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Declarações Iniciais e Excertos de Uma Sessão Extraordinária por Telefone

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Departamento de Estado dos Estados Unidos
Para Divulgação Imediata
Vice-Secretária Adjunta Heather Merritt
Gabinete Internacional dos Assuntos de Narcóticos e Fiscalização
21 de julho de 2020

Centro Regional de Imprensa Africana

 

Moderadora:  Boa tarde a todos desde o Centro Regional de Imprensa Africana do Departamento de Estado dos E.U. Gostaria de saudar os nossos participantes, que ligam de todo o continente e agradecer-vos por se juntarem a esta conversa.

Hoje temos a honra de ter connosco Heather Merritt, Vice-Secretária de Estado Adjunta do Gabinete Internacional dos Assuntos de Narcóticos e Fiscalização. A Vice-Secretária Adjunta Merritt falará dos esforços dos E.U. no combate ao tráfico de droga em África. Começaremos a chamada de hoje com as declarações iniciais da Vice-Secretária Adjunta (VSA) Merritt. Passaremos então às vossas perguntas. Tentaremos abordar o máximo de questões possível durante a sessão.

 Lembro-vos que a chamada de hoje é on the record. E assim, passo a palavra à Vice-Secretária Adjunta do Secretário de Estado para o Gabinete Internacional de Assuntos de Narcóticos e Fiscalização, Heather Merritt.

VSA Merritt:  Bem, bom dia a todos, falo-vos da minha casa, aqui nos arredores de Washington D.C. É um prazer estar convosco. Sei que temos não apenas os colegas do centro regional na África do Sul, mas também temos em linha jornalistas de todo o continente. Creio que da África do Sul, Quénia, Nigéria, Senegal, Ruanda, Gana, Libéria, talvez do Zimbabué. Estou muito animada por estar convosco esta manhã. Sei que ligam de todo o mundo, e para alguns de vós é muito tarde, então realmente agradeço o vosso interesse e participação.

Só para contextualizar quem não tenha conhecimento, trabalho para o Departamento de Estado, no Gabinete Internacional dos Assuntos de Narcóticos e Fiscalização, para o qual usamos o acrónimo NFI. O NFI atua em todo o mundo no combate ao crime internacional, drogas ilícitas e instabilidade. E fazemo-lo ajudando os países a melhorar as instituições do setor da segurança pública e justiça. Queremos ajudar a fortalecer a capacidade policial, sistemas de tribunais, procuradores. E conseguimos fazer isto através do envolvimento diplomático e programas de ajuda internacional no terreno. Tentamos incentivar reformas, promover uma governação mais eficaz, melhorar o Estado de direito e desenvolver instituições mais eficazes. Então, é esse o contexto em que me movimento.

No que é mais relevante para vós, um aspeto realmente importante do nosso trabalho são as relações com parceiros africanos. E, através das embaixadas dos E.U. no continente, o NFI trabalha com países em toda a África, estabelecendo parcerias com governos para desenvolver a capacidade das suas entidades do setor da justiça criminal, e queremos de facto trabalhar a segurança pública e Estado de direito, de forma a prevenir e lidar com ameaças não-estatais, criminais e terroristas.

Trabalhamos sobretudo a um nível institucional, tentando promover tanto reformas do topo à base para prevenção de ameaças criminosas, mas também a nível comunitário, muito no sentido de ir de encontro às necessidades dos cidadãos que lidam diariamente com estas ameaças.

E hoje queremos focar-nos principalmente na ameaça das drogas e tráfico de droga. Por acaso ontem à noite vi – a UNODC tem um relatório realmente útil, o Relatório Mundial de Drogas, que podem consultar online. O  último relatório deles saiu em junho, e eu estive a ver os números, e infelizmente os números sobre abuso e uso de drogas continua a aumentar em todo o mundo. E quero salientar que não é só em todo o mundo; é um problema crescente em África. É uma ameaça em muitos aspetos, não apenas para a saúde pública, mas também para a segurança, então falaremos disso.

Então vejamos, em África a produção de drogas ilícitas, o tráfico e consumo estão ligados ao crime organizado, a fluxos financeiros ilegais, corrupção e, cada vez mais, ao financiamento do terrorismo. Fronteiras permeáveis, faixas costeiras pouco patrulhadas, instituições fracas e regimes de execução fazem com que África seja atrativa para os traficantes, e todos temos de trabalhar em conjunto para combater este crime transnacional, porque nos coloca a todos em perigo.

