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Embaixador Tibor P. Nagy, Vice-Secretário, Gabinete dos Assuntos Africanos

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Departamento De Estado Dos Estados Unidos
Para Divulgação Imediata
6 De Maio De 2020

 

Conferência Especial De Imprensa Via Telefone

Moderador:  Daqui do Centro Regional de Média de África do Departamento de Estado dos E.U.A. damos as boas tardes a todos. Gostaria de saudar os nossos participantes que ligam a partir de todo o continente, obrigada a todos por se juntarem a nós nesta conversa.

Antes de começarmos a conferência de hoje, gostaria de estabelecer as regras básicas. Esta conferência é – a conferência é sobre – a totalidade da sua cobertura e atribuição deve ser feita ao nosso representante, o Embaixador Tibor Nagy. É com muito prazer que recebemos hoje o Embaixador Tibor Nagy, que fará as suas considerações no início da chamada. Começaremos a conferência de hoje com essas considerações do nosso interlocutor e então passaremos às vossas questões. Tentaremos responder ao máximo de questões possível dentro do tempo que temos disponível.

Embaixador Nagy – Vice-Secretário Nagy, passo-lhe a palavra para as considerações iniciais.

Embaixador Nagy:  Muito obrigado, Marissa, e começo com cerca de cinco minutos de comentários e então passo-vos a bola.

Bom dia em Washington e nos Estados Unidos, ou boa tarde no continente. Muito obrigado por participarem na chamada de hoje. Espero realmente e oro para que todos vós e as vossas famílias estejam bem enquanto enfrentamos estes tempos sem precedentes e continuamos a fazer tudo ao nosso alcance para ultrapassarmos isto e seguirmos com as nossas vidas.

Estou no desempenho destas funções há quase dois anos, tendo voltado, já após a reforma, ao Departamento de Estado após ter passado 32 anos no corpo diplomático, exercendo funções sobretudo no continente africano, com assuntos africanos. Posso dizer que depois de toda uma carreira vivendo e trabalhando no continente, estou tão otimista como antes que, não apenas vamos ultrapassar isto, mas que a nossa relação com o povo africano sairá fortalecida. Digo-o por experiência própria e por saber que o nosso compromisso com África perdurará.

Além da nossa parceria de longo-prazo na área da saúde, trabalhamos juntos para a boa governação, aumento de trocas comerciais e investimento, melhoria do desenvolvimento do empreendedorismo da juventude e mulheres de África, e aumento da segurança em todos os setores. Tal como o Secretário Pompeo já reforçou em diversas ocasiões, é tempo de reforçar a parceria duradoura da América com os nossos amigos africanos. Temos uma longa história de trabalho em conjunto, de lidar com desafios de saúde pública, e estou confiante que as nossas décadas de relações e partilha de experiências nos ajudará a lidar com a crise atual.

Com o Presidente Trump, essa parceria continuou a fortalecer-se. Somos de longe a maior nação doadora a África e o nosso impacto é sentido em todos os setores. Os Estados Unidos já investiram mais de 100 mil milhões de dólares nos últimos 20 anos em saúde pública no continente africano, formou mais de 285.000 profissionais de saúde. Só com o PEPFAR, salvaram-se mais de 18 milhões de vidas em 18 anos.

A administração está também a trabalhar ativamente para salvar vidas em África combatendo a malária, o ébola, a gripe das aves e a cólera. A Iniciativa Presidencial Contra a Malária, ou PMI, ajudou a salvar mais de 7 milhões de vidas, ao mesmo tempo que preveniu mais de mil milhões de casos de malária nos últimos 20 anos. Onde o PMI atua, as mortes por malária registaram uma diminuição de 60% desde 2006.

E agora, na luta contra o COVID-19, esse compromisso continua. Nenhuma outra nação faz mais do que nós. Dos mais de 780 milhões que os E.U.A. asseguraram em todo o mundo para combater o vírus, perto de 250 milhões se destinam a África. E a nossa resposta vai além desta nova quantia. Em locais como o Gana, Senegal, Uganda, Serra Leoa e Mauritânia, hospitais de campanha, tendas e ambulâncias que estavam a serviço de missões de paz internacionais, foram adaptados para os esforços do COVID-19. A nossa confiança mútua, construída ao longo dos anos, teve um papel fundamental, dado os enormes esforços realizados por governos africanos, companhias aéreas e outros, de modo a ajudar a repatriar mais de 10.000 americanos do continente.

E mais, não se resume à liderança do nosso governo; temos também o que chamamos de abordagem “All-of-America”.  Empresas, ONGs, organizações religiosas contribuíram. Juntos, os americanos deram quase 6.5 biliões, bem como os peritos que enviámos para todo o mundo e aqueles que ainda hoje continuam a conduzir tutoriais via videoconferência, e os médicos e profissionais de saúde pública que foram formados graças a fundos dos E.U e de instituições educacionais.

