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Coletiva com o Subsecretário Interino para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Embaixador Michael Kozak, sobre os Esforços do Governo para Promover a Democracia no Hemisfério Ocidental

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Coletiva Especial
Michael G. Kozak, Subecretário Interino
Do Escritório De Assuntos Do Hemisfério Ocidental
Via Teleconferência
30 De Julho De 2020

 

SR BROWN: Oi. Boa tarde a todos. Obrigado por se juntarem a nós para esta coletiva de imprensa com o Subsecretário Interino para Assuntos do Hemisfério Ocidental, o embaixador Michael Kozak. O embaixador Kozak discutirá as ações do governo que aprofundaram a democracia no Hemisfério Ocidental, com foco especial nos esforços feitos em Cuba, Nicarágua, Venezuela, Guiana e Haiti em coordenação com nossos parceiros da Organização dos Estados Americanos e de outros organismos regionais. 

O embaixador Kozak fará uma declaração de abertura e, em seguida, responderá suas perguntas. Gostaria de lembrar que o conteúdo da coletiva está embargado até o fim da ligação.

Embaixador, por favor, siga em frente.

EMBAIXADOR KOZAK: Bem, obrigado, Cale. E obrigado por participarem da chamada. Espero que todos estejam fortes e em segurança. Queria dar um passo atrás hoje e olhar para uma de nossas principais prioridades políticas, que é o avanço da democracia no Hemisfério Ocidental, o hemisfério da liberdade. 

Hoje, a grande maioria dos países das Américas e do Caribe são democracias. Estamos cada vez mais próximos do ideal que os estados-membros da OEA se comprometeram a alcançar quando assinaram a Carta Democrática Interamericana em 2001. Estamos trabalhando com nossos parceiros e através da OEA para defender a democracia onde ela está ameaçada e, ao mesmo tempo, estamos tentando reverter a maré nos países onde a democracia é apenas um sonho.

Em 15 de julho, o Secretário de Estado anunciou a imposição de restrições de visto a indivíduos cúmplices ou responsáveis por minar a democracia na Guiana. Hoje, estamos agindo para impedir que outros indivíduos de alto escalão daquele país entrem nos Estados Unidos. O Secretário de Estsdo foi claro: o governo Granger e seus aliados continuam desafiando a vontade do povo da Guiana, recusando-se a aceitar a contagem de votos. A contagem foi certificada como válida pelos observadores internacionais OEA e CARICOM, os mais altos tribunais da Guiana e do Caribe. Os Estados Unidos se unem ao resto da região, recusando-se a fazer parte dessa farsa. Continuaremos a agir até que o governo Granger aceite a vontade dos eleitores da Guiana.

Nós apreciamos a parceria renovada entre os Estados Unidos e a Bolívia, que se tornou possível quando o povo boliviano se posicionou contra esforços para roubar uma eleição no país. Esperamos ansiosamente por eleições livres, justas e transparentes com observação internacional, inclusive da OEA, assim que a situação da pandemia de COVID permitir. O mundo está assistindo para garantir que a voz e a vontade do povo boliviano sejam honradas desta vez. Os EUA trabalharão com quem eles escolherem.

No Suriname, estamos no limiar de uma nova era de relações bilaterais. Parabenizamos o presidente recém-eleito do Suriname, Santokhi,  e esperamos trabalhar juntos para fortalecer nosso relacionamento. Os Estados Unidos tiveram o prazer de apoiar a equipe de observação eleitoral da OEA, que estava presente para observar as recentes eleições no Suriname.

Incentivamos o Haiti a organizar eleições legislativas assim que for tecnicamente possível. O Conselho Eleitoral Provisional renunciou em 27 de julho. O Haiti deve agir rapidamente para formar um novo conselho eleitoral capaz de organizar eleições livres, justas e com credibilidade.

Ao lado do Haiti, na República Dominicana, testemunhamos recentemente eleições presidenciais históricas que levaram a uma transferência pacífica de poder, mesmo durante o período de COVID. Esperamos ter um relacionamento próximo com o novo governo local.

Agora, na Venezuela, continuamos buscando uma transição pacífica para eleições livres e justas. Vocês devem lembrar que oferecemos um caminho com a estrutura de transição democrática que o Secretário de Estado propôs em 31 de março. Espero que muitos de vocês tenham tido a chance de ouvir o Representante Especial Abrams discutir a política EUA-Venezuela em profundidade durante sua coletiva de imprensa na terça-feira.

