta obrigar ou persuadir cidadãos chineses e outros a adotarem uma série de comportamentos malignos que ameaçam a segurança nacional e econômica dos Estados Unidos e minam a liberdade acadêmica e a integridade de empreendimentos de pesquisa e desenvolvimento dos Estados Unidos. Esses comportamentos incluem apropriação indevida de tecnologia e propriedade intelectual, falha na divulgação adequada de relações com entidades patrocinadas por governos estrangeiros, violações de contrato e confidencialidade e manipulação de processos para alocação justa e com base no mérito do financiamento federal para pesquisa e desenvolvimento. Pequim também tenta obrigar os chineses a denunciar e ameaçar colegas estudantes chineses, protestar contra eventos contrários à narrativa política de Pequim e restringir a liberdade acadêmica, que é a marca e a força do sistema educacional americano.

Empresas de mídia, jornalistas, acadêmicos e diplomatas da RPC estão livres para operar nos Estados Unidos, mas Pequim nega acesso recíproco a instituições e funcionários americanos. O governo da RPC nega rotineiramente às autoridades americanas, incluindo o embaixador dos EUA na RPC, o acesso aos Centros Culturais Americanos. Financiados pelo Departamento de Estado, esses centros estão hospedados em universidades chinesas para compartilhar a cultura americana com o povo chinês. Jornalistas estrangeiros que trabalham na RPC frequentemente enfrentam perseguição e intimidação.

3. Desafios de Segurança

À medida que a China cresce em força, também aumenta a disposição e a capacidade do PCC de empregar intimidação e coerção em suas tentativas de eliminar ameaças percebidas aos seus interesses e promover seus objetivos estratégicos globalmente. As ações de Pequim desmentem as proclamações dos líderes chineses de que se opõem à ameaça ou ao uso da força, não intervêm nos assuntos internos de outros países ou estão comprometidos em resolver disputas por meio de um diálogo pacífico. Pequim contradiz sua retórica e desrespeita seus compromissos com os vizinhos ao se envolver em atividades militares e paramilitares provocadoras e coercitivas no Mar Amarelo, nos Mares do Leste e do Sul da China, no Estreito de Taiwan e nas áreas fronteiriças sino-indianas.

Em maio de 2019, o Departamento de Defesa emitiu seu relatório anual para o Congresso, Desenvolvimentos Militares e de Segurança Envolvendo a República Popular da China, avaliando as trajetórias atuais e futuras do desenvolvimento tecnológico-militar da China, estratégias militares e de segurança, estratégias organizacionais e militares do Exército de Libertação Popular (PLA) e conceitos operacionais. Em julho de 2019, o ministro da Defesa da RPC reconheceu publicamente que o Obor está vinculado à expansão ambiciosa da presença do PLA da RPC no exterior, incluindo locais como as Ilhas do Pacífico e o Caribe.

A formação militar de Pequim ameaça os Estados Unidos e os interesses de segurança nacional aliados e apresenta desafios complexos para o comércio global e as cadeias de suprimentos. A estratégia de fusão civil-militar (MCF, na sigla em inglês) de Pequim dá ao PLA acesso irrestrito a entidades civis que desenvolvem e adquirem tecnologias avançadas, incluindo empresas estatais e privadas, universidades e programas de pesquisa. Por meio de vínculos não transparentes com a MCF, os Estados Unidos e outras empresas estrangeiras estão inconscientemente introduzindo tecnologias de uso duplo nos programas de pesquisa e desenvolvimento militar da RPC, fortalecendo a capacidade coercitiva do PCC de suprimir a oposição doméstica e ameaçar países estrangeiros, incluindo aliados e parceiros dos Estados Unidos.

As tentativas da República Popular da China de dominar o setor global de tecnologia da informação e comunicação por meio de práticas desleais se refletem em regulamentos discriminatórios, como a Lei Nacional de Segurança Cibernética da República Popular da China, que exige que as empresas cumpram as medidas chinesas de localização de dados que permitem o acesso do PCC a dados estrangeiros. Outras leis da RPC obrigam empresas como Huawei e ZTE a cooperar com os serviços de segurança chineses, mesmo quando fazem negócios no exterior, criando vulnerabilidades de segurança para países estrangeiros e empresas que utilizam equipamentos e serviços de fornecedores chineses.