É também tempo de refletirmos sobre a importância da transparência. É nestas alturas que se vê em quem se pode confiar, e sinto orgulho em dizer que os nossos parceiros africanos, na maioria dos casos, estiveram lá para nós quando precisámos, tal como nós estivemos lá para eles. Infelizmente, existem outros agentes neste mundo que não se mostraram à altura, antes pioraram a situação através de secretismo e engano.

Celebrámos recentemente o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, e vemos, com preocupação, que alguns países usaram esta crise do COVID-19 para aumentar as restrições à liberdade de imprensa, sobretudo em resposta a publicações independentes relacionadas com a crise. As respostas governamentais à pandemia do COVID-19 devem focar-se na proteção da saúde pública. Os governos não deviam usar a doença como pretexto de repressão de pessoas ou ideias, na imprensa ou em qualquer outro local. Uma imprensa vibrante, livre é mais importante do que nunca para assegurar que o público receba informação exata e atempada sobre o vírus, e como parar a sua disseminação. A transparência e responsabilização do governo e a liberdade de expressão, incluindo a de membros da imprensa, é crucial para uma resposta eficaz ao COVID-19.

Quando refletimos sobre a importância da transparência e de outros assuntos, tais como ajuda, dívida e informação sobre saúde, facilmente se percebem os benefícios de trabalhar com uma sociedade livre e aberta, em oposição a uma que não possua estas caraterísticas.

Como sempre, os Estados Unidos continuarão a colaborar com os nossos parceiros africanos para lidar com o COVID-19 e quaisquer outros desafios que surjam. Ultrapassaremos isto, como sempre, pela saúde e segurança da América e do continente africano.

Assim termino e responderei com todo o gosto às vossas questões. Over.

Moderador:  Obrigado, Vice-Secretário Nagy. Damos agora início às questões e respostas na chamada de hoje. Para os que desejam colocar questões, por favor digam o nome e filiação e limitem-se a uma só questão relacionada com o tema de hoje: a resposta dos E.U.A. à pandemia do COVID-19 em África.

Para os que ouvem a chamada em francês, português e árabe, já recebemos algumas das vossas questões por email e podem continuar a colocar questões em inglês por email para [email protected].

A nossa primeira questão é da Hilary Nnoruka da Nigeria Info. “Qual é a resposta dos Estados Unidos em relação aos países africanos que recebem médicos e suprimentos médicos chineses para ajudar a lidar com a pandemia do COVID-19 no continente?”

Embaixador Nagy:  Bem, uma vez mais, os países são soberanos. Os países podem decidir com quem lidar e de que modo. O que pedimos e apelamos é transparência, total transparência de todos os doadores, quer seja relativamente a ajuda ao COVID ou alívio de dívida ou programas de ajuda em geral.

Os Estados Unidos da América, nós focamo-nos em dar ajuda em todos os setores, assegurando-nos de que o material que enviamos é da mais alta qualidade. Então, uma vez mais, a única coisa que posso dizer é que escolham os vossos parceiros segundo a vossa vontade. Apoiamos completamente a soberania e liberdade de escolha. Mas assegurem-se de que a vossa decisão é sábia. Over.

Moderador:  Obrigado. Próxima questão – vamos para a fila de espera das perguntas e respostas – é da Anita Powell da Voice of America. Operador, por favor abra a linha.

Operador:  A linha está aberta.

Questão:  Olá, consegue ouvir-me?

Operador:  A sua linha está aberta.

Questão:  O senhor consegue ouvir-me?

Embaixador Nagy:  Sim, consigo.

Questão:  Ótimo. Muito obrigada. Aqui a Anita com a Voice of America em Joanesburgo.

Quero falar especificamente sobre as conversas que representantes americanos tiveram com peritos de países como a Guiné, Libéria, Serra Leoa, Congo, África do Sul, Uganda, só para dar alguns exemplos. Estes são países que já lidaram com sucesso com vários surtos epidémicos. Estou a pensar que lições podem estar a aprender com eles, que nível de comunicação têm com eles, e também se tal pode ser prenúncio de uma mudança relativamente aos E.U.A. e alguns dos seus países parceiros que têm recebido, desde há muito tempo, ajuda na área da saúde por parte dos E.U.A.

Embaixador Nagy:  Sim. Excelente questão. Claro, dissemos já que reconhecemos completamente o conhecimento de onde quer que este venha, e há uma série de países africanos que – graças ao historial de surtos, infelizmente, e de terem tido que lidar com eles, que construíram uma grande base de conhecimento sobre a forma de lidar com várias pandemias. E de facto, na nossa colaboração próxima em todo o continente, incluindo com representantes do CDC africano e dos E.U.A. que estão em missões em toda a África, mantivemos uma colaboração muito próxima, incluindo com instituições académicas dos E.U.A.