Na Nicarágua, Daniel Ortega anunciou as eleições presidenciais para 7 de novembro de 2021, mas dezenas de presos políticos definham na prisão dele, e o regime se recusa a se envolver em reformas eleitorais necessárias para a realização de eleições livres, justas e críveis.

Para mudar essa situação, os Estados Unidos estão trabalhando com a OEA e nossos parceiros internacionais para insistir que Ortega empreenda as reformas eleitorais necessárias para eleições livres e justas em 2021. Se a Nicarágua tiver eleições críveis no próximo ano, precisará fazer reformas necessárias e estabelecer as condições apropriadas para fazer campanha este ano. Nossa mensagem ao regime é direta: faça isso agora ou a pressão se intensificará.

Para que isso aconteça, estamos agindo. Em 17 de julho, os Estados Unidos anunciaram sanções adicionais, desta vez contra o filho de Ortega, Juan Carlos Ortega Murillo. Também agimos contra outro indivíduo e duas entidades por possibilitarem e se beneficiarem com atividades corruptas do regime. Mais pressão está por vir.

Em Cuba, o regime continua a reprimir o povo cubano enquanto mina ativamente a democracia na região. Os Estados Unidos estão aumentando a pressão sobre o regime de Castro para impedir a repressão contra seus cidadãos e a intervenção do regime em outros países, principalmente na Venezuela. E este é um momento difícil para o regime. Seu sistema econômico comunista nunca foi capaz de produzir os recursos necessários para alimentar seu próprio povo. Sua economia é parasitária, dependeu durante anos de subsídios maciços da União Soviética e, depois,  do fluxo de receita de sua relação essencialmente colonial com a Venezuela.

Mas agora que os esforços combinados de Maduro e dos assessores econômicos comunistas cubanos também destruíram a riqueza da Venezuela, Cuba está sendo profundamente afetada. Observe que, embora os venezuelanos enfrentem escassez extrema em casa, eles continuam enviando petróleo, diesel, gasolina, alimentos e remédios para Cuba.

Portanto, nossa política em relação a Cuba é restringir suas outras fontes principais de receita para forçar o regime a enfrentar as deficiências de seu próprio modelo e permitir maiores liberdades para seu próprio povo. Para isso, estamos expondo a verdade sobre o programa de médicos cubanos, um esquema para ganhar dinheiro disfarçado de assistência humanitária. Estamos desencorajando as viagens que envolvem ficar em hotéis administrados pelas forças armadas cubanas e estamos tentando quebrar o monopólio das forças armadas cubanas no processamento de remessas.

Enquanto nos preparamos para sediar a nona Cúpula das Américas em 2021, os Estados Unidos continuarão trabalhando com parceiros regionais como a OEA e as partes interessadas da sociedade civil para manter a defesa coletiva da democracia como uma das principais prioridades de nosso hemisfério e garantir que os povos das Américas tenham voz durante a cúpula.

E com isso, ficarei feliz em responder às suas perguntas.

SR BROWN: Ok. Se vocês quiserem fazer uma pergunta, disquem 1 e 0 para entrar na fila. 

Tudo certo. Nossa primeira pergunta é de Beatriz Pascual, da EFE.

PERGUNTA: Olá. Obrigada, embaixador. Hoje, o presidente apresentou a ideia de adiar as eleições de novembro. Que mensagem o senhor acha que envia aos vizinhos dos EUA na América Latina, como Guiana ou Bolívia? Obrigada. 

EMBAIXADOR KOZAK: Ok. Bem, eu não vou comentar os comentários de nosso presidente sobre assuntos domésticos. Sugiro que você fale com a Casa Branca sobre isso. 

SR BROWN: Ok. Para a nossa próxima pergunta, vamos com Will Mauldin, do Wall Street Journal. 

PERGUNTA: Muito obrigado, embaixador e Cale por nos receberem. Gostaria de saber se o senhor poderia elaborar um pouco sobre sa visão de longo prazo para Cuba, como algumas das – enquanto os EUA dão os primeiros passos lá. E como (inaudível) vimos que alguns subsídios venezuelanos se esgotam, qual o senhor acha que seria o próximo passo na relação dos EUA com Cuba ou a trajetória do regime? Obrigado. 