Então, a costa oriental de África, desde o sul da Somália até à África do Sul, tornou-se um dos principais locais de transbordo da heroína produzida no Afeganistão – e também por vezes da heroína do Paquistão ou do Irão – com destino aos mercados em África, Europa e Estados Unidos. A heroína é traficada ao longo do que chamamos a rota “Sul” ou “marítima”, desde as costas do sul do Paquistão ou do Irão, por barco através do Oceano Índico. O produto pode ser descarregado sobretudo na costa do Quénia, Tanzânia e Moçambique, e por vezes nos estados insulares, e reembalado para posterior envio para mercados, muitas vezes pela África do Sul ou países na África Ocidental.

A África Ocidental também se tornou um centro histórico para o tráfico de cocaína e relatórios sugerem que essa rota está a ressurgir. O aumento da produção de cocaína na América do Sul destinada aos mercados em África, Europa e Estados Unidos aumentou o tráfico – e apreensões . na região. Nos primeiros três meses de 2019 foi apreendida mais cocaína, na verdade, em apenas dois países – na Guiné-Bissau e Cabo Verde –  que a quantidade total apreendida em todo o continente africano entre 2013 e 2016. Foram realmente três meses surpreendentes em 2019.

E até no Sahel, há uma preocupação crescente que as fronteiras permeáveis lá e a movimentação de grupos, incluindo grupos armados e criminosos transnacionais, estejam a permitir o tráfico de narcóticos que pode estar a financiar indiretamente algumas redes e atividades terroristas, já que os traficantes pagam por uma passagem segura através de espaços subgovernados e rotas que foram exploradas também por entidades terroristas.

Creio ser também de suma importância referir que apesar de o trânsito ser a nossa principal preocupação, África, infelizmente, também se está a tornar uma fonte de drogas ilícitas. Sabemos, por exemplo, que algumas organizações criminosas nigerianas adotaram métodos de produção simplificados, mas eficazes para converter químicos precursores não controlados – portanto, chamá-los-ia químicos preprecursores – em metanfetamina, então a Nigéria e mais alguns locais estão a tornar-se produtores e fornecedores de metanfetamina. E há outros países na região, tristemente, em risco de seguir esta tendência.

Este fluxo relativamente livre de drogas  ameaça os países africanos e os Estados Unidos e fortalece as Organizações Criminosas Transnacionais, ou OCT. Há várias OCTs consolidadas operando em África e que facilitam não apenas drogas ilícitas, mas eu diria que acreditamos fortemente que as OCTs em África são maioritariamente abertas em relação aos produtos com que lidam. As pessoas que lidam com drogas podem também lidar com armas, lidar com pessoas, lidam também com produtos de animais selvagens, então é algo com que todos nos devemos preocupar.

O Departamento de Estado está a investir recursos significativos no combate ao tráfico de droga em África, e trabalhamos com os nossos parceiros interagências no Governo dos E.U., e queremos proteger a soberania dos nossos parceiros africanos, a segurança africana e, simultaneamente, a segurança nacional dos E.U. Aumentámos a capacidade das entidades de fiscalização legal para prevenir o livre fluxo de drogas ilícitas, para interditar esses fluxos, para analisar transações financeiras e investigar e processar os traficantes e suas redes, bem como para desenvolver instituições responsáveis.

Um dos pontos em que estamos a trabalhar é a coordenação através de fronteiras ou regional, não somente entre estados africanos individuais, mas entre os nossos parceiros africanos. No Sahel, por exemplo, ajudámos a reunir líderes de agências contra narcóticos em todo o norte e oeste de África, para os ajudar a lidar com a crescente ameaça do tráfico de narcóticos no Sahel. Os participantes focaram-se em oportunidades para  uma comunicação otimizada, coordenação e colaboração, e, finalmente, decidiram criar uma rede informal para melhorar a sua comunicação além fronteiras e promover a partilha de inteligência.

A dias da conclusão desta conferência em março de 2019, obtivemos alguns sucessos no que respeita a partilha de informação, incluindo uma questão relacionada com uma grande apreensão de tramadol no Benim que estava ligada a uma empresa do Níger.