Por isso é que nas minhas considerações iniciais mencionei o que chamo a abordagem “All-of-America”, para que estejamos totalmente empenhados, não somente em todos os aspetos do Governo dos E.U.A., mas com a academia dos E.U.A., ONGs dos E.U.A., organizações religiosas dos Estados Unidos e, também muito importante, com empresas do setor privado dos E.U.A. Então, isto não é – não é de forma alguma uma comunicação unilateral, porque todos temos muito a aprender uns com os outros. Over.

Moderador:  Obrigado. A próxima questão é de Kifaya Ollier do Independent Arabia Newspaper dos E.A.U. “Qual o impacto de suspender o financiamento da OMS em África agora, durante esta pandemia?”

Embaixador Nagy:  Sim, também é uma questão muito boa e agradeço-lhe muito. Na verdade, creio que a expressão suspender o financiamento não é de todo correta. O que os Estados Unidos da América disseram foi que estamos a fazer uma avaliação de 60 a 90 dias da resposta da Organização Mundial da Saúde à emergência do COVID.

E como o próprio Secretário Pompeo disse, disse a respeito da OMS, sabemos que eles tinham uma função, uma única missão: prevenir a disseminação da pandemia. Então, isso não aconteceu. Não foi a primeira vez que falharam, então é isso que estamos a fazer, efetivamente. E temos sido os maiores financiadores do OMS, é nossa responsabilidade, do governo, cuidar dos interesses dos contribuintes dos E.U.A. que têm estado a financiar a organização com 400 a 500 milhões por ano.

Então, mais uma vez, diria que a expressão correta não é suspender o financiamento, mas sim parar de financiar durante o processo de avaliação. Over.

Moderador:  Obrigado. A próxima questão é da nossa fila de espera ao vivo, do Austin Makani da IPP Media na Tanzânia. Operador, por favor abra a linha.

Operador:  A sua linha está aberta.

Questão:  Muito obrigado por todo o apoio que os Estados Unidos estão a dar a África e à Tanzânia. Agradecemos de verdade. A minha questão é quanto desse apoio é realmente destinado a pesquisa? Porque penso que se estamos bem preparados para realizar pesquisa, devíamos conseguir arranjar soluções, soluções possíveis. Muito aconteceu em Madagáscar e agradecemos por noutros países estarem a providenciar uma cura – não cura, mas é mesmo necessário algum trabalho de pesquisa em África, por isso queremos perceber, quanto do vosso apoio dado a África se destina a pesquisa? Obrigado.

Embaixador Nagy:  Sim, muito obrigado pela questão. Infelizmente, não vos posso dar as quantias exatas de cada componente, pois o financiamento que estamos a disponibilizar é essencialmente em todos os setores, de A a Z. Então, inclui suprimentos médicos, equipamento médico, os ventiladores. Naturalmente, envolve apoio à pesquisa, envolve medicamentos, envolve apoio a profissionais de saúde, instituições, etc.

E, claro, o mais importante: com os Estados Unidos, não se trata apenas do CDC, saúde e serviço social, outras agências de saúde do governo envolvidas, mas as centenas e centenas de universidades dos E.U.A., pois há tanta pesquisa feita nas universidades. Temos diversas universidades dos E.U.A. com fortes parcerias com universidades africanas, com laboratórios africanos. Então, é realmente – é uma abordagem global.

E também vi com interesse alguns dos relatórios relativos a alguns dos potenciais tratamentos para mitigar a doença. E, claro, têm de ser analisados com muita atenção, com uma análise científica, mas todos estão a trabalhar o mais celeremente possível. Mas pode ter a certeza de que um financiamento significativo está a ser destinado a pesquisa. E como disse, temos pessoas do CDC em todo o continente africano que estão a trabalhar e a colaborar de forma muito próxima com os seus homólogos nacionais, através das embaixadas dos E.U.A., através dos governos do país anfitrião, de forma a assegurar que existe um fluxo de informação em ambas as direções. Over.

Moderador:  Obrigado. Voltamos à nossa fila de questões e respostas. A próxima questão é de Kevin Kelley do Nation Media Group. Operador, abra a linha.

Operador:  A linha está aberta.

Questão:  Olá, obrigado por esta conferência, é muito útil. Então, Embaixador Nagy, estou a pensar em que medida é que os Estados Unidos estão a encorajar governos africanos a que sejam o mais comunicativos possível relativamente a taxas de infeção e taxas de óbito. Penso especificamente na Tanzânia, em que tem havido diversos críticos na Tanzânia que estão a dizer que o governo não está a divulgar os resultados da testagem de forma realista, e que a testagem é muito inadequada. E esse pode ser a realidade em todo o continente, que a testagem não nos esteja a proporcionar uma leitura real do alcance da pandemia. Qual o ponto de vista dos Estados Unidos sobre este assunto? Obrigado.