EMBAIXADOR KOZAK: Sim. Boa pergunta. Vou lhe dar um pouco da minha própria previsão, com base na minha própria história – eu tinha esse emprego há 30 anos, quando o subsídio soviético estava acabando e os cubanos estavam resistindo. Os soviéticos estavam tentando convencê-los a adotar a perestroika e a glasnost para que não dependessem tanto dos subsídios soviéticos, e Castro não queria. E então, finalmente, os soviéticos cortaram o subsídio. Cuba entrou em colapso. 

Mas o lado positivo disso foi que, depois de alguns anos, as forças armadas de Raul Castro foram até Fidel e disseram: olha, nós – o povo está morrendo de fome; não podemos mais reprimi-los porque nossos próprios soldados estão passando por este problema; temos que fazer algumas reformas para abrir um pouco as coisas para que haja comida na mesa. E foi quando eles abriram – eles permitiram que as pessoas possuíssem moeda forte, abriram agromercados, abriram lojas em dólar. Isso, basicamente, mudou a natureza da sociedade, onde, em vez de – todos os bens materiais estarem nas mãos do governo e serem distribuídos para as pessoas com base em mérito político, as pessoas podiam ganhar dinheiro por conta própria, e então o governo, para tirar deles, tinha que fornecer algo que eles quisessem, como uma geladeira muito cara ou algo assim. Então, isso mudou a natureza e começamos a ver bolsões de independência crescendo em Cuba. 

E isso estava começando a crescer quando, em 1998, como se gabaram na época, eles conseguiram – com o projeto deles com Chávez, conseguiram assumir a Venezuela. E imediatamente eles reverteram essas reformas. Eles começaram a se gabar de como estavam se livrando dos cuentapropistas e limitando qualquer tipo de negócio que – e tentando recuperar o controle estatal sobre a economia.  

Então, esse é o contexto em que estamos operando. E a tese aqui é se você pode extrair deles – esse tipo de fonte ilícita e artificial de receita, eles serão novamente confrontados com o problema de que o modelo deles não funciona. Não há mais papai ou mamãe para bancar todas contas e dar dinheiro para eles brincarem, e eles terão que fazer algumas mudanças. Agora, as mudanças que eles fizerem serão por eles mesmos. Eles não serão o que recomendamos ou qualquer outra coisa, mas pelo menos você começa a forçar algum tipo de conversa entre o governo cubano e seu próprio povo e alguma alteração no sistema deles.

Então, isso não é – não é que da noite para o dia algo grande vai mudar, mas espero que tenham a intenção de pressionar esse regime a tomar algumas medidas que resultem em mais liberdade e independência para seu próprio povo.

SR BROWN: Ótimo. Para a nossa próxima pergunta, vamos para a linha de Jennifer Hansler, da CNN. 

PERGUNTA: Oi, obrigada pela coletiva. Poderíamos ter sua avaliação sobre a situação no Brasil? Obviamente, há enormes taxas de contaminação de coronavírus e isso afetou muito o presidente Bolsonaro e seu círculo interno. O senhor está preocupado com o impacto na governança lá? E o senhor tem alguma atualização sobre as restrições de viagem com o Canadá? Obrigada. 

EMBAIXADOR KOZAK: No Brasil, é um – eles foram fortemente atingidos. Enviamos nossos cumprimentos ao presidente Bolsonaro. Ele parece ser bem durão e continua governando à distância, mesmo enquanto lida com a doença. É – é realmente interessante como essa doença afeta diferentes países – alguns mais do que outros. Eu não sou capaz de desenvolver uma correlação boa e verdadeira entre os tipos de medidas que as pessoas tomam e a propagação da doença. Eu – isso é algo que você precisa conversar com o epidemiologista. A única observação que eu faço é que o Brasil é um pouco como nós, na medida em que a maioria das decisões sobre restrições ao distanciamento social e assim por diante está sendo tomada nos níveis estadual e local, e não nacional. Portanto, é um país muito grande, forte e resiliente, e nossa expectativa é que eles passem por isso e resistam à tempestade, mas você não pode desconsiderar o – apenas– assim como aconteceu em muitos de nossos estados, ter esse nível de doença afetando seu povo é preocupante. Mas até agora estou – acho que não estamos preocupados com a governança do Brasil. 

Ah, e você  –

SR BROWN: Prossiga. 