Através do programa de segurança marítima do NFI no Golfo da Guiné, que foi implementado maioritariamente com os nossos parceiros das Nações Unidas e com a INTERPOL, os países tornaram-se mais capazes e sofisticados na interdição de embarcações carregadas com drogas e outros produtos ilícitos que poderiam estar destinados aos E.U. ou à Europa, e também na condução de investigações marítimas que podem levar a processos legais eficazes. Os países do Golfo da Guiné que participam nestes programas estão a coordenar, entre as suas jurisdições e com os seus pares, a partilha de informação uns com os outros, bem como a condução de operações conjuntas.

Quero também referir que os nossos programas se focam no aumento da capacidade dos setores de justiça dos nossos estados-parceiros. Valorizamos a formação e oportunidades de consultoria para promotores e juízes para que incluam a colaboração com as suas entidades de fiscalização, e trabalhamos também para lidar e diminuir as taxas de detenção pré-julgamentos. Todos estes esforços devem melhorar a capacidade do setor de justiça criminal a eficazmente identificar, deter, processar e deter traficantes de droga e outros criminosos graves.

Uma das ferramentas que usamos nestes esforços é a nossa rede de academias internacionais de fiscalização legal, ou AIFLs, que patrocinamos em vários locais do mundo. Alguns de vós poderão já conhecer a nossa Academia Internacional de Fiscalização, ou AIF, em Gaborone, no Botswana. Temos igualmente alguns dos nossos parceiros africanos que dão formação no nosso Centro Regional de Formação em Acra, no Gana, e temos ainda um Centro Internacional em Roswell, no Novo México, nos Estados Unidos. E nestas academias reuníamos diversas nações-parceiras e abordamos tópicos como a formação em tráfico de narcóticos, combate ao tráfico de vida selvagem, tráfico humano, combate à corrupção e melhoria de monitorização comunitária.

Para finalizar, gostaria de referir que também temos uma abordagem equilibrada no Governo dos Estados Unidos. Importa-nos não somente parar o fornecimento de drogas, mas também a demanda, e reconhecemos que os programas de redução de demanda baseados em evidência e os transtornos de abuso de substâncias são incrivelmente importantes.

A cooperação entre África e os Estados Unidos no que respeita à prevenção de drogas, tratamento e recuperação tem sido contínuo, e desta forma podemos lidar com o gravíssimo problema global do uso de drogas. Um dos nossos maiores esforços tem sido aumentar o número de profissionais formados em programas baseados em evidências de tratamento, prevenção e recuperação.

Vários dos nossos parceiros africanos têm trabalhado com um grupo que patrocinámos, o Plano Colombo, para melhorar substancialmente a sua capacidade de tratamento de uso de drogas, recorrendo aos chamados Protocolos Universais de Tratamento e Protocolos Universais de Prevenção. E até à data, 21 países africanos receberam formação e ajudámos a formar mais de 2.500 profissionais nacionais. Estes – vejamos. Estes profissionais formados e credenciados em tratamento e prevenção do uso de drogas são de facto recursos necessários no continente, e são capazes de levar a cabo iniciativas de redução da demanda de drogas baseadas em evidências e economicamente viáveis, de aconselhar os seus líderes relativamente a políticas e práticas e de ajudar a formar profissionais futuros relativamente à transformação positiva de comunidades.

O NFI também ajudou a apoiar a criação da Sociedade Internacional de Profissionais de Abuso de Substâncias, ou SIPAS, e através dessa rede partilha-se muita informação, dá-se formação aos envolvidos em prevenção e tratamento de drogas. Existem atualmente cinco seções nacionais do SIPAS em África, que ajudam os seus países a lidar com esses problemas. Tanto o SIPAS como a União Africana organizarão um evento web este outono sobre os problemas com drogas em África, e peço-vos que todos consultem isso no site da SIPAS e participem.

Por último, quero terminar dizendo que o tráfico de animais selvagens e a caça furtiva representam também uma crise crescente de segurança internacional e conservação da natureza. Sabemos que as operações de caça furtiva aumentaram muito, ações oportunistas de matança coordenada, muitas vezes comissionadas por consórcios criminosos armados e organizados. E esses consórcios, como referi anteriormente, são muitas vezes as mesmas pessoas envolvidas em diversas atividades criminosas, e essas redes podem traficar vida selvagem, drogas, pessoas.