Embaixador Nagy:  Sim, obrigado, Kevin, pela questão. Como disse nas minhas considerações iniciais, um dos temas principais e com mais importância para o Governo dos Estados Unidos, é a total transparência, em todos os domínios. É – seja em pesquisa, seja em relatórios, seja quando uma comunidade doadora vê a forma como vamos ajudar os países africanos a mitigar a sua dívida, etc. Então, a sacralidade e verdade dos dados são absolutamente essenciais, e quais são os possíveis motivos para não haver total transparência ou disponibilidade? Alguns podem ser maliciosos, outros inocentes.

Os governos omitem dados propositadamente para ofuscar a verdade ou tentar impedir que parte da verdade se torne pública. Isso é absolutamente malévolo. Por outro lado, sabemos que alguns governos têm sérias limitações – o número de kits de testes disponíveis, a qualidade de alguns kits de testes que obtiveram de certas fontes. Então, a intenção por trás dessas ações, penso que é muito importante.

Também, como bem sabe, Kevin, em África temos a situação da África ainda – a maioria da população é rural, e é muito, muito difícil testar em tantas partes do continente, enquanto nos meios urbanos está muito mais disponível. Mas, lá está, também há muitas limitações de disponibilidade do material.

Então, as nossas embaixadas estão a observar muito de perto o que se passa nos seus países. Estão a relatar-nos a situação. Estão igualmente em contato com os seus governos. E uma das nossas mensagens aos governos é que é extremamente importante para todo o mundo, para toda a gente, ser o mais possível comunicativo e transparente relativamente a esses assuntos, pois é absolutamente vital para todos saber que os dados estão corretos, para que possamos agir de acordo com esses mesmos dados. Over.

Moderador:  Obrigado. A próxima questão é de Kokou Togaba Kataka da TOGO-PRESSE no Togo. “Qual é a contribuição total dos E.U.A. em África em resposta à pandemia do COVID-19?”

Embaixador Nagy:  Certo, é uma ótima questão. E parece que eu devia simplesmente dar um número em resposta, mas isso seria um pouco simplista. Creio ter dito nas minhas considerações que o financiamento que disponibilizámos a África, especificamente para a emergência do COVID-19, foram 247 milhões de dólares.  Mas temos que recordar também que a ajuda anual dos E.U.A. a África é 7.1 mil milhões, dos quais 5.2 mil milhões só em saúde. E que demos – como disse nas considerações introdutórias – quantias incríveis de dinheiro a África nos últimos 20 anos, e muito desse dinheiro foi para coisas como ajudar países africanos a estruturar os seus sistemas de saúde, a formar profissionais de saúde africanos.

Então, o dinheiro que estamos a dar agora, sim, é bastante generoso, mas temos de ver isso à luz do que damos para além disso, que é a ajuda a países africanos para que se preparem para este tipo de emergência. Tal como também disse, para a América, não é só o governo que dá; é o nosso setor privado. Por exemplo, tenho lido relatório atrás de relatório sobre o quão empenhadas estão as empresas dos E.U.A. em também contribuir para isso, ou as nossas ONGs, as nossas comunidades religiosas, as nossas igrejas nos Estados Unidos tendem a ser extremamente generosas e muito altruístas para o trabalho em África.

Então, enquanto – por exemplo, a resposta ao COVID do Governo dos E.U.A. – muito generosa. 2.4 mil milhões. Mas se somar o setor privado americano, as ONGs americanas e as comunidades religiosas americanas, esse número salta para os 6.5 mil milhões. Então, é quase três vezes mais. Então, os Estados Unidos – e isto é, o povo dos Estados Unidos – estão a ser, creio eu, o mais generosos possível na ajuda ao mundo no combate a esta terrível, terrível emergência. Over.

Moderador: Obrigado. A próxima questão é da nossa fila, Pearl Matibe do NewsDay. Operador, abra a linha.

Operador:  A linha está aberta.

Questão:  Muito obrigada. Muito obrigada. Agradeço sempre a sua disponibilidade. Chamo-me Pearl. Estou com a NewsDay Zimbabué em Washington D.C. A minha questão foca-se especificamente em quatro países SADC: Moçambique, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué. O que podem partilhar relativamente ao desafio da insurgência no norte de Moçambique? E por favor, explique que critérios usaram para determinar quanto receberiam estes quatro países, dado as pessoas dizerem que morrerão de fome antes de morrer do coronavírus, uma vez que não levaram a cabo uma testagem abrangente.