Pequim se recusa a honrar seu compromisso de fornecer documentos de viagem para cidadãos chineses com ordens de remoção dos Estados Unidos de maneira oportuna e consistente, bloqueando efetivamente suas remoções de nosso país e criando riscos de segurança para as comunidades americanas. Além disso, as violações da RPC ao nosso tratado consular bilateral colocam em risco os cidadãos dos Estados Unidos na China, com muitos americanos afetados negativamente pelas proibições coercitivas de saída e detenções ilegais do governo da RPC.

Abordagem

A NSS exige que os Estados Unidos “repensem as políticas das duas últimas décadas – políticas baseadas no pressuposto de que o engajamento com rivais e sua inclusão em instituições internacionais e no comércio global os tornaria atores benignos e parceiros confiáveis. Na maior parte, essa premissa acabou se mostrando falsa. Atores rivais usam propaganda e outros meios para tentar desacreditar a democracia. Eles promovem visões antiocidentais e espalham informações falsas para criar divisões entre nós, nossos aliados e nossos parceiros.”

Guiados por um retorno ao realismo de princípios, os Estados Unidos estão respondendo ao desafio direto do PCC, reconhecendo que estamos em uma competição estratégica e protegendo nossos interesses adequadamente. Os princípios da abordagem dos Estados Unidos à China estão articulados na NSS e em nossa visão para a região indo-pacífica – soberania, liberdade, abertura, Estado de Direito, justiça e reciprocidade. As relações EUA-China não determinam nossa estratégia indo-pacífica, mas se enquadram nessa estratégia e na NSS abrangente. Da mesma forma, nossa visão de uma região do Indo-Pacífico livre e aberta não exclui a China.

Os Estados Unidos mantêm o governo da RPC com os mesmos padrões e princípios que se aplicam a todas as nações. Acreditamos que este é o tratamento que o povo da China deseja e merece do seu próprio governo e da comunidade internacional. Dadas as escolhas estratégicas que a liderança da China está fazendo, os Estados Unidos agora reconhecem e aceitam o relacionamento com a República Popular da China da maneira que o PCC sempre o estruturou internamente: como uma grande competição de força.

As políticas dos Estados Unidos não têm como premissa uma tentativa de mudar o modelo de governança doméstica da RPC, nem fazem concessões às narrativas de excepcionalismo e vitimização do PCC. Em vez disso, as políticas dos Estados Unidos são projetadas para proteger nossos interesses e capacitar nossas instituições a suportar o comportamento maligno do PCC e os danos colaterais dos problemas internos de governança da RPC. A convergência final da RPC com os princípios da ordem livre e aberta só pode ser determinada pelo próprio povo chinês. Reconhecemos que Pequim, e não Washington, tem agência e responsabilidade pelas ações do governo da RPC.

Os Estados Unidos rejeitam tentativas do PCC de equivalência falsa entre o Estado de Direito e o governo por decreto; entre contraterrorismo e opressão; entre governança representativa e autocracia; e entre concorrência baseada no mercado e mercantilismo dirigido pelo Estado. Os Estados Unidos continuarão a desafiar a propaganda de Pequim e as falsas narrativas que distorcem a verdade e tentam depreciar os valores e os ideais americanos.

Da mesma forma, os Estados Unidos não acomodam e não acomodarão as ações de Pequim que enfraquecem uma ordem internacional livre, aberta e baseada em regras. Continuaremos a refutar a narrativa do PCC de que os Estados Unidos estão em retirada estratégica ou se esquivarão de nossos compromissos de segurança internacional. Os Estados Unidos trabalharão com nossa sólida rede de aliados e parceiros para resistir a ataques a nossas normas e nossos valores compartilhados, dentro de nossas próprias instituições de governança, em todo o mundo e em organizações internacionais.

As generosas contribuições do povo americano para o desenvolvimento da China são uma questão de registro histórico – assim como as realizações notáveis ​​do povo chinês na era da Reforma e da Abertura são inegáveis. No entanto, as linhas de tendência negativas das políticas e práticas de Pequim ameaçam o legado do povo chinês e sua futura posição no mundo.