O NFI tem, sem dúvida, uma abordagem de justiça criminal para combater esta questão. Sabemos que outras partes do Governo dos E.U. estão mais focadas em desenvolvimento comunitário e em aspetos ambientais, mas nós apoiamos a formação e assistência técnica à fiscalização africana, incluindo formação em investigações do tipo “Sigam o dinheiro”[1] e condução de investigações além-fronteiras. E nós fornecemos formação em leis e estratégias a promotores, que levarão a processos efetivos. Oferecemos também alguma assistência técnica para ajudar governos a fortalecer as suas leis e a aumentar punições.

Então, com tudo isto, falando de como lidar com o fornecimento e demanda de drogas, falando de passagens a outras formas de crime organizado transnacional, e falando do facto de termos de nos unir para termos sucesso contra esta organizações, as organizações criminosas que são cada vez mais globais – com tudo isto, quero terminar e agradecer a todos por participarem na sessão de hoje, e aguardo com prazer as vossas perguntas. Obrigada.

[excertos]

Moderadora:  Obrigada. Continuamos em linha e passamos ao Geoff Hill.

Questão:  Obrigado, e agradeço à Marissa Scott por mais uma excelente sessão. Vice-Secretária, vemos em sítios como Moçambique, mas também na África Ocidental, um crescente cruzamento entre tráfico de drogas e tráfico de produtos falsificados – bebidas alcoólicas apresentadas como marcas famosas, mas falsificadas, tabaco ilícito, fármacos falsos, que naturalmente também são drogas, mas medicamentos. Estão a par desta situação e a vossa agência está a tentar lidar com isto ou a cooperar com outras agências? Obrigado.

VSA Merritt:  Hey, obrigada, Sr. Hill. Excelente questão. Estamos definitivamente preocupados com Moçambique, e penso que não só Moçambique, mas essa tendência que identificou é algo a que fiz referência antes, que as organizações criminosas não têm problemas substanciais em lidar com qualquer tipo de produto. Com certeza trabalhámos na África Ocidental – vem-me à mente o Benim -, apoiámos autoridades a tentar melhorar o controlo tanto dos medicamentos falsificados, então drogas ilícitas que talvez sejam falsificadas e não sejam o que publicitam ser, ou não produzidas pelo laboratório legal que as produzrealmente, então coisas duvidosas que podem não – ter a eficácia que o medicamento de marca teria, o que é incrivelmente perigoso, como refere; e o contrabando de outros produtos, quer sejam, como refere, produtos alcoólicos ou de luxo, produtos de animais selvagens, seres humanos, armas.

Então cremos, e já falei como FBI, DEA e outros concordam comigo que os reais – as redes criminosas, particularmente em África, tornaram-se indiferentes em relação aos produtos com que lidam. Se tem os oficiais corruptos, se tem o transporte, se tem as ligações, pode contrabandear pela fronteira e encontrar um mercado para qualquer tipo de produto.

E o que é realmente perigoso, pois existe um perigo adicional em drogas ilícitas nos seus efeitos na saúde e os efeitos negativos na nossa sociedade e nos utilizadores, até mesmo de algo que possa achar menos perigoso, por exemplo, bebidas alcoólicas, não sei, um produto de luxo, o problema continua a ser a corrupção, certo? São as pessoas que são – os guardas da fronteira que olham para o lado e aceitam o pagamento. É a forma como os fluxos financeiros podem ir para grupos terroristas ou outras coisas que ameaçam o bom funcionamento do nosso sistema de justiça e do nosso governo. Então queremos proteger-nos de tudo isso.

Obrigada.

Moderadora:  Excelente. Passamos ao Paulo Agostinho. Recebemos esta questão por email da Agência Lusa. Existe alguma relação entre as tendências de tráfico de droga e a instabilidade atual e aumento de instabilidade em Moçambique, especificamente os ataques em Cabo Delgado e a incerteza política na Guiné Bissau?

VSA Merritt: Olá, Paulo. Bem, isso – são ótimas perguntas. Eu diria que certamente estamos atentos a Moçambique, em particular, e preocupados com as tendências ali presentes. Na África Oriental, julgo ter mencionado que estamos a trabalhar para combater alguns fluxos de heroína que vêm do sudoeste asiático, e devo referir que em Moçambique o nosso trabalho foca-se em algumas tendências de tráfico de droga que ultrapassam essa questão.