Por exemplo, queria perguntar, o PAM, que creio ser um dos vossos parceiros, está a fazer transferências em dinheiro para grupos vulneráveis. Será que os E.U.A. podem ponderar a hipótese de fazer transferências em dinheiro para médicos e enfermeiras a quem o governo do Zimbabué prometeu apenas 30 USD por mês de subsídio de risco e que não estão motivados a pôr as suas vidas em risco? E pergunto isto porque já coloquei esta questão ao Departamento de Estado, mas ainda não recebi uma resposta. Espero que possa partilhar algumas respostas claras. Muito obrigada.

Embaixador Nagy:  Sim, muito obrigada pela questão. Infelizmente, não vai obter de mim uma resposta específica hoje porque não disponho dessa informação. Mas estou contente por ter mencionado o Programa Alimentar Mundial porque é um exemplo de uma agência multilateral que funciona muito bem. Os estados Unidos da América, por sinal – pode ser um benefício do Programa Alimentar Mundial, mas penso que é importante realçar que os Estados Unidos da América contribuem com 42% do orçamento do Programa Alimentar Mundial.

Então, para responder ao essencial das suas questões, número um, a insurgência no norte de Moçambique é bastante preocupante. Cresceu de um movimento muito pequeno no último ano, ano e meio, e esperamos realmente que Moçambique dedique a sua atenção a lidar com isto de modo muito sistemático. Porque, por exemplo, infelizmente fiz essa comparação em alguns dos meus pronunciamentos públicos, em relação ao crescimento do Boko Haram na Nigéria. O Boko Haram era apenas um pequeno movimento, e pela forma como o Governo nigeriano lidou inicialmente com o problema, cresceu – tornou-se uma ameaça muito séria, não apenas para o nordeste da Nigéria, mas para os países vizinhos.

Então, sabemos que a insurgência no norte de Moçambique e em Cabo Delgado é numa parte isolada do país. É muito longe de Maputo. É também uma parte do país que tem padrões linguísticos, sociais e culturais diferentes de grande parte do resto de Moçambique, e faz também fronteira com o sul da Tanzânia, que é a parte mais remota da Tanzânia. Então, a nossa embaixada, juntamente com alguns parceiros, estão totalmente empenhados em discutir com o Governo de Moçambique as melhores formas de responder àquela insurgência, para impedi-la de se tornar o tipo de ameaça que o Boko Haram se tornou na Nigéria.

Agora, tanto quanto sabemos acerca da escolha daqueles quatro países. Não vou entrar em detalhes complexos, mas fique certa de que é um processo muito intenso, deliberativo entre o Departamento de Estado, a USAID, outras agências governamentais dos E.U.A., pois como pode imaginar, as necessidades serão sempre muito, muito, muito maiores do que os recursos disponíveis. Nós, o povo americano, seremos o mais generosos possível, mas não há forma de conseguirmos fazer face a todas as necessidades em todas as partes do mundo. Nem a comunidade internacional trabalhando toda junta consegue fazê-lo.

É por isso que disse tantas vezes nos meus comentários públicos que a forma de assegurar que conseguimos uma África próspera e estável, especialmente para todos aqueles milhões e milhões de jovens que estão a surgir e estarão em busca de bons empregos, é de facto sermos capazes de atrair  o tipo de investimento estrangeiro direto que permitiu a outras partes do mundo progredir da pobreza à prosperidade. E, com sorte, uma das coisas que buscamos especificamente em África são os tipos de programas e políticas em que nos possamos empenhar no continente, de modo a que, ao sair desta pandemia, África possa ter em vista um future muito melhor. Over.

Moderador:  Obrigado, A próxima questão é de Koffi Eugene do Le Media Citoyen na Costa do Marfim. A questão é “Foi proposta uma moratória de dívida para países africanos após o coronavírus. Dado que será muito difícil para as economias africanas mesmo após esta moratória, os Estados Unidos têm em mente algum tipo de apoio para estados africanos?”

Embaixador Nagy:  Sim, também é uma excelente questão. E, obviamente, estamos apenas na fase inicial de examinação do que as várias políticas representam, para que possamos prosseguir, pois será do interesse de todos que, tal como eu disse, quando África saia disto, seja capaz de seguir o rumo da prosperidade o mais depressa possível. As economias africanas que entram nesta questão, algumas delas são das que mais rapidamente crescem em todo o mundo. Obviamente, isto terá um impacto económico devastador em todo o continente, então a questão será: Como podemos trabalhar juntos para retomar o rumo, primeiro, da recuperação económica, e depois da prosperidade económica?