EMBAIXADOR KOZAK: Você perguntou sobre as restrições com o Canadá. Não sei onde estamos na iteração mais recente. Estou tentando lembrar. Eles – tudo começa em incrementos de um mês, mas – essas decisões foram tomadas em conjunto entre os EUA, o Canadá e o México onde temos – e acho que, por volta do dia 21 de cada mês, elas são refeitas. Portanto, essas decisões são tomadas por –se baseiam nas conversas das autoridades de saúde dos três países entre si, na força-tarefa da Casa Branca e nas contrapartes do Canadá e do México. Mas acho que o que nós – o que foi muito bem feito é que tem sido uma cooperação. Fizemos – usamos o mesmo padrão para definir o que é viagem essencial e quais os tipos de viagens que podem ser atrasados por um tempo. Essencialmente, estamos dizendo para não fazerem turismo e coisas opcionais desse tipo, mas mantenham o comércio fluindo, e acho que em ambas nossas fronteiras estamos sendo muito bem sucedidos nisso, com a colaboração total de nossos dois vizinhos. 

MODERADOR: Ok, a próxima pergunta é de Alejendra Arredondo, da VOA. 

PERGUNTA: Oi, obrigada. Olá, boa tarde. Obrigada pela coletiva. Então, minha pergunta é – tenho duas perguntas. Uma diz respeito ao processo de extradição do Sr. Alex Saab. Ele está em Cabo Verde. Eu queria saber se o Departamento de Estado está em contato com as autoridades de Cabo Verde. 

E a outra é em relação à Venezuela, gostaria de saber a opinião do Sr. Kozak sobre a viagem de uma delegação norueguesa ao país? Muito obrigada.

EMBAIXADOR KOZAK: Ok, obrigado. Em Cabo Verde, – sim, o Departamento de Estado e nossas embaixadas estão envolvidos – em qualquer solicitação de extradição, eles estão envolvidos porque o pedido de extradição é apresentado a outro governo. Mas, a essência do pedido de extradição, o que está nele, como cumprir a lei local, essas questões são realmente função do nosso Departamento de Justiça e eles é que devem conversar com suas contrapartes em Cabo Verde. Portanto, esse é um processo legal que está sendo comandado pelo Departamento de Justiça, e a função do Departamento de Estado é simplesmente diplomática. Mas é diferente de qualquer uma de nossas posições de política externa. 

Sobre a visita da Noruega, quero dizer, os noruegueses tentaram e tentaram e tentaram encontrar alguma abertura com a Venezuela para conseguir com que o regime faça o que deve fazer. Admiramos a coragem deles em continuar tentando. Mas o ponto principal é que o regime de Maduro precisa encarar o fato de que a solução para esta crise não é todo mundo retirar a pressão sobre eles e deixá-los ficar ilegitimamente no poder oprimindo o povo. Isso não resolveria nada e, portanto, não vai acontecer. O que continuamos tentando transmitir a eles – e acho que isso é praticamente a – às vezes é dito de maneiras diferentes, mas é praticamente a mensagem dos países deste hemisfério, no Grupo Lima, na UE, no Grupo Internacional de Contato – a mensagem é praticamente a mesma: você precisa resolver a crise de legitimidade em seu país, ter eleições livres e justas para eleger novas lideranças que terão legitimidade e autoridade para resolver toda a panóplia de problemas que a Venezuela está enfrentando. Achamos que o único caminho possível é Maduro se afastar a favor de um amplamente aceito – e isso significa aceito tanto para os chavistas quanto para o povo no – dominantes na Assembleia Nacional, os partidos que são dominantes lá – tem que ser amplamente aceito para – e sua missão é organizar eleições livres e justas.

Mas todo o problema é que o lado de Maduro simplesmente não quer discutir nada que envolva desistir do poder ou mesmo se arriscar a desistir do poder com uma eleição real. Então, se isso – se essa é a atitude deles, é realmente difícil – seja você a Noruega ou qualquer outro que esteja tentando levar as coisas adiante nesta situação, é realmente difícil chegar a algum lugar, porque eles não admitirão que esse é o problema.

SR BROWN: Ok. Para a nossa próxima pergunta, vamos para a linha de Raquel, da TV Globo. 

PERGUNTA: Muito obrigada, Cale. Obrigada, embaixador Kozak, pela coletiva. Tenho uma pergunta sobre o Brasil, porque nesta semana médicos brasileiros apresentaram uma queixa no Tribunal Penal Internacional, acusando o presidente Bolsonaro de cometer crimes contra a humanidade e genocídio com sua resposta ao coronavírus. Então, gostaria de ouvir o que o senhor pensa sobre isso, se você está preocupado com essa questão. 