Pequim demonstrou repetidamente que não oferece compromissos em resposta às demonstrações americanas de boa vontade e que suas ações não são limitadas por seus compromissos anteriores de respeitar nossos interesses. Como tal, os Estados Unidos respondem às ações da RPC em vez de seus compromissos declarados. Além disso, não atendemos às demandas de Pequim para criar uma “atmosfera” ou “condições” adequadas para o diálogo.

Da mesma forma, os Estados Unidos não veem valor em se envolver com Pequim por simbolismo e pompa; em vez disso, exigimos resultados tangíveis e construtivos. Reconhecemos e respondemos em espécie à abordagem transacional de Pequim com incentivos e custos oportunos ou ameaças críveis. Quando a diplomacia silenciosa se mostrar inútil, os Estados Unidos aumentarão a pressão pública sobre o governo da RPC e tomarão medidas para proteger os interesses dos Estados Unidos, alavancando custos proporcionais quando necessário.

O governo da RPC ficou aquém dos seus compromissos em muitas áreas, incluindo: comércio e investimento; liberdades de expressão e crença; interferência política; liberdades de navegação e sobrevoo; espionagem e roubo cibernético e de outros tipos; proliferação de armas; proteção ambiental; e saúde global. Os acordos com Pequim devem incluir mecanismos rigorosos de verificação e aplicação.

Falamos francamente com o povo chinês e esperamos honestidade dos líderes da RPC. Em questões de diplomacia, os Estados Unidos respondem adequadamente às ameaças insinceras ou vagas do PCC e se posicionam ao lado de nossos aliados e parceiros para resistir à coerção. Por meio de nosso compromisso contínuo e franco, os Estados Unidos saúdam a cooperação da China para expandir e trabalhar em direção a objetivos compartilhados de maneiras que beneficiem a paz, a estabilidade e a prosperidade do mundo. Nossa abordagem não exclui a RPC. Os Estados Unidos estão prontos para receber as contribuições positivas da China.

Como os princípios acima mencionados de nossa abordagem sugerem, a concorrência inclui necessariamente o envolvimento com a RPC, mas nossos compromissos são seletivos e voltados para resultados, com cada um avançando em direção a nossos interesses nacionais. Nos envolvemos com a RPC para negociar e fazer cumprir compromissos para garantir justiça e reciprocidade; esclarecer as intenções de Pequim para evitar mal-entendidos; e resolver disputas para impedir um acúmulo de tensões. Os Estados Unidos estão comprometidos em manter canais abertos de comunicação com a RPC para reduzir riscos e gerenciar crises. Esperamos que a RPC também mantenha esses canais abertos e receptivos.

Implementação

De acordo com a NSS do presidente, as políticas de cunho econômico, político e de segurança descritas neste relatório visam proteger o povo e a pátria americanas, promover a prosperidade americana, preservar a paz através da força e promover uma visão livre e aberta no exterior. Durante os primeiros três anos do governo, os Estados Unidos tomaram medidas significativas na implementação dessa estratégia, no que se refere à China.

1. Proteger o povo americano, a pátria e o modo de vida americano

A Iniciativa China do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) e o Bureau Federal de Investigação estão direcionando recursos para identificar e julgar segredos comerciais, roubo, hackers e espionagem econômica; e esforços crescentes para proteger contra investimentos estrangeiros malignos na infraestrutura dos Estados Unidos, ameaças da cadeia de suprimentos e agentes estrangeiros que procuram influenciar a política americana. Por exemplo, o DOJ informou a empresa de mídia estatal da RPC CGTN-America de sua obrigação de se registrar como agente estrangeiro, conforme especificado na Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (Fara), que obriga os registrados a divulgar suas atividades às autoridades federais e a rotular adequadamente os materiais de informação distribuídos por ela.

A CGTN-America foi posteriormente registrada na Fara.

O governo também está respondendo à propaganda do PCC nos Estados Unidos, destacando comportamentos malignos, combatendo narrativas falsas e transparência convincente. Autoridades dos Estados Unidos, incluindo as da Casa Branca e dos Departamentos de Estado, Defesa e Justiça, estão liderando esforços para educar o público americano sobre a exploração que o governo da RPC promove em nossa sociedade livre e aberta para impor uma agenda do PCC contra os interesses e valores dos Estados Unidos. Em um esforço para obter reciprocidade de acesso, o Departamento de Estado implementou uma política que exige que diplomatas chineses notifiquem o governo dos Estados Unidos antes de se reunir com funcionários do governo local e estadual, e instituições acadêmicas.