O G20 deu o passo inicial. Sei que várias instituições internacionais, parceiros internacionais estão em estreitas deliberações sobre os potenciais próximos passos, sobre o que podemos fazer a seguir. E neste ponto, quero voltar aos comentários iniciais que fiz sobre a importância crucial da transparência. África tem devedores bilaterais em todo o mundo e será muito importante para todos aqueles países que detêm dívida africana que ajam em conjunto, que ajam de forma muito transparente relativamente ao modo como lidam com a dívida, para que nãos seja algo opaco, feito “debaixo da mesa”, mas que seja feito de forma que todos possam ver o que realmente está envolvido neste tipo de transações. Over.

Moderador:  Obrigado. De volta à nossa fila de questões. A nossa próxima questão é da Anna, Cara, da Associated Press. Operador, por favor abra a linha.

Operador:  A linha está aberta.

Questão:  Olá, obrigada. Obrigada. Os E.U.A. já começaram a doar ventiladores e kits de testes a nações africanas e, se sim, a quais? E como irão os E.U.A. ajudar a assegurar que África não esteja no fim da linha no que toca a uma vacina contra o coronavírus?

Embaixador Nagy:  Como estará no fim da linha – qual era a questão?

Questão:  Para uma vacina contra o coronavírus.

Embaixador Nagy:  Ah, certo, Bem, sobre a vacina contra o coronavírus, eu – neste momento, apenas oro para que possamos obter uma vacina contra o coronavírus o mais rapidamente possível. Todos estão a trabalhar juntos para isso. Quanto mais cedo, melhor.

E nós, os Estados Unidos, na nossa assistência à saúde, penso que logo que – por exemplo, estive muito envolvido e assisti a toda a história da tragédia do VIH/SIDA, desde o início até finalmente sermos capazes de tratar a doença – passos iniciais, mini-passos iniciais, e depois graças a Deus pelo PEPFAR. E creio que os Estados Unidos fizeram verdadeiras acrobacias para assegurar que as populações africanas recebessem a medicação o mais rapidamente possível. Então, presumo que será o mesmo tipo de esforço a partir do momento em que exista uma vacina. E mais uma vez, que Deus nos dê a vacina o mais rapidamente possível.

O Presidente dos Estados Unidos teve várias conversas telefónicas com chefes de estado africanos, discutindo as suas necessidades, os tipos de equipamento médico. Gostaria de poder dizer-lhe exatamente o que foi enviado, quantos, para onde. Não tenho essa informação. Se lhe desse um número agora, no momento em que esta conversa terminasse, o número já teria mudado. Então, penso que será muito melhor, no fim das contas, olharmos para os números cumulativos, pois há muitas coisas aa acontecer neste momento. Então, não lhe posso dar uma quantia exata. Over.

Moderador:  Certo. A nossa próxima questão é do Daniel Quequexi, um repórter da Rádio Nacional de Angola. “O COVID-19 teve um impacto na produção petrolífera. Angola é estado-membro da OPEP, com a qual os E.U.A. têm divergências. Como é que os E.U.A. veem as suas próprias críticas à OPEP e a necessidade de ajudar Angola de acordo com a parceria estratégica existente entre as duas nações?”

Embaixador Nagy:  Sim. Não creio que alguma vez tenhamos criticado Angola por ser membro da OPEP. Penso que historicamente tivemos algumas diferenças relativamente a algumas políticas da OPEP que têm mais a ver com procura e oferta e forças económicas globais do que com a própria existência da organização.

Angola, por outro lado, tem tido uma importância crescente como parceiro bilateral dos E.U.A. Já disse publicamente numa série de ocasiões o quanto gostaríamos de felicitar o Presidente Lourenço pelos esforços que tem feito desde que assumiu a presidência, sobretudo no que toca a esforços de anticorrupção, e que demonstraram cada vez mais a sua seriedade em desejar conduzir Angola numa direção totalmente diferente daquela que seguiu no passado.

Então, desejamos muito poder continuar a desenvolver a nossa parceria com Angola. Angola continuará a ser e será cada vez mais um local em crescimento, atrativo para o comércio e investimento dos E.U.A. e para ser visitado por corporações dos E.U.A. Então, estamos muito, muito contentes com a nossa parceria com Angola e com desejo de a levar mais adiante no futuro. E certamente manteremos a nossa parceria durante esta pandemia, incluindo o trabalho em conjunto para tentar mitigar a doença o mais possível. Over.

Moderador:  Obrigado. A próxima questão é do Nick Turse do Yahoo! News. Operador, por favor abra a linha. A sua linha está aberta.

Questão:  Muito obrigado por aceitar estas chamadas hoje, Embaixador Nagy. O senhor e o Secretário-Geral António Guterres apelaram repetidamente a um cessar-fogo global durante o surto do COVID-19. A falha de adesão dos beligerantes no continente africano a um cessar-fogo afetou a resposta ao COVID-19? Se sim, o que devia ser feito a esse respeito?