E uma outra pergunta sobre democracia porque, nesta semana, o filho do presidente do Brasil, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara no país –, ele apoiou publicamente a reeleição do presidente Trump, como o presidente Bolsonaro já havia feito. O senhor vê isso como uma interferência estrangeira nas eleições nos EUA? Acha que é apropriado?

EMBAIXADOR KOZAK: Bem, primeiro, nas ações da associação médica, é claro, o Brasil é uma democracia e tem liberdade de expressão, então eles são livres para dizer o que quiserem. Quanto à nossa posição, tomamos muito cuidado para não tentar julgar a maneira como outros governos, seja o Brasil ou qualquer outro país, estão enfrentando a crise de COVID. Ninguém sabe realmente o que é o tiro certeiro para isso. Todo mundo está tentando fazer o seu melhor e tentando sinceramente encontrar a fórmula e o equilíbrio certos, e por isso estamos muito inclinados a ser flexíveis com os países ao redor do mundo. 

A única situação em que não estamos dispostos a ser tolerantes é quando governos deliberadamente falsificam informações e transmitem informações falsas a órgãos mundiais e a outros países, porque isso realmente atrapalha qualquer esforço para tentar encontrar uma boa maneira de mitigar a propagação do vírus. Então, essa é a nossa filosofia sobre isso.

E, veja bem, as pessoas podem – vocês podem ter seus próprios julgamentos sobre se alguém deve endossar um candidato – em outra eleição ou não. Isso – às vezes as pessoas fazem, às vezes não. É uma prerrogativa deles e eu deixaria para lá.

SR BROWN: A próxima pergunta é de Conor Finnegan. 

PERGUNTA: Oi, embaixador Kozak. Obrigado pela coletiva. Eu só queria fazer uma pergunta relacionada com a pergunta de Beatriz. Não gostaria que o senhor comentasse especificamente sobre a questão doméstica que o presidente levantou, mas sua mensagem no exterior não fica prejudicada quando o presidente faz algo muito semelhante às ações que o senhor critica, levando ao questionamento da eleição dos EUA e sua integridade, ao considerar mudar a data da eleição? 

EMBAIXADOR KOZAK: Bem, veja só, eu – é quase impossível discutir isso sem discutir o lado doméstico, mas vamos deixar claro o que estamos criticando ou não  em outros países. Não criticamos países onde as eleições atrasaram por causa do pico de coronavírus no momento – estou pensando na Bolívia e no Haiti. O que estamos dizendo é que você precisa estar pronto, precisa ter todo o seu maquinário instalado para ter uma eleição tão logo a situação médica permita. Portanto, os países precisam fazer seu próprio julgamento e, novamente, eu – deixe-me acrescentar que não estou comentando de maneira alguma as eleições dos EUA aqui. Eu só estou falando sobre esses dois países. E é isso – nossa mensagem não foi – que eles estão fazendo algo errado ao atrasar as eleições, mas estamos dizendo que não usem o atraso para outra coisa senão lidar com a genuína situação médica. 

SR BROWN: Desculpe. Próxima questão. Vamos com Emmanuel Villalobos, da TVV. 

PERGUNTA: Oi. Boa tarde, embaixador. Obrigada por nos receber. Hoje, na Venezuela, um supermercado iraniano abriu as portas, de propriedade de um executivo vinculado a empresas pertencentes à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês), uma entidade sancionada pelos Estados Unidos. Esse executivo diz – abre aspas – “Pode haver uma interpretação diferente sobre nossa presença na Venezuela, mas nosso principal objetivo é comercial”, fecha aspas. O senhor realmente acha que é esse o caso? Essa abordagem é suficiente para estabilizar o regime de Maduro? Muito obrigado. 

EMBAIXADOR KOZAK: Obrigado. Bem, tenho algumas coisas a dizer. Primeiro, qualquer presença da IRGC ou da República Islâmica neste hemisfério não é algo que consideremos muito favorável. Este é o maior patrocinador estatal de terrorismo do mundo e algumas agências que eles usam estão lá para parecer que há um lado comercial, mas não queremos nada com elas. Achamos que Maduro está jogando. 

Agora, o que isso mostra é que esta é uma aliança de estados párias. Eu ficaria muito surpreso se a Venezuela pudesse obter muitos benefícios do Irã. O Irã também está sofrendo por causa de seu mau comportamento no mundo. E, pelo que temos visto, quero dizer, o Irã está querendo brincar. Está disposto a vender coisas para a Venezuela quando a Venezuela realmente não tem dinheiro para comprar muito. Eles não estão – o Irã não vai salvar a Venezuela da situação em que aquele país se colocou, e se coloca em uma situação mais perigosa ao jogar esses jogos, e os dois devem pensar seriamente sobre isso.