O governo está conscientizando e combatendo ativamente a cooptação e a coerção por parte de Pequim de seus próprios cidadãos e de outras instituições acadêmicas dos Estados Unidos, além dos esforços tradicionais de espionagem e influência. Estamos trabalhando com universidades para proteger os direitos dos estudantes chineses nos campi americanos, fornecer informações para combater a propaganda e a desinformação do PCC, e garantir uma compreensão dos códigos de conduta ética em um ambiente acadêmico americano.

Os estudantes chineses representam hoje o maior contingente de estudantes estrangeiros nos Estados Unidos. Os Estados Unidos valorizam as contribuições de estudantes e pesquisadores chineses. A partir de 2019, o número de estudantes e pesquisadores chineses nos Estados Unidos atingiu o nível mais alto de todos os tempos, enquanto o número de recusas de visto de estudante para candidatos chineses diminui constantemente. Os Estados Unidos apoiam fortemente os princípios do discurso acadêmico aberto e acolhem estudantes e pesquisadores internacionais que realizam atividades acadêmicas legítimas; estamos aprimorando os processos para ocultar a pequena minoria de candidatos chineses que tentam entrar nos Estados Unidos sob falsos pretextos ou com intenção maligna.

Na comunidade de pesquisa dos Estados Unidos, agências federais como os Institutos Nacionais de Saúde e o Departamento de Energia têm atualizado ou clarificado regulamentos e procedimentos para garantir a conformidade com os padrões de conduta e relatórios aplicáveis, a fim de melhorar a transparência e impedir conflitos de interesse. O Comitê Conjunto do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do Ambiente de Pesquisa está desenvolvendo padrões para pesquisas financiadas pelo governo federal e melhores práticas para instituições de pesquisa dos Estados Unidos. O Departamento de Defesa está trabalhando para garantir que os donatários também não tenham contratos com os programas de recrutamento de talentos da China, além de continuar a receber pesquisadores estrangeiros.

Para impedir que atores malignos estrangeiros obtenham acesso às redes de informação dos Estados Unidos, o presidente emitiu o “Decreto do Executivo sobre a Segurança da Cadeia de Suprimentos de Serviços e Tecnologias de Informação e Comunicações” e o “Decreto do Executivo sobre o Estabelecimento do Comitê para Avaliação da Participação Estrangeira no Setor de Serviços de Telecomunicações dos Estados Unidos”. A implementação desses Decretos do Executivo impedirá que determinadas empresas associadas ou empresas que atendam ao aparato de inteligência e segurança de adversários estrangeiros acessem, por exemplo, prontamente, as informações confidenciais ou sigilosas do governo dos Estados Unidos, do setor privado dos Estados Unidos e de pessoas físicas americanas. Para garantir a proteção de nossas informações em todo o mundo, incluindo dados militares e de inteligência confidenciais, os Estados Unidos estão se engajando ativamente com nossos aliados e parceiros, inclusive em fóruns multilaterais, para promover um conjunto de padrões comuns para plataformas de comunicações seguras, resilientes e confiáveis ​​que sustentam a economia global da informação. Para obrigar Pequim a aderir às normas de comportamento responsável do Estado, os Estados Unidos estão trabalhando com aliados e parceiros com ideias semelhantes para atribuir e impedir atividades cibernéticas maliciosas.

O governo está implementando a Lei de Modernização da Revisão de Risco de Investimento Estrangeiro para atualizar e fortalecer a capacidade do Comitê de Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS) de abordar crescentes preocupações de segurança nacional sobre a exploração estrangeira de estruturas de investimento, que anteriormente estavam fora da jurisdição do CFIUS. Isso inclui impedir que empresas chinesas explorem o acesso à inovação dos Estados Unidos por meio de investimentos minoritários, a fim de modernizar as Forças Armadas chinesas. Os Estados Unidos têm atualizado seus regulamentos de controle de exportação, particularmente à luz da estratégia MCF de toda a sociedade de Pequim e seus esforços para adquirir tecnologias avançadas relacionadas a computação quântica, hipersônica, inteligência artificial, biotecnologia e outras tecnologias emergentes e fundamentais. Também estamos contratando aliados e parceiros para desenvolver seus próprios mecanismos de triagem de investimentos estrangeiros e atualizar e implementar controles de exportação de forma colaborativa por meio de regimes multilaterais e outros fóruns.