Embaixador Nagy:  Sim… – ainda bem que fez essa pergunta pois há duas coisas que pedi especificamente às nossas embaixadas. Uma, alguns países usarão a emergência do COVID para aumentar tendências autoritárias, aumentar a supressão dos meios de comunicação, que é muito triste, especialmente dois dias depois do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa? Outra é verificar se as organizações extremistas violentas estão a aproveitar a oportunidade que podem obter de perturbações causadas pela pandemia do COVID para aumentar as suas atividades ou a alargar as suas áreas de ação.

Então, é algo que vai acontecendo. Obviamente, os governos que estão a ser vítimas destas organizações extremistas, é muito difícil para eles declarar um cessar-fogo se estão a  ser atacados, ou como o que aconteceu em Mogadíscio na semana passada, projéteis de morteiro caem no aeroporto, ou se um extremista do ISIS África Ocidental no Chade faz uma emboscada e ataca uma base chadiana e mata uma série de soldados chadianos, etc., etc.

Seria fantástico que pudesse haver um cessar-fogo. E infelizmente, dado ao tipo de conflitos que atingem África, é – não existem e facto estruturas de controlo e comando em algumas destas organizações extremistas violentas, então é muito difícil implementar algo assim. Mas como disse, é uma daquelas áreas de grande interesse, pois receio que, em vez de tenderem a um cessar-fogo, algumas destas organizações vão tentar aproveitar a oportunidade e usar a pandemia para seguir as suas agendas de violência. Over.

Moderador:  Obrigado. A próxima questão é de Brooks Spector na nossa fila. Operador, por favor abra a linha.

Questão:  Bom dia, e obrigado por participar nesta conversa. Agradeço muito, Queria – sou do Daily Maverick de Joanesburgo. Circula por todo o mundo, obviamente na internet. Eu ia perguntar sobre a OMS, mas isso já foi tratado, então vou para o Plano B. Como se deve recordar, durante a epidemia de ébola na África Ocidental, equipas médicas americanas e cubanas encontraram uma forma de trabalhar em conjunto – cautelosamente, talvez de forma hesitante – mas conseguiram algumas formas de cooperação.

Qual a sua reação, a reação do governo, à chegada de equipas médicas cubanas a África, e, mais especificamente, um grande contingente à África do Sul? Tem alguma opinião ou receios sobre esta questão?

Embaixador Nagy:  Sim. Sim, então é assim. Relativamente aos cubanos, o governo – os governos africanos, eu sei – sobretudo alguns – têm uma longa historial com profissionais de saúde cubanos. A nossa opinião sobre o recurso a médicos cubanos: Se os países pagarem diretamente aos cubanos pelo seu serviço, temos aceitado isso. O problema é quando os países pagam uma quantia considerável de dinheiro ao governo de Cuba e os profissionais cubanos não são pagos.

Mais uma vez, a menos que algo viole a resolução do Concelho de Segurança das Nações Unidas relativamente a certos países – nós, nós respeitamos os países na sua soberania e suas opiniões e laços individuais, apesar do que possamos pensar sobre alguns. Mas Cuba tem um longo historial de envio de pessoal médico. O nosso problema tem sido relativamente à forma como os países pagam por esses peritos médicos. Então, reconhecemos a longa história da África do Sul e relações de longa data com outros países no sul de África. E como disse, durante a crise do ébola, criaram-se alguns mecanismos. Over.

Moderador:  Obrigado. A próxima questão é de Juanita Sallah na fila. Operador, por favor abra a linha.

Operador:  A linha está aberta.

Questão:  Olá, bom dia. Penso ser nobre da parte dos E.U.A. o que estão a fazer em termos de ajuda a nações africanas e outras partes do mundo, mas de que forma isto impacta a vossa resposta interna ao COVID-19? Porque o povo e as empresas americanas estão a sofrer, também.

Embaixador Nagy:  Desculpe. Não percebi o cerne dessa questão. Over.

Moderador:  Sim. Juanita, pode repetir por favor? Sim, ok.

Questão:  Certo. Então, eu estava a dizer que é nobre da parte dos E.U.A., o que estão a fazer em termos de ajuda a nações africanas e outras partes do mundo, mas de que forma isto impacta a vossa resposta interna ao COVID-19? Porque o povo e as empresas americanas estão a sofrer, também.

Embaixador Nagy:  Sim, muito obrigado por essa questão. Claro, A nossa economia, como todas as outras, sofreu um golpe muito, muito grande. É incrível, creio que nenhum de nós, no nosso tempo de vida, viu um desastre como este, que atinge não só a saúde das nossas nações, mas também as economias das nossas nações. E podemos apenas orar para que a recuperação ocorra muito, muito brevemente.