Preocupa-nos que Moçambique esteja a ser cada vez mais explorado por redes criminosas como base de operações para o tráfico de droga. Mas com a extensão da linha costeira de Moçambique, com centenas de quilómetros de praias isoladas e sem patrulhamento, os traficantes de droga e extremistas violentos têm usado o espaço não governado. E é realmente – há pouco patrulhamento e alcance limitado de fiscalização policial ali, então tem sido uma vantagem para essas redes perigosas que querem explorar o local.

Então, achamos que há uma série de coisas coincidentes – ou não – coincidência não é o termo correto. Há muita sobreposição entre os traficantes de droga e os extremistas e tipo de condições que lhes permitem ter sucesso nas suas atividades, e, infelizmente, estas condições existem em Moçambique.

Então, em Moçambique, a minha seção no Departamento de Estado, o NFI, está a trabalhar de forma próxima com a DEA dos E.U. e juntos apoiamos os esforços de luta contra os narcóticos do governo moçambicano. Também atuamos através do Gabinete contra as Drogas e Crime das Nações Unidas, UNODC, para produzir alguma capacidade de construção para os moçambicanos, a capacidade das agências civis de fiscalização marítima, de forma  ajudá-las a interromper algum crime organizado transnacional, com patrulhamento mais eficaz, e também trabalhamos de certa forma com o sistema de justiça, com o sistema judicial, para abrir processos em casos marítimos e tentando aumentar a cooperação regional. Penso que futuramente veremos mais investimento na fiscalização para além da questão das drogas. Então diria que é muito preocupante.

A Guiné-Bissau é um assunto bem diferente, e definitivamente é um assunto que preocupa o Governo dos E.U. Por muito tempo, a Guiné-Bissau vem assistindo a uma tremenda quantidade de tráfico, infelizmente, mas – preocupa-nos sobretudo o atual governo e se a vontade política existirá de facto para fazer o que é necessário para parar os fluxos de drogas naquela região. Então, são países que nos preocupam muito.

Também temos ouvido relatos na Guiné-Bissau acerca da demissão do Ministro da Justiça feita pelo Presidente Sissoco, bem como do Chefe da Polícia, e eram duas figuras ativas na luta contra o tráfico de droga. Também existe grande preocupação sobre os ataques à liberdade de expressão e esforços que podem comprometer o Estado de direito, e que tudo isso pode levar a um aumento do tráfico de droga, que seria um caminho errado.

Mas temos de referir que se registou uma grande vitória contra o tráfico de droga na Guiné-Bissau, no início de abril. Tinham de facto condenado 12 pessoas por tráfico de cocaína após uma apreensão em setembro, de cerca de 1,8 toneladas de cocaína, que havia sido a maior apreensão na história da Guiné-Bissau. E o NFI ajudou, tal como o nosso DEA, na formação de alguns dos oficiais envolvidos no curso das investigações de narcóticos, então tivemos uma atividade regional em que participaram alguns oficiais da Guiné-Bissau, mas infelizmente, penso que mais recentemente estamos muito preocupados com estas tendências com a demissão de oficiais e algumas mudanças na liberdade de expressão e outras coisas, que parecem estar ameaçadas. Então, tendências preocupantes. Obrigada.

Moderadora:  Continuamos na África lusófona. Leigh Elston, creio que a sua questão foi respondida na resposta da VSA Merritt relativa a Moçambique e ao tráfico. Se acha que não foi respondida, por favor envie outra questão, ou desenvolva a anterior.

O Dr. Joseph Hanlon do Moçambique News Reports pergunta, “Pode falar de Moçambique e do tráfico de heroína?”

VSA Merritt:  Olá. Bem, obrigada (em português). Não sei se terei muitos detalhes para dar, mas creio que referi várias vezes que estamos muito preocupados. Penso que as Nações Unidas e outros relatos mostram um sério aumento na heroína que vem do sudoeste asiático por essa rota marítima até à costa Suaíli e à costa oriental de África. Então estamos certos de que isso está a acontecer. Estamos a trabalhar em parceria com outros oficiais de fiscalização dos E.U. e moçambicanos, bem como de outros governos da região, para tentar aumentar não apenas a inteligência ou o conhecimento factual do que está a chegar sobretudo por mar, mas também estamos a trabalhar em conjunto para investigar melhor essa questão, pois reconhecemos que as apreensões não são suficientes; que é necessário compreender estas redes e compreender os fluxos financeiros por detrás delas, se é que queremos lidar realmente com o problema e tentar evitar que Moçambique seja vulnerável a esse flagelo que é o tráfico de droga.