O governo dos Estados Unidos também está adotando ações concretas para proteger o consumidor americano de produtos falsificados ou abaixo do padrão de qualidade. Entre 2017 e 2018, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos apreendeu mais de 59 mil remessas de produtos falsificados, produzidos na RPC, avaliados em mais de US$ 2,1 bilhões. Isso representa cinco vezes o total de remessas e o valor apreendido de todos os outros países estrangeiros combinados.

Além de roupas, calçados, bolsas e relógios de marcas falsas, a Agência de Fiscalização de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA interceptaram três remessas contendo 53 mil peças ilegais de armas e eletrônicos chineses que poderiam comprometer a segurança e a privacidade de empresas e consumidores americanos. As agências de aplicação da lei dos Estados Unidos também estão mirando produtos farmacêuticos e cosméticos falsificados originários da China, que contêm altos níveis de contaminação, incluindo bactérias e resíduos de animais, que representam um perigo para os consumidores americanos.

Os Estados Unidos estão trabalhando com autoridades chinesas para conter o fluxo mortal de fentanil chinês ilícito da RPC para os Estados Unidos. Em dezembro de 2018, o presidente garantiu o compromisso de seu colega chinês de controlar todas as formas de fentanil na RPC. Com o regime regulatório chinês em vigor desde maio de 2019, os Estados Unidos e as agências policiais da RPC estão compartilhando informações e se coordenando para estabelecer condições para as ações que impedirão os produtores e os traficantes chineses de drogas. Os Estados Unidos também estão trabalhando com as agências postais da China para melhorar o rastreamento de pequenas encomendas para fins de aplicação da lei.

2. Promover a prosperidade americana

Em resposta às práticas comerciais e às políticas industriais injustas e abusivas documentadas da RPC, o governo está adotando fortes ações para proteger empresas, trabalhadores e agricultores americanos, e visando pôr fim às práticas de Pequim que têm contribuído para o esvaziamento das bases de fabricação de produtos manufaturados dos Estados Unidos. Os Estados Unidos estão comprometidos em reequilibrar a relação econômica EUA-China. Nossa abordagem de todo o governo apoia o comércio justo e promove a competitividade dos Estados Unidos, promove as exportações dos Estados Unidos e rompe barreiras injustas ao comércio e ao investimento dos Estados Unidos. Tendo fracassado desde 2003 em convencer Pequim a cumprir seus compromissos econômicos por meio de diálogos regulares de alto nível, os Estados Unidos estão enfrentando práticas forçadas de transferência de tecnologia e propriedade intelectual que distorcem o mercado da China, impondo custos na forma de tarifas cobradas aos produtos chineses que chegam nos Estados Unidos. Essas tarifas permanecerão em vigor até que um acordo comercial justo de Fase Dois seja acordado entre os Estados Unidos e a RPC.

Em resposta ao fracasso repetido de Pequim em reduzir ou eliminar seus subsídios e excesso de capacidade que distorcem o mercado, os Estados Unidos impuseram tarifas para proteger nossas indústrias de aço e alumínio, ambas estrategicamente importantes. Para aquelas práticas comerciais desleais da China que estão sujeitas a disputas na OMC, os Estados Unidos continuam a perseguir e vencer vários processos. Por fim, a fim de reprimir os dumpings e os subsídios da China em uma ampla gama de indústrias, o Departamento de Comércio está fazendo maior utilidade das leis antidumping e dos direitos compensatórios dos Estados Unidos do que em governos anteriores.

Em janeiro de 2020, os Estados Unidos e a RPC assinaram a Fase Um de um acordo econômico e comercial que exige reformas estruturais e outras mudanças no regime econômico e comercial da China, abordando várias preocupações antigas dos Estados Unidos. O acordo proíbe a RPC de forçar ou pressionar empresas estrangeiras a transferir sua tecnologia como condição para fazer negócios na China; fortalece a proteção e a aplicação da propriedade intelectual na China em todas as áreas principais; cria novas oportunidades de mercado na China para serviços agrícolas e financeiros dos Estados Unidos, abordando barreiras políticas; e aborda práticas cambiais antigas e injustas. O acordo também estabelece um forte mecanismo de solução de controvérsias que garante a implementação e a aplicação rápidas e eficazes. Ao abordar barreiras estruturais ao comércio e tornar os compromissos totalmente executáveis, o acordo da Fase Um expandirá as exportações dos Estados Unidos para a China. Como parte desse acordo, a RPC se comprometeu, nos próximos dois anos, a aumentar as importações de bens e serviços dos Estados Unidos em nada menos que US$ 200 bilhões em quatro grandes categorias: bens manufaturados, agricultura, energia e serviços. Esse acordo marca um progresso crucial em direção a um relacionamento comercial mais equilibrado e condições de concorrência mais uniformes para trabalhadores e empresas americanas.