Mas eis a verdade que todos conhecemos sobre o COVID e outros tipos de pandemias: os vírus e bactérias não respeitam fronteiras. O vírus COVID não precisa de um visto de entrada para ir de um país para o outro. Então, penso que todos nós temos a obrigação de ajudar, em todo o lado, a manter este vírus longe. Então, enquanto o povo americano passa também por um sacrifício, entendemos que é nossa obrigação ajudar o resto do mundo, pois começou numa cidade, tanto quanto sabemos, em Wuhan, na China, e agora acaba por estar, creio, em todos os cantos do mundo.

Então, temos de ser generosos. Os estados Unidos da América, graças às bênçãos de Deus, é um país muito desenvolvido. Temos recursos incríveis. E agora temos a obrigação de usar esses recursos não apenas para ajudar e salvaguardar o nosso povo, mas ajudar tanto quanto possível o resto do mundo. Over.

Moderador:  Obrigado, Embaixador. Temos uma última questão, e outra enquanto se prepara para dar as suas considerações finais. Tivemos muitos jornalistas que queriam perguntar o que é que os E.U.A. estão a fazer individualmente em cada país, então se puder resumir e dar uma perspetiva global nas suas considerações finais, talvez mais informação sobre esta abordagem “All-of-America” e como estão a abranger todos estes países, seria útil.

Esta última questão vem da Nigéria, do Senator Iroegbu do Global Sentinel. Os E.U.A. estão dispostos a colaborar e financiar pesquisa e desenvolvimento de vacinas africanas produzidas localmente contra o COVID-19 e outras doenças infeciosas, como Madagáscar e a Nigéria estão a fazer?

Embaixador Nagy:  Sim, e penso que já falámos disso, como disse, os Estados Unidos têm profundos, profundos laços em todo o continente africano – de instituição a instituição, de país a país, universidade a universidade, laboratório a laboratório. Temos agentes dos E.U no CDC, nos Serviços Sociais e Humanos, outros laboratórios dos E.U.A., em todo o continente estão a colaborar de modo próximo com os seus colegas africanos e há troca de experiências de pesquisa. Estão a acelerar; normalmente este tipo de pesquisa levaria muito tempo, requereria testes muito mais extensivos; mas está a ser acelerado para que o mundo possa ter uma vacina o mais breve possível.

Então sim, de facto isto ocorre em toda a África. E quem sabe que – onde poderá surgir uma solução. O importante é que estas coisas sejam devidamente testadas e depois veremos como corre. Mas posso garantir que existe uma colaboração incrível devido ao número de países em que os programas de saúde dos E.U.A. tiveram impacto. Alguém perguntou sobre estes países. Por exemplo, o PEPFAR está ativo em 50 países. A Iniciativa contra a Malária do nosso Presidente está ativa em 27 países. Fazemos saúde materna e infantil em 25 países. Temos segurança de saúde global; deteção global de doenças em 32 países; imunização e erradicação da pólio em 30 países; contra a tuberculose em 25 países; na área da imunologia, formação em 70 países. Fazemos pesquisa biomédica em todo o mundo, o Feed the Future e Food for Peace em 60 países.

E creio que é importante mencionar a questão da alimentação porque falámos da devastação médica do COVID. Falámos um pouco sobre a devastação económica do COVID. Agora vejamos partes da África Oriental que não estão a ser – sofrendo com o COVID, mas também têm pragas de gafanhotos. Alguns locais sofrem agora com chuvas excessivas e inundações. E todos sabemos muito bem que isto levará a fome no futuro, infelizmente; então alguns países obviamente precisarão de assistência alimentar. E, lá está, penso que podemos contar com os Estados Unidos como o único país no mundo que pode literalmente trazer centenas de milhar de toneladas de alimentos – não creio que mais alguém o possa fazer – e fazê-lo muito rapidamente. Esta é uma das outras questões com que vamos lidar no futuro.

Então juntos, juntos, vamos resolver isto. E quando África sair disto, os Estados Unidos estarão ali, para que sigamos em frente. E, com sorte, o futuro será melhor porque teremos uma abordagem sistemática a de facto trabalhar com cada um dos países, para os capacitar a voltar ao caminho da recuperação. E como disse, o meu sonho é não apenas a recuperação, mas a prosperidade depois de ultrapassarmos isto. Over.

Moderador:  Concluímos assim a chamada on the record de hoje. Quero agradecer ao Vice-Secretário de Estado para o Gabinete dos Assuntos Africanos, Tibor P. Nagy, por participar. E obrigado a todos os que ligaram para participar. Se têm quaisquer questões sobre a chamada de hoje, podem contatar o Centro Regional de Média de África pelo email [email protected].


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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