SR BROWN: Ok, a seguir vamos para – e devemos ter tempo para isso, talvez mais uma pergunta. Veremos. Vamos para Gabriela Perozo. 

PERGUNTA: Olá, muito obrigada por esta oportunidade. Recentemente, vimos um tuíte do presidente Guaido sobre a DirecTV, e nesta semana perguntamos à USAID sobre isso, mas eles disseram que era melhor perguntar ao Departamento de Estado. Houve alguma reunião recente com a DirecTV ou a AT&T sobre a extensão do sinal para outro país? É possível que o governo dos EUA incentive o fornecimento de pontos de venda independentes à Venezuela porque isso é fundamental para restaurar nossa democracia. Muito obrigada. 

EMBAIXADOR KOZAK: Obrigado. A situação da AT&T e da DirecTV é a seguinte – o que eles fazem é em grande parte uma decisão de negócios da parte deles. Onde – a razão pela qual eles – bem, a situação em que se encontravam era que o regime na Venezuela insistia em que continuassem a programação de canais de algumas entidades do regime que foram sancionadas pelos EUA, por isso estava colocando a AT&T numa posição, a DirecTV numa posição em que, se eles continuavam com a programação, estariam violando a lei dos EUA e, se não continuavam, estariam violando uma ordem de Maduro. Então eles acabaram saindo. 

Agora, se eles e outros podem chegar a um acordo – eu sei que o presidente Guaido se interessou por isso – em que eles poderiam transmitir sem entrar em conflito com nossas sanções ou com nossa proibição de lidar com entidades sancionadas, isso é com eles. Mas não é que o Departamento de Estado vai incentivar ou subsidiar ​​de alguma forma. É uma decisão comercial para a AT&T e outros.

SR BROWN: Ok, temos uma última pergunta na linha de Paola de Orte, do jornal O Globo. 

PERGUNTA: Obrigada. Obrigada pela coletiva, embaixador. No ano passado, a Câmara dos Deputados incluiu uma emenda no orçamento de defesa que obriga o governo dos EUA a escrever um relatório sobre direitos humanos no Brasil, e eles também queriam impedir que um acordo comercial fosse assinado se o Brasil não resolvesse os incêndios na Amazônia. Nesta semana, o deputado Engel denunciou declarações de políticos brasileiros. Então, eu gostaria de perguntar: Como é que os Estados Unidos e o Brasil vão trabalhar juntos em seus projetos conjuntos, incluindo questões relacionadas com democracia, se a Câmara parece estar relutante em se envolver com o governo brasileiro? 

EMBAIXADOR KOZAK: Bem, trabalhamos em estreita colaboração com o governo brasileiro em uma série de questões, incluindo os incêndios na Amazônia, onde estávamos dispostos a prestar assistência ao governo em seus esforços para controlar os incêndios. Existe toda uma gama de medidas comerciais, de segurança e econômicas que adotamos – e não menos importante, é que os dois países compartilham valores democráticos e têm o mesmo interesse em ver o hemisfério povoado por países democráticos. 

Então, você acaba com requisitos de relatórios, você acaba muitas vezes com outras coisas na legislação, mas é algo que temos que navegar. Acho que os fundamentos são fortes, que esses são dois países que têm muito em comum. É uma das – ou duas das maiores economias do hemisfério. E nós – você realmente não pode imaginar uma situação em que os EUA e o Brasil não estejam trabalhando juntos. Seria apenas disfuncional.

Então, continuaremos trabalhando nisso. Nós vamos trabalhar com pessoas em Capitol Hill para separar questões e encontrar o caminho certo para seguir em frente. Nossa intenção é seguir em frente, e acho que continuamos fazendo isso mesmo em época de COVID.

Quero agradecer a todos, já que essa foi a última pergunta. Gostaria de poder vê-los pessoalmente um dia desses, em vez dessas vozes sem corpo, mas é um prazer conversar com todos vocês e agradeço por terem participado dessa discussão hoje.

SR BROWN: Obrigado, embaixador Kozak. Agradeço por ter dedicado um tempo a informar a todos hoje e agradeço a todos que participarem da coletiva. Como este é o fim da chamada, o embargo ao conteúdo está suspenso. Tenham um ótimo dia. 

EMBAIXADOR KOZAK: Obrigado a todos. Até logo. 


Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial.
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