Internamente, o governo está tomando medidas para fortalecer a economia dos Estados Unidos e promover setores econômicos do futuro, como a tecnologia 5G, por meio de reformas tributárias e uma robusta agenda desregulatória. O “Decreto do Executivo para Manter a Liderança Americana em Inteligência Artificial”, assinado pelo presidente, é um exemplo de uma iniciativa do governo dos Estados Unidos para promover investimentos e colaborações para garantir que os Estados Unidos continuem liderando em inovação e estabelecendo padrões para um setor em crescimento.

Junto com outras nações que têm ideias semelhantes, os Estados Unidos promovem uma visão econômica baseada em princípios de soberania, mercados livres e desenvolvimento sustentável. Ao lado da União Europeia e do Japão, os Estados Unidos estão envolvidos em um processo trilateral robusto para desenvolver disciplinas para empresas estatais, subsídios industriais e transferências forçadas de tecnologia. Também continuaremos a trabalhar com nossos aliados e parceiros para garantir que padrões industriais discriminatórios não se tornem padrões globais. Como o mercado consumidor mais valioso do mundo, a maior fonte de investimento direto estrangeiro e a principal fonte de inovação tecnológica global, os Estados Unidos se envolvem extensivamente com aliados e parceiros para avaliar desafios compartilhados e coordenar respostas eficazes a fim de garantir paz e prosperidade contínuas. Trabalhamos em estreita colaboração com empresas dos Estados Unidos para aumentar sua competitividade no país e no exterior, promovendo o desenvolvimento sustentável por meio de programas como a iniciativa África Próspera, a iniciativa Crescimento nas Américas, também conhecida como América Crece na América Latina e no Caribe, e Melhorando o Desenvolvimento e o Crescimento através da Energia na Região Indo-Pacífico.

3. Preservar a paz através da força

A Estratégia de Defesa Nacional (NDS) de 2018 prioriza a concorrência de longo prazo com a China e enfatiza a modernização e as parcerias para combater os avanços tecnológicos do PLA, o desenvolvimento de forças e a crescente presença e assertividade internacional. Conforme descrito na Revisão da Postura Nuclear, o governo está priorizando a modernização da tríade nuclear, incluindo o desenvolvimento de capacidades suplementares destinadas a impedir Pequim de usar suas armas de destruição em massa ou conduzir outros ataques estratégicos. Enquanto isso, os Estados Unidos continuam pedindo aos líderes da China para se sentarem na mesa de negociações e iniciarem discussões sobre controle de armas e redução estratégica de riscos como uma energia nuclear com um arsenal nuclear moderno e crescente e a maior coleção do mundo de sistemas de distribuição de alcance intermediário. Os Estados Unidos acreditam que é do interesse de todas as nações melhorar a transparência de Pequim, evitar erros de cálculo e evitar o acúmulo de armas caras.

O Departamento de Defesa está se movendo rapidamente para implantar plataformas hipersônicas, aumentando os investimentos em recursos cibernéticos e espaciais, e desenvolvendo incêndios mais letais com base em plataformas resilientes, adaptáveis ​​e econômicas. Juntos, esses recursos visam impedir e combater as ambições crescentes de Pequim e o esforço do PLA em direção à paridade e à superioridade tecnológica.

Como parte do nosso programa mundial de operações de liberdade de navegação, os Estados Unidos estão pressionando as afirmações hegemônicas de Pequim e as reivindicações excessivas. As Forças Armadas dos Estados Unidos continuarão a exercer o direito de navegar e operar sempre que a legislação internacional permitir, inclusive no Mar do Sul da China. Estamos defendendo aliados e parceiros regionais e fornecendo assistência de segurança para ajudá-los a aumentar a capacidade de suportar as tentativas de Pequim de usar suas forças militares, paramilitares e policiais para coagir e prevalecer em disputas. Em 2018, as Forças Armadas dos Estados Unidos retiraram o convite para o PLA participar do exercício bienal da Orla do Pacífico devido à implantação por Pequim de sistemas avançados de mísseis em recursos artificiais no Mar do Sul da China.