Devo ainda dizer que por vezes pensa-se nestes países como países de trânsito, e talvez possamos fazer a seguinte pergunta: Bem, sendo um país de trânsito, será tão mau? Talvez não seja tão perigoso como ser um país de destino. Na verdade, diria que devemos estar muito preocupados com África como um país de trânsito de drogas, porque as drogas tendem a ser usadas onde quer que parem. E, infelizmente, criar uma população que tenha acesso a drogas perigosas, como a heroína, que se habituam a ela, isso por si só é perigoso, e os fluxos financeiros que ameaçam governos através da corrupção também são muito perigosos. Então, obrigada por essa pergunta.

Moderadora:  Obrigada. Passamos a Pearl Matibe ao vivo em linha do Open Parliament.

Questão:  Olá, é a Pearl Matibe. VSA Merritt, é ótimo poder discutir estes assuntos consigo mais uma vez. A minha pergunta, sei que já a respondeu no que toca a Moçambique, e algumas das questões que já referiu relativamente ao que os E.U. estão a fazer com estas redes criminosas. Mas posso pedir-lhe que desenvolva, pois se não tem a informação disponível hoje, talvez possa contatar diretamente o seu Gabinete, pois, como sabe, a questão extremista islamista em Cabo Delgado já dura desde outubro de 2017. Então vemos produtos – marfim, rubis, esmeraldas, heroína. Como já referiu – sendo distribuídos para norte e sul, segundo informações, com apoio externo. Pode comentar, ou sabe para onde vão esses produtos? Estão a ir na direção sul, para o Zimbabué? Assistimos certamente a um disparo do uso de drogas no Zimbabué. E será que viram tráfico de animais selvagens desde o Zimbabué, talvez na Ásia, ou os produtos estão a ir para a África do Sul? Pode comentar, e, se não possuir detalhes, por favor diga-nos se está disposta a contatar diretamente o seu Gabinete, e terá mais tempo para responder. Obrigada.

VSA Merritt:  Olá, Pearl. Bom dia. Ou melhor, boa tarde. São todas excelentes perguntas. Quero dizer, brevemente, diria que poderemos prosseguir offline ou ter uma conversa a seguir, mais detalhadamente, pois não posso comentar todos os detalhes hoje. Mas em geral, eu diria que, tanto quanto sei, que muitos dos produtos, incluindo a heroína, incluindo produtos de animais selvagens, são passados por vezes pela África do Sul ou pela África Ocidental, no caso dos fluxos de droga. Então as drogas podem aterrar na costa oriental africana, incluindo em Moçambique. Depois poderão passá-la pela África Ocidental ou pela África do Sul, em trânsito para mercados que muitas vezes são na Europa, por vezes na Ásia, apesar de, uma vez mais, eu ter referido anteriormente que o facto de algo estar em trânsito não significa que uma porção da mercadoria não fique no continente e não cause danos lá. Então, devemos estar atentos.

Em relação aos produtos de animais selvagens – quero dizer, é realmente um problema no continente. O sul de África, sobretudo, tem sido duramente atingido pela caça furtiva e contrabando de produtos de animais selvagens, incluindo marfim. Estes, muitas vezes – então o mercado, a demanda vem da Ásia, mas não creio que apenas da Ásia. Mas as rotas primárias são na Ásia, mas há várias formas de os diversos grupos de traficantes fazerem sair os produtos de forma segura para esses destinos ou mercados de aquisição. E talvez a melhor forma de responder à sua questão seja levá-la à minha equipa e fazer uma sessão em data posterior.

Então, sim, excelentes perguntas, todas elas. Concordo que nós, como Governo dos E.U. estamos preocupados com o extremismo em Cabo Delgado e nessa zona de Moçambique. É uma preocupação de todo o governo. Reconhecemos que existe uma ameaça à segurança que possui uma ligação à criminalidade, ao terrorismo, e que é necessário pensar no tipo de capacidade governativa, na capacidade de fiscalização e capacidade militar em Moçambique. Queremos ter uma resposta de todo o governo e uma parceria com os nossos parceiros moçambicanos e regionais. Então, talvez seja uma conversa para outro dia. Obrigada.


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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