Alianças e parcerias mais fortes são a pedra angular do NDS. Os Estados Unidos estão fortalecendo a capacidade dos parceiros e aprofundando a interoperabilidade para desenvolver uma presença operacional avançada e crível ao combate, totalmente integrada com aliados e parceiros com o intuito de impedir e negar a agressão da RPC. A política de transferência de armas convencionais do governo visa promover a venda de armas nos Estados Unidos e acelerar a transformação das capacidades militares dos parceiros de maneira estratégica e complementar. Em junho de 2019, o Departamento de Defesa divulgou seu primeiro Relatório de Estratégia Indo-Pacífica, articulando a implementação do Departamento do NDS e nossa estratégia abrangente para a região do Indo-Pacífico.

Os Estados Unidos continuarão mantendo fortes relações não oficiais com Taiwan, de acordo com nossa política “One China” (Uma China), baseada na Lei de Relações de Taiwan e nos três comunicados conjuntos entre os Estados Unidos e a RPC. Os Estados Unidos sustentam que qualquer resolução de diferenças nas duas margens do Estreito deve ser pacífica e de acordo com a vontade do povo de ambos os lados, sem recorrer a ameaças ou coerções. O fracasso de Pequim em honrar seus compromissos oficializados, como demonstrado pelo enorme crescimento de seu arsenal militar, obriga os Estados Unidos a continuar ajudando os militares de Taiwan a manter uma defesa legítima, que impede a agressão e ajuda a garantir a paz e a estabilidade na região. Em um memorando de 1982, o presidente Ronald Reagan insistiu “que a quantidade e a qualidade das armas fornecidas a Taiwan sejam condicionadas inteiramente à ameaça representada pela RPC”. Em 2019, os Estados Unidos aprovaram mais de US$ 10 bilhões em vendas de armas para Taiwan.

Os Estados Unidos continuam comprometidos em manter uma relação construtiva e voltada para resultados com a RPC. Os Estados Unidos fazem contatos e trocas de informações de defesa com a RPC para comunicar suas intenções estratégicas; evitar e gerenciar crises; reduzir os riscos de erros de cálculo e mal-entendidos que podem se transformar em conflitos; e cooperar em áreas de interesse comum. As Forças Armadas dos Estados Unidos estão envolvidas com o PLA para desenvolver mecanismos eficazes de comunicação de crises, incluindo canais sensíveis à redução de tensões em cenários não planejados.

4. Avanço da influência americana

Nas últimas sete décadas, a ordem internacional livre e aberta proporcionou estabilidade para permitir que Estados soberanos e independentes floresçam e contribuam para um crescimento econômico global sem precedentes. Como um país grande e desenvolvido e um dos principais beneficiários dessa ordem, a RPC deve ajudar a garantir liberdade e abertura para outras nações ao redor do mundo. Quando Pequim promove ou incentiva o autoritarismo, a autocensura, a corrupção, a economia mercantilista e a intolerância à diversidade étnica e religiosa, os Estados Unidos lideram esforços internacionais para resistir e combater essas atividades malignas.

Em 2018 e 2019, o secretário de Estado organizou os dois primeiros encontros da Reunião Ministerial para o Avanço da Liberdade Religiosa. Juntamente com o Apelo Global para Proteger a Liberdade Religiosa, algo inédito realizado pelo presidente durante a Assembleia Geral das Nações Unidas (Agnu) em setembro de 2019, esses eventos reuniram líderes globais para enfrentar a perseguição religiosa em todo o mundo. Durante as duas reuniões ministeriais, os Estados Unidos e os países parceiros divulgaram declarações conjuntas pedindo ao governo da RPC que respeite os direitos dos uigures e de outros muçulmanos turcomanos, budistas tibetanos, cristãos e adeptos do Falun Gong, todos os quais enfrentam repressão e perseguição na China. Em fevereiro de 2020, o Departamento de Estado lançou a primeira Aliança Internacional de Liberdade Religiosa com 25 parceiros com ideais semelhantes para defender o direito de liberdade de culto e religião que todas as pessoas devem exercer sem medo. O presidente se reuniu com dissidentes e sobreviventes chineses em paralelo à Reunião Ministerial de 2019 e compartilhou o palco durante a Agnu com vítimas de perseguição religiosa da China. Os Estados Unidos também continuam apoiando defensores de direitos humanos e a sociedade civil independente que trabalha na China ou com a China.

Em outubro de 2019, nas Nações Unidas, em Nova York, os Estados Unidos se uniram a nações com ideais semelhantes na condenação das contínuas violações de direitos humanos em Pequim e outras políticas repressivas em Xinjiang que ameaçam a paz e a segurança internacionais. Este último evento seguiu as ações do governo americano visando impedir as exportações dos Estados Unidos para agências governamentais chinesas e empresas de tecnologia de vigilância cúmplices dos abusos dos direitos humanos em Xinjiang e negar vistos para autoridades chinesas e seus familiares, responsáveis ​​por violar os direitos humanos internacionais e os compromissos de Pequim. Os Estados Unidos também iniciaram ações para bloquear as importações de produtos chineses produzidos usando trabalho forçado em Xinjiang.

Os Estados Unidos continuarão a adotar uma posição de princípios contra o uso de nossa tecnologia para apoiar as Forças Armadas da China e seu autoritarismo habilitado por tecnologia, trabalhando em conjunto com aliados e parceiros com ideais semelhantes. Ao fazer isso, implementaremos políticas que acompanham as rápidas mudanças tecnológicas e os esforços da RPC para misturar usos civis e militares, e obrigar as empresas a apoiar os serviços de segurança e inteligência da China.

Esses esforços demonstram o compromisso dos Estados Unidos com os valores e normas fundamentais que têm servido de base ao sistema internacional desde o final da Segunda Guerra Mundial. Embora os Estados Unidos não desejem interferir nos assuntos internos da RPC, Washington continuará sendo sincero quando Pequim se afastar de seus compromissos internacionais e comportamento responsável, especialmente quando os interesses dos Estados Unidos estiverem em jogo. Por exemplo, os Estados Unidos têm interesses significativos no futuro de Hong Kong. Aproximadamente 85 mil cidadãos americanos residem em Hong Kong e mais de 1.300 empresas dos Estados Unidos têm sede no local. O presidente, o vice-presidente e o secretário de Estado pediram repetidamente a Pequim que honrasse a Declaração Conjunta Sino-Britânica de 1984 e preservasse o alto grau de autonomia, o Estado de Direito e as liberdades democráticas de Hong Kong, que permitem a Hong Kong continuar sendo um centro bem-sucedido de negócios e finanças internacionais.

Os Estados Unidos estão expandindo seu papel como nação indo-pacífica que promove a livre iniciativa e a governança democrática. Em novembro de 2019, Estados Unidos, Japão e Austrália lançaram a Blue Dot Network para promover infraestrutura de alta qualidade e financiamento transparente por meio de desenvolvimento liderado pelo setor privado em todo o mundo, o que aumentará os quase US$ 1 trilhão em investimentos diretos dos Estados Unidos somente na região do Indo-Pacífico. Ao mesmo tempo, o Departamento de Estado publicou um relatório de progresso detalhado sobre a implementação de nossa estratégia abrangente para a região do Indo-Pacífico:

Um Indo-Pacífico Livre e Aberto: promovendo uma visão compartilhada.

Conclusão

A abordagem do governo à RPC reflete uma reavaliação fundamental de como os Estados Unidos entendem e respondem aos líderes do país mais populoso do mundo e da segunda maior economia nacional. Os Estados Unidos reconhecem a competição estratégica de longo prazo entre nossos dois sistemas. Por meio de uma abordagem de todo o governo e guiada pelo retorno ao realismo de princípios, conforme articulado pela NSS, o governo dos Estados Unidos continuará protegendo os interesses americanos e promovendo a influência americana. Ao mesmo tempo, continuamos abertos a um engajamento e cooperação construtivos e voltados para resultados com a China, onde nossos interesses se alinham. Continuamos a nos engajar com os líderes da RPC de maneira respeitosa, mas clara, desafiando Pequim a cumprir seus compromissos.


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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